Adriana Esteves: “Carminha aprendeu tudo com Laureta

Ela rechaça comparação entre vilãs e diz ser o “auge do prazer” atuar com marido


  • 05 de junho de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

Com 30 anos de carreira, mais uma vez Adriana Esteves faz o público deleitar-se com o seu talento. E para quem pensava que depois da icônica Carminha, de Avenida Brasil, em 2012, seria difícil uma outra vilã cair nas graças do telespectador, se engana.

A promoter e cafetina Laureta de Segundo Sol, a Lau, para os íntimos, tem aprontado todas em Segundo Sol. “Vou contar um segredo, Carminha aprendeu tudo na vida dela com Laureta, só isso”, diverte-se a atriz, que faz questão de ressaltar que cada personagem é uma, com suas histórias de vida.

A cereja do bolo para Adriana nesse trabalho, além da nova parceria com João Emanuel Carneiro, o mesmo autor de Avenida Brasil, é a oportunidade de contracenar com o marido, Vladimir Brichta, o vilão e bon vivant Remy. “É o auge do prazer, em todos os sentidos”, diz ela, mãe de Vicente, 11, com o atual marido, de Felipe, de 18, da união com Marco Ricca, e de Agnes, de 20, que é do primeiro casamento de Brichta, e a quem Adriana ajudou a criar.

Laureta (Adriana Esteves). Foto: Globo/Raquel Cunha

Como é para você trabalhar novamente com o João Emanuel Carneiro, o autor que te deu de presente a Carminha, uma personagem que marcou sua carreira?

Eu fico muito feliz de trabalhar com ele porque tenho admiração por ele e pela forma como escreve novelas. Avenida Brasil foi uma das coisas mais sensacionais da minha trajetória mesmo com 30 anos de profissão. Com o texto de Segundo Sol só reafirma para mim o mestre que ele é.

Você estará novamente fazendo uma vilã, assim como a Carminha. Acredita que pode haver uma comparação entre as personagens, teme isso?

Não tenho medo, porque não trabalho com medo, mas com coragem, criatividade e alegria. Estar aberta ao novo. São novos personagens, atores diferentes. Acho que podem comparar, mas eu não tenho que ter essa preocupação. A comparação é inevitável, mas, para mim, Laureta é algo tão diferente, porque é outra mulher, numa outra época, uma outra história e ela é naturalmente diferente.

O João Emanuel Carneiro comentou que o vilão é co-autor de suas novelas. Eles o ajudam a contar as histórias...

Sabe porque eu acho que ele fala isso? Porque é um homem muito inteligente e constrói a vilania proporcional à inteligência do vilão, e por isso cria vilões muito inteligentes. O desafio para o ator é corresponder à tamanha inteligência dele, do autor.

A gente percebe que sua personagem é uma mulher elegante, uma promoter, que no fundo é uma cafetina. Você já conheceu alguma pessoa como a Laureta? 

Já, conheço inclusive, mas nem que você me amarre eu conto. Minhas inspirações são todas em segredo (risos). Nas verdade, estou homenageando todas elas. Quanto mais louca, mais eu copio e vou fazendo meu mosaico. Eu falo que tenho um grupo de amigas que são minha paixão. Elas perguntam: ‘Adriana, qual a próxima personagem?’, e eu digo: ‘Vocês, estou copiando todas’. Temos essa grande brincadeira.

Adriana Esteves e o marido, Vladimir Brichta. Foto: Globo/Paulo Belote
 

Quais cuidados você toma para que seu corpo não perceba que as emoções vividas pela personagem são cênicas? 

Sou muito cuidadosa quando estou trabalhando, aliás, não só quando estou trabalhando. Cuido do meu corpo, e me sinto uma atleta. Temos que ter fôlego, e disposição para trabalhar tantas horas por dia, decorar tantos textos, então tomo conta do meu sono, da minha dieta, e faço meu exercício físico. Meu corpo precisa estar preparado, e minha mente estar em paz para corresponder ao volume de trabalho que vai se ter.

Você só tem feito vilãs ultimamente, depois de muitas mocinhas. Tomou gosto?

As últimas em novela sim, mas tenho feito mulheres sérias no cinema. Em Justiça, fiz uma mulher que era uma grande heroína, guerreira da vida. As pessoas lembram muito de Carminha porque depois dela não fiz nenhuma vilã, mas agora vem Laureta. Aliás, não gosto de dizer que ninguém é vilão. É personagem, uma mulher, o que ela é, ela quem vai se contar. Não gosto de rotular.

Essa novela fala de recomeço, você já teve algum recomeço na sua vida?

A gente recomeça todo dia, o tempo inteiro. Quando me arrumei para vir para essa coletiva era um recomeço. Agora vamos recomeçar, porque você vai me fazer outra pergunta, e eu vou responder, então, estarei recomeçando.

Como você é no trabalho?

Sou dedicada, responsável, não gosto da palavra perfeccionismo porque na arte não existe perfeição. Tenho uma paixão e prazer imenso pelo que faço, acho que sou bastante cuidadosa, e não me contento com pouco. Quero fazer bem feito, porque amo esse trabalho.

Foto: Globo/João Cotta

A Deborah Secco falou que sempre se inspirou em você, inclusive que a Sandrinha de Torre de Babel foi inspiração para fazer a Darlene de Celebridade. Como você vê isso?

