A hora de Carol Castro: “Momento de um reconhecimento de fato na carreira”

Ela vibra com redenção e novo amor para Helena na trama das 6 e com Kikito por atuação no longa Veneza


  • 06 de setembro de 2019
Foto: Vinícius Mochizuki


Por Luciana Marques

Ser mãe é sempre uma transformação na vida de qualquer mulher. Para Carol Castro não foi diferente. Mas a vinda de Nina, de 2 anos, da união com o ex, o violinista Felipe Prazeres, serviu como um amuleto também para coroar a sua carreira, iniciada no teatro aos 9 anos. No ar como a Helena, em Órfãos da Terra, a atriz ganhou o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante pela atuação no longa Veneza, de Miguel Falabella, no Festival de Gramado. “É o primeiro momento em que estou tendo um reconhecimento de fato, de tantos anos de carreira”, avalia.

Segundo Carol, o universo conspirou muito a seu favor, até porque ela havia sido mãe há seis meses quando recebeu o convite para o longa, com gravações em Veneza e no Uruguai. “Esse troféu foi muito simbólico porque foi realmente uma saga. E eu estava me reencontrando como ser humano, mulher, porque é um renascimento ter um filho”, diz. Na trama das 6, ela também comemora a nova fase de redenção de Helena, que ganhou um novo amor: Hussein (Bruno Cabrerizo). E na vida real, a atriz também vive momento especial e admite estar “conhecendo melhor” o próprio Bruno.

O que você mais aprendeu ao participar de Órfãos da Terra? Nossa! Muita coisa! Foi um dos papéis mais desafiadores pra mim. A Helena é bem controversa, mas ao mesmo tempo sempre foi do bem, apesar de algumas pessoas pensarem o contrário. Ela sempre foi altruísta, sempre quis ajudar o próximo. E ela estava em um momento sensível, carente da vida dela após a morte do marido. E acabou transferindo todo afeto que tinha pelo marido para o Elias (Marco Ricca), que era a pessoa que a tratou bem, deu atenção. Enfim, agora a Helena está passando por uma reviravolta, digamos assim...  E o público está podendo ver uma redenção da personagem, principalmente em relação à família do Elias. Fiquei superfeliz com essa surpresa, não esperava. E acredito que a Helena também será muito feliz.

Foto: Pino Gomes

No momento em que o Elias deixou a Missade (Ana Cecília Costa) para ficar com a Helena, o que mais falavam nas ruas, nas redes sociais? Ouvi de tudo... As pessoas tinham muita raiva, ranço. Mas algumas diziam também: “Nossa, eu consigo entender o lado dela”. Ficava bem dividido, e eu sempre quis fazê-la com muita verdade, mostrar que ela nunca concordou. Tem mulheres que são a outra, que concordam e vivem com isso anos. A Helena nunca concordou, pelo contrário, sempre ficou no pé do Elias para ele tomar uma atitude. Até que chegou o momento, quando teve essa volta e ainda não estava inteiro com ela, que falou: “Opa! Não quero homem pela metade, quero um homem só pra mim”. Achei demais, porque é isso! Ela precisa ser feliz, precisa ser completa. Ela não merecia aquela relação, nem ele, nem a Missade. E eu ficava tentando não julgar, porque eu, Carol, às vezes, pensava: “Ai Helena, me ajuda a te ajudar, me ajuda a te defender, tá difícil”. Mas eu tenho muito carinho por essa personagem porque ela realmente me ajudou muito, é desafiadora.

E você sabia que viria um novo amor para a Helena? Não, eu não tinha ideia. Quando ela perdeu o filho e se despediu do Elias, pediu perdão para Missade, ali eu falei “Olha, não sei... Acho que a personagem vai embora, vai sair de cena, ela já disse que tem um irmão na Alemanha...”. Até que me falaram: “Não, vem surpresa por aí”. Foi quando eu fui entender, lendo os capítulos, que ela ia finalmente encontrar um grande amor.

É o Hussein, um cara bonito, charmoso valeu a pena, né? Sim, e ele gosta dela, a trata como ela nunca foi tratada na vida. É um merecimento dela. Vejo por esse lado, porque realmente sempre foi uma pessoa muito boa que só se confundiu.

