Felipe Cunha: “De onde vim, nunca imaginei protagonizar uma novela”

Natural da pequena Araçuaí, MG, ator de Topíssima crê que amor de Antonio pode transformar Sophia


  • 10 de junho de 2019
Foto: Blad Meneghel/Record TV


Por Luciana Marques

*A entrevista completa está disponivel em vídeo, abaixo.

Há quatro anos no Rio, após atuar nas tramas bíblicas Apocalipse, Lia e Jesus, Felipe Cunha vive o seu primeiro protagonista, o gente boa Antonio, de Topíssima, também na Record TV. Natural da pequena Araçuaí, com pouco mais de 35 mil habitantes, no interior de Minas Gerais, o ator de 31 anos sabe o valor de sua conquista. “Nunca imaginei que um rapaz que nascesse no Vale do Jequitinhonha, com todas as dificuldades que tem a região, pudesse estar aqui hoje. Realmente é um sonho”, constata.

E ele tem feito bonito na pele do taxista, típico trabalhador brasileiro, morador da comunidade carioca do Vidigal. Tanto que o público vibra nas redes sociais com o romance tipo “gato e rato” de Antonio com a ricaça empresária Sophia (Camila Rodrigues). “É um Tom e Jerry, no entanto, é uma história bem Rodriguiana, acho que tudo se justifica por amor. Sejam as alegrias e tristezas que acontecem ali, é a vida real, como ela é. A maior lição que fica é o que o amor é capaz de transformar”, diz ele.

Foto: Blad Meneghel/Record TV

O que tem mais instigado você ao viver o Antonio? O mais prazeroso é interpretar um personagem que é muito próximo da grande parcela da sociedade. Ele é humano, real, um cara trabalhador, honesto, que acredita na bondade, que acorda cedo como todo mundo, que passa por todos os perrengues, vive numa região de risco, como o Vidigal. E ele tenta, com jogo de cintura e com felicidade, transpor essas barreiras e ser feliz. Eu acho que o grande barato é estar de fato pegando um personagem tão humanizado. E ele traz para uma jovem do asfalto, que sempre teve tudo e todos ao seu alcance, a simplicidade e uma relação sincera.

E esse casal Sophia e Antonio, parece que todo o mundo vai se apaixonar, porque tem pegada, né? Eu acho que esse casal é uma loucura! É uma relação como ela é, com as alegrias, as dificuldades. Eu acho que todo o mundo em casa, seja casado, namorado, tem um pouco de Antonio e de Sophia. Então eu acho que as pessoas vão se identificar com eles.

Eles são de universos completamente opostos. Você acha que a diferença social ainda atrapalha muitos relacionamentos? Eu acho que sim. Eu acho que a gente vive um retrocesso também na forma de pensar as relações. A novela deixa  claro que nem sempre onde se tem o melhor berço se tem os melhores princípios. O Antonio é um cara que vai trazer essa consciência para a vida da Sophia. Eu acho que o público vai se identificar muito com ele, com a Mariinha, a mãe dele, a irmã, a Rafaela. Porque é um retrato de fato da sociedade. Não que o núcleo que tem o dinheiro, o da Sophia, não tenha essas mensagens também a passar. Mas eu acredito que o barato é a transformação que esse núcleo, digamos, humilde, promove nesse universo mais farto. E a transformação também dessas pessoas que têm dinheiro, eles sentem vontade de ajudar.

 

 

No que você se identifica com o Antonio? Essa é a minha terceira novela na casa. É o meu primeiro protagonista... Eu acho que o respeito que eu tenho pelas pessoas, pelo meu ambiente de trabalho, é o que me coloca aqui hoje falando para você. Eu acho que o princípio de tudo é o respeito e também a igualdade. A separatividade é um grande problema na sociedade, porque daí nasce o preconceito, as divisões de classes sociais, cultural. Então, eu acho que é isso que temos em comum. Somos pessoas que realmente respeitam o próximo, a si mesmo e o lugar onde trabalha.

Você está na sua terceira novela na Record, mas vem de trabalhos no teatro em Minas... Acha que esse protagonista chegou na hora certa, num momento, de repente, em que você está mais maduro para segurar esse papel? Falar que estou maduro, acho que não... Eu venho de uma região muito pouco favorecida culturalmente também. Nunca imaginei que um rapaz que nascesse no Vale do Jequitinhonha, com todas as dificuldades que tem a região, pudesse estar aqui hoje protagonizando uma novela. Realmente é um sonho! Mas eu acho que isso constrói a minha responsabilidade de ser cada vez mais honesto com as pessoas, comigo e com o meu trabalho.

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