Vanessa Giácomo, a Stella: “Há muito mistério nesta família”

Atriz fala dos cuidados para viver uma alcoólatra e celebra parceria com Elizabeth Savalla


  • 03 de dezembro de 2018
Foto: Globo/Estevam Avellar


Por Redação

A trama O Sétimo Guardião mal começou e Vanessa Giácomo já mostra porque é considerada uma das grandes atrizes de sua geração. Ao mesmo tempo em faz muito bem a linha dramática da alcoólatra Stella, ela dá show também em ótima dobradinha nas cenas mais leves e de troca de farpas com a sogra, Mirtes, papel de Elizabeth Savalla. “Não é o tempo inteiro que a gente fala sobre o alcoolismo, então no dia a dia ela e a sogra se completam, eu dependo muito dela e ela depende muito da Stella”, fala a atriz, que já atuou com Savalla em tramas como Pega Pega, Amor à Vida e Morde & Assopra.

O certo é que a história de Stella, que perdeu um bebê e não pode mais engravidar, por isso se jogou na bebida, vai dar muito o que falar ainda. Será que essa criança está viva? “Eu não sei muita coisa, mas com certeza há muitos mistérios”, despista. Já a atriz, que iniciou a carreira na TV como a doce Zuca, do remake Cabocla, em 2004, e seguiu fazendo grandes papéis, como a elogiada vilã Aline, de Amor à Vida, de 2013, diz que o frio na barriga é o mesmo do início. “Sempre tive muita responsabilidade e respeito pela profissão”, diz ela, mãe de Raul, de 10 anos, e Moisés, de 8, de relação anterior com Daniel de Oliveira, e de Maria, de 3 anos, do atual casamento com o empresário Giuseppe Dioguardi.

Foto: Globo/João Cotta

Como está sendo dar vida à Stella?

A Stella é um presente. É uma personagem que requer um trabalho minucioso, ela é alcoólatra, então para não ficar no clichê, não ficar exagerado, eu tive que estudar a fundo. Conversei com pessoas que vivem esse drama e estão tentando superar o vício. É complicado porque você entra numa intimidade com as pessoas, e é triste ao mesmo tempo. Eu tinha que equilibrar esse drama dela que é muito forte. Mas também tem momentos leves, porque é engraçado essa relação dela com a sogra. É muito legal trabalhar com a Elizabeth Savalla novamente, ela é uma parceira que eu amo muito e é uma honra.

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Como foi a sua pesquisa para essa personagem, que é alcoólatra? 

Tem sempre um cuidado em relação a isso e um respeito também, porque a gente vai falar de uma questão que muitas pessoas vivem diariamente. Assim como o reflexo disso para a família e os amigos também. Eu conversei muito também com filhos de alcoólatras, com a família. É difícil porque tem gente que nem aceita que isso é uma doença, então foi um trabalho intenso de pesquisa. Eu assisti alguns filmes também, não necessariamente de alcoolismo, mas de drama, porque ela tem muita vontade de engravidar e ter filhos. Ela perde um filho, não pode mais engravidar e daí liga uma chave que ela começa a beber

Ela tem noção do que é a doença dela? 

Como ela é casada com um médico, ela aceita que é doente. Não acha que é tão grave assim, mas entende.

Como é representar essas pessoas doentes? 

É uma honra para mim, porque é uma questão social forte, e às vezes as pessoas não enxergam com esse olhar. Eu acho que é importante falarmos sobre isso, sem brincar. Eu conversei com vários médicos, e tem muita dona de casa que começa a beber porque não tem nada para fazer e se torna alcoólatra, isso é triste. É um desafio enorme para mim como atriz e eu estou amando.

Foto: Globo/César Alves

Parece que a Stella vai ter um apagão e perde a memória. Também já falaram que ela poderia ser a mãe da Luz da Luz...

Não, a Marina Ruy Babosa não. Eu só aceito filho até 11 anos, que é a idade do meu (risos). Tem muito mistério envolvendo essa família, assim como a novela inteira é cercada por mistério, e isso que é legal, porque instiga. Eu não sei como o Aguinaldo vai desenvolver a história do apagão porque ainda não gravamos nada relacionado a isso, mas com certeza tem muitos mistérios. Eu posso ser mãe do gato também, inclusive (risos).

Como você administra o seu tempo com três filhos em casa? 

Eu consigo, a gente sempre arruma tempo para o amor e carinho. Eu consigo administrar a minha vida muito bem, até em relação ao meu marido, a família e meu núcleo. Até porque eu não levo personagem para casa, tirou a roupa, acabou. Eu preciso me alimentar de pessoas que eu amo e me cercar de pessoas que sempre estiveram próximas a mim.

Você é do tipo ansiosa, quando tem uma cena muito importante para o dia seguinte? 

Eu sou ansiosa, mas estudo um dia antes. No geral eu leio o capítulo, sei que tem cenas importantes, vejo o roteiro calmamente e estudo ele um dia antes. É porque cada um tem uma técnica mesmo, tem gente que precisa estudar um pouco antes para ficar mais seguro.

Com as colegas Elizabeth Sabvalla e Viviane Araújo. Foto: Reprodução Instagram

Essa calmaria é algo que você conquistou com a maturidade, depois principalmente de ser mãe? 

Olha, eu sou bem agitada, não sou tão calma assim no meu dia a dia. Eu gosto de conversar com as pessoas, tenho muita calma. Eu não brigo à toa, sou uma pessoa civilizada. Mas eu sou agitada, sempre que estou sem fazer nada em casa começo a querer mudar algo de lugar.

Você está com quase 20 anos, como avalia essa sua trajetória até aqui? 

O mesmo frio na barriga eu tenho até hoje, os mesmos medos, o mesmo olhar. Mas eu tenho muita responsabilidade com as coisas, então para mim é um privilégio poder trabalhar com o que eu escolhi para a minha vida. Tantas pessoas talentosas querem entrar e não conseguem. Eu tenho muito respeito pelo que eu faço, quando alguém me confia um personagem, eu realmente estudo o máximo, eu tenho isso.



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