Eu acho que tem uma coisa que faz parte da nossa profissão que é a admiração que a gente tem pelos colegas, e isso traz para a gente um aconchego. Eu me inspiro e inspirei em tantas e tantas atrizes que se eu fosse começar a falar agora, eu não pararia. Várias pessoas falam para mim que me acham parecida com a Renata Sorrah, e ela é uma inspiração para mim, pela vida inteira. A Deborah é super batalhadora, jovem e tem o mesmo tempo de profissão que eu, porque começou muito cedo. Eu me inspiro em mulheres e em homens. Quantas coisas já roubei de Lázaro Ramos por exemplo, até bordões.

E como está sendo poder contracenar também com o seu marido, o Vladimir Brichta?

É o auge do prazer em todos os sentidos. Não trabalho com o Vlad há muito tempo. Fizemos há dois anos Justiça, mas nossos personagens não contracenavam, agora a gente contracena, e teremos historinha para a gente criar. Não sei o que é melhor, desfrutar do grande ator que ele é, ou da companhia dele. Estamos muito mais juntos, estamos com as mesmas pessoas, vamos aos mesmos lugares.

Vocês conversam sobre trabalho ou não costumam levar trabalho para casa?

Conversamos. Fazendo a mesma novela, então, tudo o que a gente vê em casa, nos inspira para a novela, e está sendo muito gostoso. Estou com ele há 14 anos, e deu uma sensação gostosa de estarmos sendo criativos juntos.

E vocês dão palpite no trabalho um do outro?

A gente se dá muito palpite. Os dois são palpiteiros.

Laureta (Adriana Esteves) e Karola (Deborah Secco). Foto: Globo/João Cotta
 

O que essa personagem tem para ser humanizada?

Muita coisa. É uma mulher com um passado misterioso. Ela se emociona, tem suas dores, sofrimentos, é guerreira também. Mulher nunca é simples, é sempre algo complexo, e essa personagem é cheia de conflitos e questões. Minha preocupação é contar a história do que essa mulher sente sobre uma série de coisas.

O Domingão do Faustão está comemorando 30 anos no ar, e você fez parte da história do programa...

Eu era bem menina, apresentei um quadro lá. De lá para cá, foram 30 anos, muita história aconteceu.


Se arrepende de algo?

Não me arrependo. Tudo o que a gente é hoje, é porque já passou por alguma coisa.

Como faz para manter o bronzeado?

Eu gosto muito de tomar sol, preciso de sol. Tenho um hábito que sempre que está fazendo sol, faço caminhada na praia. Se morasse num lugar que não tivesse sol, acho que eu seria diferente, acho que eu seria uma pessoa melancólica. Me preocupo em usar protetor solar e dependendo do horário uso do mais fraquinho ao mais forte.

Você tem rede social?

Não tenho nada, nem planos em ter, mas como tudo pode mudar a qualquer momento, pode ser que amanhã eu pire e acordo de manhã com um Instagram (risos). Meus 3 filhos têm, mas eles usam de uma maneira que acho muito legal, não são loucos por isso, nem fazem disso um diário. Não sei se eu conseguiria fazer dessa forma, por isso eu não tenho ainda.

A inesquecível vilã Carminha, de Avenida Brasil. Foto: Globo/Alex Carvalho
 

Hoje em dia há muitos memes de novelas, você acha que não tendo rede social não fica mais difícil de saber sobre o que estão falando de sua personagem?
 

Mas os amigos contam, passam para a gente no Whatsapp. Eu acompanho e te confesso que acho um barato. Talvez por gostar tanto é que não tenho rede social. Imagina eu não cuidar dos filhos, não trabalhar para ficar ali o dia inteiro? Seria um perigo. Talvez eu esteja me protegendo não tendo.

Que importância tem para você como atriz se uma obra faz sucesso ou não, ou o quanto a parceria com diretores e autores a influência a aceitar um trabalho?

Não existe fórmula de sucesso, porque se tivesse todo mundo faria. Acho que o que me move a aceitar os trabalhos é afinidade artística, quem eu admiro, e quem me deu e para quem eu dou meu respeito. Você vai encontrando seus correlatos, e nosso trabalho é interessante por isso. Às vezes, você nunca trabalhou com a pessoa, aí você faz um trabalho com ela e ela se torna alguém muito importante na sua vida, como alguém da família. Ao longo da minha trajetória profissional fiz essa aliança com várias pessoas, algo que me orgulho muito.

O que você está fazendo que está tão bem, com uma pele bonita?

Vai ali e pergunta para o Vladimir (risos). Não tem segredo, só fazer o trabalho que gosto, ter minha família, amigos. Claro que a gente precisa ter uma dermatologista bárbara, um cabeleireiro maravilhoso, do sol, do exercício.

Você se sente mais madura, mais segura e mais bonita agora do que no início da carreira?

Eu me sinto mais madura com certeza, os outros ‘mais’ não sei.

Ter um marido baiano te ajuda na prosódia e construção desse sotaque da Laureta em cena?

Ajuda não só o marido, mas a família dele toda. Estou sempre com minha sogra que mora em Itacaré e meu sogro que mora em Salvador. Na novela vou ter um sotaque que consegui ter, mas isso é só uma brincadeira, o principal é poder passar a delícia do povo baiano, o lado solar dele, a dança dele, a cara dele. Não precisa ser fiel porque ninguém será fiel a um sotaque que não é o seu.



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