Thuany Parente: Dos musicais para a trama bíblica Apocalipse

Atriz avalia estreia na TV: “Me sinto pensando menos e fluindo mais”


  • 10 de abril de 2018
Foto: Rodrigo Lopes


Por Luciana Marques

Um dos destaques da nova geração do teatro musical brasileiro, com oito anos de carreira, Thuany Parente fez sua estreia na TV como a Alice, em Apocalipse, da RecordTV. “Fiquei muito tempo me questionando sobre o motivo de não rolar, mas acho que as coisas aconteceram no momento certo”, ressalta.

Apaixonada pelos palcos, a atriz de 26 anos já esteve no elenco de grandes espetáculos como Hair, Wicked, Rent, Um Violinista no Telhado e Todos os musicais de Chico em 90 minutos. Para ela, fazer teatro é uma declaração de amor à humanidade. “É transformar nossas falhas em poesia”, completa. 

Em cena como a Alice, de Apocalipse, ao lado do colega Zé Carlos Machado. Foto: Reprodução TV

Como você vê essa sua primeira experiência no veículo TV em Apocalipse, é muito diferente do teatro?

Completamente diferente! No teatro, você tem que falar com o corpo inteiro, não basta a intenção estar no olhar. A voz precisa ser projetada para que a plateia te ouça. A câmera capta o micro, o teatro, o macro. As intensidades variam muito. Mas estou apaixonada pelas sutilezas da televisão, me sinto pensando menos e fluindo mais.

A Alice levava uma vida dupla, mentiu para a família e para o namorado. Por que você acha que ela fez isso, é coisa de caráter ou de correr atrás do sonho?

Acho que ela viveu um momento confuso, de extremo questionamento e não soube lidar com isso da melhor forma. Não acho que tenha sido mau caráter, apenas imatura. Quem nunca encontrou a pior saída para tentar resolver um problema, não é mesmo? (risos).

Foto: Rodrigo Lopes

O que tem mais instigado você nesse papel, há algo que tem aprendido com a Alice?

Como atriz, o que achei mais interessante foi brincar com as duas personalidades da Alice: a certinha na frente da família e a sexy cantando na noite. Precisei pesquisar essas nuances. O que eu acho mais bonito na Alice é sua capacidade de reconhecer seu erro com humildade e buscar evoluir com isso. Acho nobre da parte dela.

Você tem um currículo sólido no teatro. Acha que demorou para vir uma chance na TV?

 Olha, eu fiquei muito tempo me questionando sobre o motivo de não rolar, mas acho que as coisas aconteceram no momento certo, sim. Sinto que já me sentia mais preparada como atriz para explorar uma nova linguagem. Se ainda estivesse com certos questionamentos que tinha alguns anos atrás, talvez não tivesse conseguido aproveitar essa vivência como aproveitei.

A atriz no musical Wicked. Foto: Arquivo Pessoal

O que significa fazer teatro para você?

Fazer teatro é uma declaração de amor à humanidade. É transformar nossas falhas em poesia. Eu acho que quem faz teatro acaba se tornando uma pessoa mais tolerante, que quer sempre entender o outro lado. Eu me apaixonei tanto pela mente humana e sua infinitas possibilidades, que comecei a cursar psicologia! (risos)

Acha que o Brasil já não deve nada aos EUA e outros países em se tratando de musicais?

Acho que nossos profissionais já estão extremamente capacitados. A única coisa que ainda nos deixa atrás é a questão do dinheiro que gira. Ainda somos muito dependentes das leis de incentivo, e isso acaba prejudicando nosso trabalho. Por exemplo, na Broadway, um espetáculo tem anos de pré-produção e versões de teste até chegar ao seu formato final na Broadway, de forma que o espetáculo estreia redondinho. Aqui tudo precisa ficar pronto em poucos meses, pois não há verba para bancar todo esse processo de experimentações.

Foto: Rodrigo Lopes

Há algum musical ou personagem que você sonha fazer no teatro?

Sim! Queria fazer a Mama Rose, de Gypsy, a Girl, de Once... isso em musicais. Já em teatro não-musical, gostaria de fazer Nina, de A Gaivota, Liuba, de O Jardim das Cerejeiras, e Nora, de A Casa de Bonecas.

Thuany por Thuany, como se definiria?

Nossa, é sempre difícil me definir. Sou extremamente contraditória, ainda não entendi muito minha cabeça, para ser honesta (risos). Tenho um lado bem bobão, adoro fazer quem está perto de mim rir, quero sempre entender o humor da pessoa e brincar com isso. Ao mesmo tempo, sou extremamente tímida e introvertida com quem não conheço, o que pode passar uma imagem de sisuda num primeiro momento. Sou perfeccionista e muito autocrítica, sempre procuro formas de evoluir e me tornar melhor no que quer que seja, como atriz, cantora, aluna, filha, namorada, amiga. Quero sempre dar o meu melhor para o mundo. Mas essa cobrança toda em cima de mim mesma pode me deixar um pouco estressada por conta de uma eventual frustração e aí acaba tendo o efeito inverso. Viu só que confusão? Acho que não me descrevi muito bem... (risos).

Em cena do musical Rent. Foto: Arquivo Pessoal



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