Agatha Moreira: “Pra mim, Jô não tem conserto, é incapaz de amar e de sentir empatia”

Atriz conta ter se divertido com recente via crucis da vilã e diz não desejar sua redenção


  • 16 de outubro de 2019
Foto: Globo/Victor Pollak


Por Luciana Marques

Nos capítulos mais recentes de A Dona do Pedaço, finalmente o público viu Josiane (Agatha Moreira) se dar um pouquinho mal. Mesmo assim, vendendo peixe em feira, levando desaforo de clientes de restaurante e sendo chamada de boleira, ela não perdeu a pose. “Ela passa por tudo isso, mas não dá o braço a torcer... Ela sempre vai achar um jeito de se dar bem”, avalia a atriz.

Agatha se diverte lendo e gravando as cenas tragicômicas da personagem. “Quando a Josiane se ferra, eu que morro de rir”, conta. A atriz ainda não sabe o final que Walcyr Carrasco prevê para a malvada. Mas se depender de Agatha, não será dos melhores. “Eu não quero a redenção dela”, diz. E quando insinuam que Jô pode não ser a filha biológica de Maria da Paz (Juliana Paes), a atriz brinca: “Não vem com essa história aí não...”, diverte-se ela.

Josiane (Agatha Moreira). Foto: Globo/Estevam Avellar   

Como está a repercussão da Jô, você já disse numa entrevista que ela não deve se redimir, né? Eu disse o que eu quero... Mas o que o autor quer, tem uma enorme distância entre uma coisa e outra... Eu não quero a redenção. E eu acabei de gravar uma cena um tanto diferente agora, estou até dando spoiller...

Como está sendo para você viver essa personagem tão má, sem nenhuma empatia com as pessoas? Está sendo muito legal. Eu acho que a gente fica feliz com a novela como um todo, porque a novela é um sucesso. Onde eu vou, onde eu passo, não tem uma pessoa que não fale da novela ou da Josiane. Até pessoas que eu conheço que não assistem novela, estão todos vendo, gostando. Eu diria que essa novela é uma febre, batendo 43 de audiência. Está uma maravilha, é só alegria. E a Josiane, eu esperava que ela ia ser uma vilã de fato, mas com certeza ela é uma caixinha de surpresa. Ela foi me surpreendendo cada vez mais. Eu falava no início, quero ser vilã que mata, mas eu não sabia se ia ser... E virei vilã que mata.

Acha que a Jô tem conserto? Ao meu ver, não. Vamos aguardar os próximos capítulos. Porque ela vai se ferrando cada vez mais, é uma coisa atrás da outra. Quando você pensa, tipo, agora acabou, não tem mais nada para ela fazer, ela vai e dá um jeito de ser mais altiva e egoísta dentro daquela situação toda. Ela não dá o braço a torcer. Vão ter cenas bem legais, engraçadas. Eu morro de rir. É muito engraçado essa parte tragicômica da personagem.

A Josiane tinha tudo, era uma menina milionária, agora é só ladeira abaixo... Teve essa via crucis em vários empregos, se dando mal... Você esperava essa virada? Eu acho que ela não tem uma consciência comum, digamos assim. Então ela acha que de algum jeito ela vai se dar bem, que em algum momento ela vai se dar bem, vai dar o jeito dela. Ela não vai dar o braço a torcer, porque eu acho que realmente existe ali uma falta de amor por essa mãe absurda, falta de empatia, não só pela mãe, por todo o mundo. Ela vai estar perto do que serve para ela naquele momento, do que for útil. Mas vai chegar a hora que ela terá que dar o braço a torcer. E quem vai ser útil pra ela? Só a mãe.

Você acha que ela é capaz de amar alguém? É muito difícil falar isso, porque numa novela a gente nunca tem uma decisão formada pela autor, é uma obra aberta. Mas ao meu ver, até agora não. Até agora eu julgo a Josiane como uma pessoa incapaz de amar e de sentir empatia.

Maria da Paz (Juliana Paes) e Josiane (Agatha Moreira). Foto: Globo/Victor Pollak

Falam por aí que a Jô não é filha biológica da Maria da Paz, mas ao mesmo tempo dizem que ela tem o sangue dos Matheus. Qual a sua opinião sobre isso? Eu não sei, o público aí que está dizendo que ela não é filha... Para o meu entendimento, até onde eu sei, ela é filha sim.

Você, Agatha, absorve essa energia negativa da personagem em algum momento? Não, eu acho que o que me causa é muito cansaço,  exaustão, mas porque a Josiane é uma personagem obviamente muito diferente de mim. E também muito diferente de mim no sentido de energia, ela tem muita energia. Tipo, nenhuma cena dela ela está cansada, exausta, não, ela está sempre reagindo de forma enérgica, furiosa. Ela está sempre brigando com alguém, tacando alguma coisa (risos). Tem cena que eu já penso, meu Deus, que descarga de energia. Como no dia de hoje, por exemplo, que preguicinha de gritar agora... Eu sou muito calma, muito tranquila, você nunca vai me ver berrando com alguém. Eu nunca vou desperdiçar energia com essas coisas. Então ela exige muita energia de mim.

Você está numa ascenção... Já tinha feito uma vilã, mas a gente pode dizer que a Josiane é uma grande vilã que marcará a sua carreira. E a gente tem muitos ouvido elogios ao seu trabalho. Como recebe isso? Eu acho que o que mais me atravessou de certa forma foi quando colocaram a Josiane no mesmo lugar da Carminha, Nazaré, que são personagens icônicos, que marcaram a minha vida, de todos os brasileiros. E elas, a Adriana Esteves, a Renata Sorrah, são atrizes incríveis, que eu sou fã incondicional, admito muito o trabalho delas. Eu não conseguiria me colocar nesse patamar, mas ver as pessoas me colocando nesse patamar de vilãs é muito legal. Como profissional, atriz, fico muito grata, mesmo.

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