Saiba mais sobre Conrado Helt, de Yank!, e sua trajetória nos musicais

Namorado de Hugo Bonemer, ele fala sobre a relação e a importância de não se renegar


  • 23 de abril de 2018
Foto: Divulgação


Por Luciana Marques

*Entrevista também disponível em vídeo, abaixo.

O teatro musical brasileiro vem fazendo cada vez mais bonito. Da mesma forma, atores que se destacam no gênero vão marcando seus espaços. Um desses casos é Conrado Helt. Ele iniciou a carreira no teatro aos 12 anos, e estreou nos musicais em Kiss, me Kate, aos 17, e foi paixão à primeira vista.

Desde então, já atuou em espetáculos de sucesso como Rock in Rio – O Musical, Cinderella, Shrek – O Musical, New York, New York, Hair e Cantando na Chuva. Atualmente, está duplamente em cartaz. Em São Paulo, vive o Rei Tritão, em A Pequena Sereia, e no Rio, interpreta Mitch, em Yank! – O Musical.

Na premiada peça dos irmãos norte-americanos Joseph e David Zellnik, o texto narra a história de amor entre dois homens, Stu, um correspondente de guerra, vivido por Hugo, e Mitch, um soldado do exército. Tudo em plena Segunda Guerra Mundial, em que o ambiente era discriminador e homofóbico.

Hugo Bonemer, que disse em entrevista recente que agora estava feliz e em paz, e Conrado são namorados na vida real. Na entrevista, além de falar sobre a sua caminhada no teatro musical, Conrado lembra que a primeira tentativa de namoro com Hugo não deu certo, mas a nova chance surgiu e eles estão felizes. Para o ator, o mais importante é não se reprimir. “Tem que ter orgulho de quem você é de verdade, aí você vai ser feliz”.

Em cena de Yank! com Hugo Bonemer. Foto: Michelle Felippelli

O que tem mais instigado você nessa participação em Yank! – O Musical, ainda mais agora que você faz o coprotagonista?

Quando fui chamado para fazer o teste, sabia que não tinha dinheiro envolvido, é uma peça sem patrocínio. E eles começaram fazendo crowdfunding. Fiz o teste e passei. Fui ler a peça ouvindo o CD junto, e lembro que estava aos prantos no final, dando graças a Deus, obrigado senhor, que eu iria fazer essa peça linda. Na primeira temporada, em 2017, fiz o papel do homofóbico. E é muito bonito como é o personagem na história, porque ele é homofóbico e ele mesmo não se questiona o porquê. Eu entendo, algumas pessoas entendem que ele se arrepende. E agora eu estou fazendo o personagem junto com o Hugo, que é o Mitch. A gente faz um casal. E é um presente, porque Mitch representa todas as pessoas que têm medo de ser quem são de verdade. Não importa se você é negro, gay, branco, japonês, bem-sucedido ou não. Se tem algo em você que não aceita, vai viver um inferno para o resto da vida.

 

Essa mensagem a peça passa muito, não é?

Sim. É o que o personagem do Hugo, o Stu, fala no final da peça. Quando ele está falando de como foi a vida e que o Mitch morreu de ataque de coração, mas que a própria mulher diz que foi de alcoolismo. E o Stu fala, acho que a guerra finalmente acabou porque ele passou a vida inteira renegando quem ele era. E isso acontece com várias pessoas, independente se da orientação sexual, política, religiosa, tem muita gente que se reprime, e é um inferno viver assim. A vida vai passar e não vale a pena. Então, eu amo esse personagem porque cada dia que faço, ele me mostra o quanto eu sou feliz, o quanto eu amo ser quem eu sou, a pessoa que eu me tornei. E isso eu acho que as pessoas tem que ter, tem que ter orgulho de quem você é, aí você vai ser feliz, vai conseguir se relacionar...

Foto: Divulgação

Como foi esse encontro com o Hugo?

