Silvero Pereira: “Ser ou não ser, seja! Não interessa o que pensem”

Uma das estrelas do Show dos Famosos, ator lembra conselho de Fausto Silva


  • 24 de março de 2018
Foto: Globo/Marília Cabral


Por Redação

Neste domingo, 25 de março, quando Fausto Silva anunciar os oito participantes do Show dos Famosos, um dos quadros de maior sucesso do Domingão do Faustão, o público vai poder matar as saudades de Silvero Pereira. Um dos participantes desta edição, o ator foi grande revelação da novela A Força do Querer, em que vivia dois personagens, o motorista Nonato e a travesti Elis Miranda. 

No desafio do quadro dominical, a proposta é homenagear grandes nomes da música nacional e internacional através da transformação completa e das apresentações performáticas dos participantes. “Não sei o que vem por aí, a única coisa que posso saber é que para mim é um grande privilégio, enquanto artista, ter a escola que vou ter aqui dentro com os profissionais de corpo, de voz, de televisão e de programa de auditório”, ressalta ele.

Como surgiu o convite para o quadro?

Veio logo depois do prêmio do Faustão. Foi o meu segundo contato com a ‘família Faustão’, um contato muito bom para mim porque eu já entendi o quanto as pessoas são unidas, queridas. E ali já rolou uma empatia. Logo depois que a novela acabou, teve o prêmio do Faustão, e 15 ou 20 dias depois, a Roberta, uma das diretoras, me liga perguntando do meu interesse no quadro. Já tinha visto várias vezes, achava incrível. Algumas performances para mim são emblemáticas, como Samantha (Schmütz) fazendo Elis Regina. Demorei para entender que era a Samantha. A novela já tinha um pouco disso, de performance, Carmem Miranda, cantar Gal Costa, o próprio final onde eu pesquisei muito a Zizi Possi para fazer o Disparada, Fera Ferida. Fui me identificando com a estruturada do programa, do quadro, e quando veio o convite não tive dúvidas.

Foto: Globo/Marília Cabral

"Uma das pessoas dentro da casa que me deu, talvez, um dos maiores conselhos que  podia ter enquanto artista, foi o Fausto Silva. Ele disse para eu entender que tipo de artista sou, não baixar a cabeça e seguir exatamente sendo a pessoa que eu acredito."


Você chegou a abdicar de algum projeto para participar?

Existiu um outro projeto dentro da casa também, mas minha decisão por esse tinha partido exatamente da relação anterior com a equipe do Fausto, que me deixou muito à vontade. A primeira vez que eu conheci o Fausto, ele foi muito generoso. Uma das pessoas dentro da casa que me deu, talvez, um dos maiores conselhos que eu podia ter enquanto artista, que era: entender que tipo de artista eu sou, não baixar a minha cabeça e seguir exatamente sendo a pessoa que eu acredito.

Você está preparado para a repercussão das performances?

Não estou muito preparado. Eu sei que é um programa de maior audiência dentro da casa. Tem a Mariana Xavier, que é uma grande amiga e fez a Dança dos Famosos. Ela falou sobre a grande pressão que é estar nesse programa, ainda mais numa competição. Não sei o que vem por aí, a única coisa que eu posso saber é que para mim é um grande privilégio, enquanto artista, ter a escola que vou ter aqui dentro.

Como você lida com as críticas?

Eu me incomodo, sim. Sofro com algumas, mas acho que isso faz parte do processo. Ser bem visto ou não, faz parte de como as pessoas recebem o seu trabalho, e elas têm o direito disso. Passei a entender isso mais fortemente dentro da novela. Quando você é um desconhecido com 10 mil seguidores e termina a novela com 600 mil é uma diferença muito grande. Então, tem muita gente te olhando e te julgando mais, mas elas têm o direito de gostar ou não gostar, não sou eu que vou interferir nessa decisão. Aquilo que me afeta muito, que me deixa muito mal, eu realmente me abstenho e tento ficar um pouco mais distante.

"Não estou muito preparado para a repercussão. Sei que é um programa de maior audiência da casa... Não sei o que vem por aí, a única coisa que eu posso saber é que para mim é um grande privilégio, enquanto artista, ter a escola que vou ter aqui dentro."

Silvero com o time de participantes da nova edição do Show dos Famosos. Foto: Globo/Marília Cabral


Teve um site que noticiou que a Globo pediu para que você ficasse mais “menininho”. Como recebeu essa informação?