Helena (Carol Castro) e Hussein (Bruno Cabrerizo). Foto: Reprodução Globo

Você está tendo um momento ímpar na sua carreira. Além da novela, ganhou o Kikito como Melhor Atriz Coajuvante, em Gramado. Como recebeu isso? Foi o meu primeiro prêmio. Estou com 35 anos. Tenho 16 anos de televisão. No cinema, comecei aos 16, e no teatro aos nove. E esse filme foi importante pra mim porque foi o meu primeiro trabalho depois de ser mãe. Entrei com o elenco todo fechado. Alguma coisa aconteceu, o universo conspirou para que fosse eu. O Miguel (Falabella – Diretor) me ligou em fevereiro e falou: “Olha, tem essa personagem. Vou te mandar o roteiro. É uma personagem incrível, vai ter a Carmem Maura...”. Só com essas informações já me interessei, porque sempre admirei o trabalho da Carmem, do Miguel, da Dira (Paes) e do Du (Moscovis)... Depois que li o roteiro, fiquei apaixonada. Aí Miguel falou: “Só, tem um problema: se trata de um bordel, são garotas de programa, tem cenas que aparece o corpo. Tudo bem pra você? Eu não gosto de frescura”. Aquele jeito dele. “Não, imagina, não tenho frescura! Mas, só pra lembrar, acabei de ser mãe tem seis meses” (risos). Ele falou: “Imagina, você vai ter um mês para se preparar”.

E como foi esse processo? Tive um mês para me preparar psicológica e fisicamente, sem poder fazer dietas absurdas porque eu estava amamentando, e isso sempre foi crucial para mim. Nunca deixei de lado e ficava fazendo exercícios com elástico para diástase em casa mesmo, para ver se conseguia recuperar um pouco. Mas esse nunca foi o foco. E acredito que a personagem, a Madalena, me ajudou muito a me reencontrar com o feminino, porque depois que você é mãe, foca muito na criança. E nesse ciclo, a Madalena me obrigou a encontrar esse furação que eu nunca soube que tinha. Foi uma surpresa atrás da outra e um milagre estar lá tanto para a exibição do filme, quanto na premiação por conta da novela.  Fui direto para o tapete vermelho. Quando sentei... “Ufa! Finalmente estou aqui e fechei o ciclo”. Aí ganhei... E pensei: “Nossa, eu não estou acreditando que isso é verdade, que valeu a pena todo esse esforço”. Foi muito especial!

Como está a sua filha? A Nina está maravilhosa, é o sol da minha vida. A razão do meu viver. Ela acabou de fazer 2 anos, como passa rápido e como tanta coisa acontece em tão pouco tempo! Sou muito realizada, ela é a minha vida. 

Você está separada, mas a gente percebe que mantém uma boa relação com o pai da sua filha, né? A gente sempre buscou isso, desde o início. Eu e Felipe éramos amigos antes de nos relacionarmos como homem e mulher. A gente tentou até o fim que desse certo. Mas víamos que estávamos fazendo isso pela Nina. E se a gente não está bem, isso ia passar pra ela. O aviso da separação veio quando já estava há muito tempo acontecendo, a gente já vinha conversando. Para o bem da Nina, vamos sempre manter a amizade, o diálogo, a comunicação. E a gente está conseguindo fazer isso. É para sempre. A nossa ligação é eterna, ele admira o meu trabalho, eu admiro o dele, ele vai me prestigiar e eu vou prestigiá-lo. Levo a Nina para assisti-lo, e assim será sempre.

Foto: Reprodução Instagram

Sempre dizem que a chegada de uma criança traz boas energias, vibrações. E você ganhou o seu primeiro prêmio logo após ser mãe... Pra mim foi tão simbólico, porque realmente foi uma luta. Primeiro que estava realmente me reencontrando como ser humano, mulher, porque é um renascimento ter um filho. No parto natural você sente todas as dores, vai a um lado selvagem, animal do feminino, até se reencontrar de novo. E aí me vi diante de um papel tão forte. Ao mesmo tempo ter que mudar de país com uma neném de seis meses começando a introdução alimentar. Foi uma saga, carregando leite, tirando leite, atravessar o oceano com a Nina para Veneza. Toda saga do filme foi muito forte pra mim, e chegar em Gramado também foi uma saga. Então foi tão simbólico sair de lá com o Kikito. Realmente foi o presente máximo que poderia receber.

E esse encontro com o Bruno Cabrerizo também na vida real? Fora daqui, estamos nos conhecendo, sem rótulos, deixando a vida acontecer. E aqui dentro da emissora somos grandes parceiros de trabalho. O Bruno é muito profissional, é um rapaz muito centrado, muito sério. Eu já tinha visto isso no set do filme O Garoto (do diretor Bruno Saglia), que a gente fez. Não imaginávamos também que os nossos personagens da novela iam se envolver. Aconteceu, mas é isso. Não tem muito o que dizer. A gente tá se conhecendo, três pontinhos, é isso...

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