Eu e o Hugo fizemos Hair juntos, foi nosso primeiro grande musical. E numa das temporadas, eu fiz o pai dele. E a gente se relacionou nessa época, mas não deu certo. Mas eu acho que mais por não saber lidar com o amor. É muito dificil, acho que muita gente não sabe muito bem, a gente tem sempre que estar pensando nisso para conseguir lidar melhor. Não só com nosso companheiro ou cônjuge, mas com nossos amigos, familiares, é difícil lidar com o afeto. Amor não faltava, mas a gente não estava sabendo lidar. Acho que agora a gente se encontrou, e é muito doido, porque a gente nunca perdeu contato, mas estávamos afastados. A gente chegou a fazer Rock in Rio juntos, mas ele estava casado e eu também. E aí a gente se encontrou no teste do Yank. Ele solteiro, eu também. E a gente começou de novo a dar uma chance para a gente.

O Hugo recentemente confirmou publicamente o namoro de vocês. Foi difícil a decisão de falar ou não, até pela representatividade, pelo fato de vocês acabarem encorajando também muitas pessoas?

O Hugo sempre tinha essa dúvida, como seria se perguntassem, porque a gente estava fazendo uma peça sobre o tema gay. E eu acho que a melhor maneira de você tratar um assunto que não tem problema, é você não dar o problema para o assunto. Acho importante falar, não mentir, porque a nossa profissão leva informação, opinião para as pessoas. Então, a maneira como eu vou me comportar vai refletir muito em algumas pessoas. O Hugo, qualquer pessoa que tenha a vida exposta publicamente, eu acho que tem essa responsabilidade. Como você vai agir. A gente tem que se questionar duas vezes, porque a gente pode estar influenciando pessoas. Não é uma regra, mas você pode influenciar muita gente. E é uma delicia ver que tem gente que agradece todo o dia a gente por estar fazendo isso. É um movimento difícil, mas alguém tem que começar e tem que fazer.

Como o Mitch, em Yank! Foto: Michelle Felippelli

Por que as pessoas tem que assistir ao musical Yank!?

Acho que todo o mundo devia assistir porque o texto fala de como é difícil se relacionar. Não fala sobre um relacionamento homossexual, fala de como é difícil você estar numa relaçao e se identificar ali dentro, saber quem você é. E é disso que Yank! trata, acima de tudo, é sobre o amor. E eu acho que a gente precisa falar muito disso hoje em dia, porque tem muito desamor, e é tão chato, cansativo. Por isso acho que todo o mundo devia assistir Yank!, para mudar isso um pouco.

A arte sempre fez parte da sua vida, desde novo?

Eu sempre fiz alguma coisa ligada a arte, ou dança, ou canto. A minha mãe era bailarina e sempre me incentivou. Ela me levava para óperas, teatros. E eu comecei a fazer teatro aos 12 anos no teatro dos grandes atores aqui no Rio. Em seguida, fui para São Paulo e eu nunca mais parei.

Por que essa paixão pelo teatro musical?

Amo pelo fato de explorar vários aspectos da sua vida, você tem que pensar na dança, na música, na interpretação, a linguagem em cada lugar que você tem que trazer. Me desafia sempre. E isso é o mais legal, de você se sentir desafiado, numa nova área, eu adoro.

Ele também vive o Tritão, em A Pequena Sereia. Foto: Reprodução Instagram

Como avalia sua caminhada na carreira, porque ser ator no Brasil é uma batalha, não é?

Digo que a gente tem que gostar muito porque nada colabora, nada ajuda. Por exemplo, você passa por um musical, grande ou pequeno, não importa, mas daqui a seis, sete meses, você vai estar desempregado de novo. Então, é um lugar tenso. Mas eu também aprendi a relaxar, e que as coisas, se a gente correr atrás e estiver disponível, óbvio, vão se encaminhando. É difícil, às vezes, dá uma agonia , tipo, ai meu Deus, eu preciso de alguém que me contrate. Mas é gostoso demais você estar no palco, você estar num novo desafio. A minha mãe fala muito, é tão legal a sua profissão porque cada hora exige uma coisa, uma hora você tem que aprender sapateado, outra tem que ir para a academia, ficar forte. Então é legal porque esses trabalhos diferentes vão te colocando em situações novas. E isso é enriquecedor. Cada trabalho você melhora em algum lugar... Eu amo, muito!

 

Yank! - O Musical. Até 02/05. Teatro dos Quatro. Shopping da Gávea. R. Marquês de São Vicente, 52, Gávea, Rio. Terças e quartas, às 20h. R$ 60,00. Duração: 130min. Classificação: 16 anos.

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