Estava escrito assim: ‘A Globo mais uma vez querendo heteronormatizar você. Não se deixe, não faça o que eles estão querendo’. Aí eu respondi exatamente assim: ‘Mas a Globo não me pediu nada. O meu corte de cabelo foi uma decisão minha’. E parte muito do conselho que o Fausto me deu foi ‘você já é um artista, já sabe quem você é, não se submeta a nada, seja quem você é’. E é assim que eu tenho sido, tanto que na minha rede social tem isso: 'Ser ou não ser, seja!' Não interessa o que os outros pensam.”

E qual a importância da Glória Perez e da novela A Força do Querer na sua vida?

Foi um divisor de águas para mim. O Tiaguinho Abravanel e eu estávamos conversando, e a gente disse que se temos que agradecer a um pai e uma mãe dentro dessa casa, realmente é Fausto Silva e Glória Perez. Talvez, a Glória tenha sido a primeira pessoa que olhou para mim enquanto artista versátil. O mercado inteiro olhava para mim como um artista que só faz um tipo de papel, que só interpreta esse feminino, travesti, trans, e a Glória não. Quando ela olhou para mim disse: ‘você é um ator completo, por isso que eu te quero na novela fazendo dois papéis diferentes, o Nonato e a Elis Miranda’. Então, ela foi a primeira pessoa que me deu a oportunidade de mostrar esse trabalho. A Glória tem uma importância fundamental na minha carreira, com certeza.

Você está satisfeito com essa nova fase da sua carreira?

Eu estou muito feliz. As pessoas me perguntam: ‘você chegou num lugar ideal?’. Eu não acho que cheguei num lugar ideal. Eu cheguei num lugar bacana enquanto artista, enquanto processo, enquanto trajetória. E estou muito feliz por esse lugar. Mas, não é o lugar ideal, até porque, se chegar num lugar ideal não tem mais o que fazer. Não estou acomodado, estou topando desafios. Esse projeto tem personagens que não têm nada a ver comigo. Estou apavorado, nem a música eu sei ainda, mas decidi por esses personagens, exatamente, para me desafiar, para não me sentir acomodado.

"A maior lição que os meus pais me deram foi: estude. Acho que o que me trouxe até aqui foi isso, e ser disciplinado, correr atrás. Sou uma pessoa que passou fome e cede, e jamais imaginei que um dia iria à Disney como fui recentemente. É possível acreditar!"


O que tira você do sério?

Muita coisa me tira do sério (risos). Vou ser bem clichê, mas é o que eu acho, injustiça me tira muito do sério. A política brasileira, recentemente, é o que tem mais me tirado do sério e aí eu vou falar de uma coisa super atual: a Marielle (Franco), por exemplo. É uma das situações mais absurdas que eu vi porque não é uma morte específica. É uma morte de toda uma trajetória, de uma história e de lésbica, gay, mulher, negra, favelada. São várias vozes que estavam ali na política tentando um lugar, então isso me tira muito do sério.

Recentemente, você esteve na Disney. Qual conselho você deixa para os jovens que, assim como você, vieram de uma realidade difícil?

Escute seus pais. Acho que a maior lição que os meus pais me deram foi: estude, a única coisa que eu posso dar para você é que você seja dedicado no estudo. Eu acho que o que me trouxe até aqui foi, exatamente, o fato de ser estudante, disciplinado, correr atrás e saber das dificuldades que eu tive. Sou uma pessoa que passou fome e cede, e jamais imaginei que um dia estaria na Disney com todos os privilégios que eu estava. Então, é possível, é possível acreditar.

Durante sua viagem à Disney, sairam notas afirmando que teria destratando algumas pessoas que se aproximavam. Como se posicionou sobre esse assunto?

Fui procurado para dar satisfação sobre isso, mas disse que não tinha como dar satisfação sobre algo que para mim não é real. Obviamente que você tem mais visibilidade, as pessoas começam a dizer que você está estrela. Na minha própria cidade há comentários: ‘O Silveiro agora virou estrela’. Mas não é uma questão de ter virado uma estrela. Realmente, às vezes, eu tenho restringido os espaços que eu vou por conta do assédio, porque eu tenho família, porque eu tenho um companheiro, porque eu tenho uma vida. A minha vida íntima também precisa de um pouco de espaço e nem sempre dá para ser em espaço público. Eu acho que é disso que as pessoas sentem mais falta.



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