Luisa Arraes sobre Manu descobrir identidade de Ariella: “Será difícil”

Atriz de Segundo Sol avalia relação da personagem com a DJ, sua verdadeira mãe


  • 19 de junho de 2018
Foto: Globo/Paulo Belote


Por Luciana Marques

No meio desse elenco de peso da trama das 9, Segundo SolLuisa Arraes, de 24 anos, com certeza, é um dos maiores destaques. Na pele da jovem rebelde, cheia de conflitos e ao mesmo tempo afetuosa Manu, ela vem conquistando o público a cada novo capítulo.

“Como ela viveu muita coisa, tem uma característica de quem não tem papas na língua, não tem muito a perder. Quem já perdeu muito, acaba sendo disponível para fazer tudo o que acha certo ou errado. Ela não tem muitas amarras, o que a liberta”, avalia a atriz, que está em sua segunda novela – ela fez Babilônia, em 2015.

Mas Luisa tem um currículo sólido no teatro, com trabalhos como Pedro Malazarte e a Arara Gigante e Grande Sertão: Veredas, e também no cinema, como Reza a Lenda e Aos Teus OlhosE como o Portal ArteBlitz adiantou aqui, em capítulos exibidos em meados de julho, Manu vai descobrir que a sua ídola, Ariella (Giovanna Antonelli), é a sua verdadeira mãe, a quem nunca perdoou por ter abandonado ela e o irmão, Ícaro (Chay Suede).

Manu (Luisa Arraes) e Acácio (Dan Ferreira). Foto: Globo/Paulo Belote

Como tem sido participar da novela e a repercussão do público?

É uma alegria muito grande. Agora com a trama no ar, temos a resposta do público, o que é importante para saber o que cada um tem achado. Estou muito feliz que exista uma comoção em volta da história da Manu com a mãe. O público entende o buraco dos dois irmãos, mesmo eles sendo pesados em alguns lugares. Isso foi muito bem embasado, e todo mundo sente compaixão por eles.

Como foi a composição para viver a Manuela?

Nossa vivência e ensaio é muito do que a gente já passou e já viveu. Cada ator tem seu método e muda de acordo com cada trabalho. Eu não busco por exemplo um realismo. A Manuela se droga, mas a droga bate em cada pessoa de um jeito, então a doideira dela não foi pesquisada, a doideira dela vai ser como eu inventar.

O que muda na vida da Manuela com a família Athayde ficando na miséria?

Isso é muito legal porque se espera que uma pessoa como ela vá reagir mal diante das notícias de corrupção envolvendo a família, mas ela acaba ficando ao lado da família. Ela está acostumada com pessoas falhas, ela entende mais o lado humano, está mais acostumada com pessoas com muitos lados. Ela não é do tipo que fala 'ah meu mundo caiu', ela segue em frente.

Ela está tendo uma convivência grande com a Ariella e, mesmo sendo uma jovem vivida, como você acredita que será a reação dela ao descobrir que o ídolo é na verdade sua mãe?

Isso é uma loucura porque a Ariella se transformou na nova mãe dela, e saber que a pessoa que ela mais a ama é a mesma pessoa que ela mais odeia não tem como ser fácil.

Como você enxerga essa questão da Manuela não ter nenhuma lembrança do rosto da mãe, como ela não acha a Ariella nem parecida com a mãe?

Eu acredito que se ela achasse parecida, não teria história. Se ela lembrasse do rosto da mãe, não teria história. Acho que ela tem essa memória muito longe, como um sonho. A gente sonha com as pessoas, e não lembramos do rosto delas. Ela gosta dessa mulher desde o primeiro dia que a encontrou, sente uma coisa estranha entre elas.

Manu (Luisa Arraes) e Ariella (Giovanna Antonelli). Foto: Reprodução Globo
 

Você acredita nessa força da genética?

Acredito muito mais na criação. Tenho muitos amigos adotados que são a cara e o jeito dos pais, mas sobre a Manuela, tem uma coisa da genética ali indubitavelmente. Ela nunca se identificou com a família que a criou, só com a Zefa (Claudia Di Moura), pessoa que ela tem mais proximidade dentro da casa talvez pela origem humilde, ou por ser sentir mais confortável perto dela.

