Pedro Carvalho: “O público está shippando muito Britney e Abel”

Destaque em papel cômico, ator diz que a mensagem é mostrar que amor não se escolhe


  • 26 de junho de 2019
Foto: Globo/Estevam Avellar


Por  Luciana Marques

Um dos principais galãs das telenovelas em Portugal, onde já viveu inúmeros mocinhos, protagonistas, Pedro Carvalho tem tido a oportunidade agora, no Brasil, de dar vida a papéis bem diferentes. Atualmente, ele tem divertido o público ao interpretar Abel, o chef confeiteiro da fábrica de Maria da Paz (Juliana Paes). “Para mim, depois de 13 novelas em Portugal, é interessante chegar nesta idade e poder experimentar”, ressalta o ator de 33 anos.

O que também instiga Pedro é poder ser um “canal” na TV para falar sobre temas tão importantes. Na trama das 9, seu personagem, Abel, se apaixona por Britney (Glamour Garcia), uma mulher trans. E ele nem desconfia disso. “O interessante é mostrar que o amor, o encantamento, o desejo, não se escolhe, acontece”, avalia ele. A verdade é que nós todos estamos amando o casal #Bribel. Na entrevista nos Estúdios Globo, Pedro diz como acha que será a reação de Abel ao descobrir a verdade sobre a amada Britney. E fala ainda sobre a parceria com Daniela Garcia, que adotou o nome artístico de Glamour Garcia.

Como está sendo para você viver o Pedro? Eu estou adorando porque é um personagem cômico. E em Portugal eu já fiz tanta novela e sempre fiz mocinho, protagonista. E aqui eu estou tendo essa oportunidade, é a minha terceira novela aqui. Em O Outro Lado do Paraíso era mais sério, mais dramático. E este personagem é mais leve, cômico. E cada capítulo que a gente recebe está muito legal, muito engraçado. A trama do Abel com a Britney, a Maria da Paz, cresce muito. A coisa dele ser muito aluado e errar todas as receitas, sendo ele um chef confeiteiro. Estou muito feliz de fazer mais um projeto do Walcyr (Carrasco) e de ter a oportunidade de trabalhar pela primeira vez com a Amora (Mautner - diretora artística).

Abel (Pedro Carvalho). Foto: Globo/João Miguel Júnior

E o que você tem mais ouvido sobre o Abel na internet, nas ruas? O público está gostando muito desse casal.  E as pessoas riem bastante porque o personagem realmente ele é muito bronco, sem noção. E ele desenvolve uma admiração pela Britney muito interessante. E eu estou me divertindo muito em cena.

E ele é inocente, né? Vocês vão perceber mais para a frente o quão inocente ele é (risos).

Falando ainda desse encantamento do Abel pela Britney... O público e todos na novela sabem que ela é uma mulher trans, ele não tem essa noção. Mas vai ter o momento da descoberta, né? Vai, a gente ainda não está lá, não recebemos nada. O interessante disso é que o Walcyr consegue falar de um assunto importantíssimo, principalmente nesse momento político e social que a gente está vivendo no Brasil, rindo. Ou seja, um cara improvável, super reto e que não tem noção nenhuma, se encanta por uma mulher trans, e ela por ele. Eu acho que é interessante ver que o amor, o encantamento, o desejo, não se escolhe, acontece. Essa eu acho que é a mensagem. E a gente vai falando de várias coisas importantes, preconceito, de uma forma leve. E para mim poder contar essa história é um privilégio. Acho que é muito inteligente da parte do autor fazer isso pela leveza, comédia, sutileza.

Aqui no Brasil tem essas brincadeiras de fazer piada dizendo que português é burro, e logo um português é o único que não percebe que a Britney é trans... O português não é burro, viu, gente (risos). Mas eu acho isso maravilhoso, porque esse personagem vem lá de Trás dos Montes, do interior de Portugal, lá no norte. As pessoas são mais ligadas com o campo. E isso justifica muita coisa, ele saiu de lá e veio para o Brasil. Ele é um cara muito desligado. E eu aproveitei isso para criar esse personagem, peguei como referência um confeiteiro de Portugal, que esteve no Big Brother. Ele é assim, grandão, bronco, sem noção, inocente, de bom coração. Eu aproveitei isso para compor esse personagem e para me divertir em cena, me deixar levar. O Walcyr e a Amora disseram para mim e para a Dani (Glamour), divirtam-se em cena.

Abel (Pedro Carvalho) e Britney (Glamour Garcia). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Você entende de cozinha? Eu já lancei um livro de culinária há dois anos que se chama Sopa para a Síria, em Portugal. É um livro em que convidei chefs reconhecidos do país, e cada um deles fez a receita de uma sopa. E 80% da verba foi revertida a favor dos refugiados da Síria. E eu gosto de cozinhar. Também sou maluco com doces. E me colocaram num cenário com bolos o tempo inteiro, aquele cheiro... Tem que controlar, porque daqui a pouco tem que tirar a camisa para gravar...

Como está sendo a parceria com a Glamour? Estou muito feliz com esta parceria porque a Dani (Glamour) é uma atriz muito disponível, apesar de ser estreante. E ela é muito engraçada na vida real. Ela fala coisas que eu rio o tempo inteiro, eu digo, aproveita isso para o personagem. E em cena a gente troca muito, é muito fácil trabalhar com ela, a gente brinca muito, experimenta muito em cena.

A gente sabe que tem muita gente shippando o casal, mas também há comentários preconceituososSim, sempre vai ter preconceito porque infelizmente há pessoas que não estão neste mundo, estão sei lá onde... Mas eu acho interessante que quando isso acontece, vem outras pessoas que rebatem esse preconceito. E isso é legal de ver.

Abel (Pedro Carvalho). Foto: Globo/João Miguel Júnior

O Abel é um cara de bom coração, ingênuo, bronco, do interior... Você acha que vai rolar um preconceito dele quando descobrir sobre a Britney, mesmo ele entregue a essa mulher? Eu acho que se rolar esse preconceito é porque ele é um cara burro, vou usar essa palavra. E isso é interessante ver, por isso o personagem é assim, bronco, avoado. Então eu acho que é mesmo falta de instrução, de educação. Mas eu acho que o desenrolar dos personagens vai reservar surpresas interessantes.

A gente já teve recentemente a Nany People em O Sétimo Guardião, agora a Glamour, mas você acha que ainda rola um preconceito com atrizes trans? Eu adoraria que o mundo caminhasse de um jeito que mostrasse que somos todos diferentes e todos iguais ao mesmo tempo, a diferença é uma qualidade. Eu sou diferente de você, você de mim. E cada um é o que é, e há lugar para todos. Eu acho que catalogar as coisas não é legal. E eu desejo como ser humano, homem, ator, que a gente caminhe para uma igualdade, que as diferenças sejam valorizadas. A Dani (Glamour) é uma mulher linda e ela se sente mulher, é isso, pronto.

Em O Outro Lado do Paraíso o seu personagem se apaixonou por uma anã, agora por uma mulher trans, você é realmente o ator da diversidade? Isso é engraçado, porque eu precisei vir para o Brasil depois de 13 novelas em Portugal fazendo mocinhos, protagonistas...  Eu gosto, para mim é interessante chegar nesta idade e poder experimentar. E principalmente, poder tratar de temas tão importantes, e eu ser o veículo para que se fale do assunto. Na Europa, isso não é mais tema. Casal gay, mulher, homem trans, isso não é questão lá. Aqui no Brasil é, então é importante de se falar.

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