Você fez uma personagem mais leve em A Fórmula, depois fez Grande Sertão no teatro com uma personagem densa. Como é para você fazer a Manuela?

Eu gosto muito dos sentimentos grandes. A nossa pesquisa na peça Grande Sertões é que não existe lá um sentimento domesticado, é paixão, terror, morte, não é a conduta civilizatória com a qual estamos acostumados. A Manuela não é ‘domesticada’ também, e como ela não teve essa criação civilizatória, ela se sente na permissão de fazer o que quer. A coisa da droga por exemplo, é uma desobediência porque ela não tem senso de autopreservação.

Ela ama o Acácio (Danilo Ferreira)? Porque parece que ela se envolver com o Narciso (Osmar Silveira)...

Ela ama o Acácio. Ela não tem regras claras, ela quer se vingar da irmã e se vinga através do Narciso, mas não se envolve com ele não.

A relação dela com a Rochelle (Giovanna Lancellotti) também é muito complicada. Você acredita que a Rochelle é uma grande influência para a Manuela agir como age?

Com certeza! Elas brigam como gato e rato. Uma hora uma ganha, outra hora a outra ganha. Tem amor entre elas, vemos pouco, mas em alguma hora elas se amaram, não nasceram brigando.

Foto: Globo/João Cotta


Você já incorporou as gírias baianas ao seu vocabulário?

As gírias são um barato porque aqui é pesquisa de campo. A nossa figurinista é super baiana, e sempre pergunto para ela, que me dá vários toques. Não são só gírias com as quais estamos acostumados porque a Bahia tem gírias muito próprias, como ‘barril dobrado’, que adoro. ” 

Há um tempo não a víamos tanto na televisão, e parece que você está fazendo mais TV atualmente não é?

Eu gosto muito de circular, então não acho que aumentou minha frequência na TV, nem diminuiu graças a Deus. O Grande Sertão ocupou meu ano inteiro. Não teria podido fazer a peça se estivesse fazendo algo na TV. É um jogo. Eu só tinha feito uma novela (Babilônia), e eu achava que era um papel gigante, mas era pequeno comparado a este. Agora é outra coisa (risos).

Você está sendo muito elogiada pela sua atuação, como vê isso, toda essa repercussão?

Importante é não acreditar. Eu fico muito feliz com isso, porque o que eu busco no trabalho é uma coisa muito séria. O lugar da televisão é diferente do teatro muito mais no sentido da imagem do que no conteúdo. Mas no teatro aprendi a coisa do sacerdócio, de ser carnal, da matéria, isso é (a atuação) para mim. O negócio é mais sério, então se as pessoas gostam, é uma alegria enorme.

Algumas pessoas criticaram muito o seu corte de cabelo nas redes sociais. Como você viu isso?
Acho muito engraçado que as pessoas se preocupem tanto com isso. Eu amo esse cabelo, acho lindo. Para interpretar uma menina toda diferente e descompensada como a Manuela, as pessoas queriam que eu tivesse usando um chanel? Acho esse cabelo lindo, mas não é um corte careta, e geralmente as pessoas que criticam querem algo mais careta.

Foto: Globo/João Cotta


O que você acha do figurino da Manu?

Eu amo! Se vocês forem perceber, a Manuela tem apenas três blusas, dois shorts e duas calças. Eu também vivo com pouco justamente para ter essa liberdade artística, mas tenho mais roupas do que ela (risos). A Manuela é subterrânea, o figurino é onde ela se sente mais confortável. 

Você tem algum cuidado especial com o corpo?

Tenho nadado. Para mim é importante a coisa do exercício com a meditação, costumava fazer ioga, mas agora eu nado. Sair daqui, ir nadar e ficar 1 hora em silencio é fundamental. 

Em que você se identifica com a Manuela?

Sempre acho essa pergunta dificílima. Alguma coisa devo ter parecida com ela, mas é análise. Talvez a valentia e essa coisa de tentar ter a própria identidade.

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