Walcyr Carrasco sobre A Dona do Pedaço: “Mensagem de superação”

Inspiração nos bolos da avó e força do feminino sempre presente nas tramas


  • 05 de maio de 2019
Foto: Globo/Estevam Avellar


Por Redação

Quando se fala em estreia de uma novela de Walcyr Carrasco, as expectativas são enormes. Afinal, ele é uma espécie de curinga para todos os horários na Globo, já que suas novelas são sempre sinônimo de sucesso. E a partir do dia 20 de maio, o público pode se preparar para voltar para a frente da TV, porque vem “novelão” aí. A Dona do Pedaço tem pitadas de ação, vilania, humor e muito romance. “A principal mensagem é de otimismo, de que tudo pode dar certo”, conta o autor.

Na trama, ele narra a história de Maria da Paz (Juliana Paes), que foge jurada de morte de sua cidade no interior do Espírito Santo, se vê grávida assim que chega a São Paulo e pensa que seu amor, Amadeu (Marcos Palmeira), morreu. Mas ela dá a volta por cima e se torna dona de uma rede de confeitarias. “A trajetória dela reflete a vida de muitas mulheres brasileiras”, explica ele. A última trama das 9 escrita por Walcyr foi O Outro Lado do Paraíso, em 2017/2018, sucesso de público e crítica.

Antes, escreveu Amor à Vida, em 2013. Na faixa das 11, foi o autor de Gabriela, em 2012, e Verdades Secretas, em 2015, o que lhe rendeu o Emmy Internacional. Tramas icônicas das 6, como Chocolate com Pimenta, de 2003, Alma Gêmea, de 2005, e Êta Mundo Bom!, de 2016, também são assinadas por ele. Walcyr também já escreveu mais de 60 livros e algumas peças.

Seu último sucesso no horário das 9 foi O Outro Lado do Paraíso, que ficou no ar até maio de 2018. Você é uma máquina de escrever novelas?

Eu sou uma pessoa que gosta do que faz. Eu adoro escrever, escrevo desde o 11 anos de idade, nessa época já queria ser escritor. Então poder viver sendo escritor é um prazer sem tamanho.

De onde vem inspiração para tantas histórias que sempre cativam o público

Se eu soubesse como surge a inspiração, eu vendia e ganhava uma fortuna (risos). Ela surge... Eu acho que inspiração é uma forma diferente do pensamento, da matemática. Tem mais a ver com a intuição.

A novela começa com uma história tipo Romeu e Julieta, né? 

No início, sim, mas não na continuação. Ela começa com essa pegada... É uma novela de amor, de histórias de amor extremas.

 

 

Você acha que alguns casais serão “shippados”? 

Eu não acho nada... Eu vou escrevendo e as coisas acontecem.

A gente conversou com o Marcos Palmeira e ele disse que ainda não sabe se o personagem é mesmo mocinho. O que você diz sobre isso? 

Por que dividir o mundo entre o bem e o mal? Nós todos temos todas as facetas. A gente faz coisas que a gente se arrepende e coisas que a gente se orgulha.

Para a personagem Maria da Paz, você se inspirou em alguém próximo ou de sua infância, que fazia bolos, doces? 

Minha avó paterna, Rosa, era uma grande cozinheira, fazia doces maravilhosos. Então cresci com esse amor por ela e seus doces. Adoro fazer bolos, ver a massa sendo batida, adoro comer os bolos! Cozinhar está muito dentro do meu universo. E eu tenho um apreço especial pela culinária. Mas também lido com a ideia de que as pessoas podem subir na vida utilizando aquilo que já sabem, um dom, e a vontade de lutar e trabalhar. Novamente, é a mensagem de esperança, da certeza de que todos podem encontrar seu lugar no mundo.

Com a diretora Amora Mautner. Foto: Globo/Paulo Belote

Essa novela traz muitas personagens femininas fortes. Mas isso é algo bem comum em suas tramas, né? 

Todas as minhas tramas, ou a maioria delas, destacam a força do feminino. Em A Dona do Pedaço elas são mulheres vigorosas, que se impõem dentro de um universo violento, onde a morte integra a rotina delas. Por exemplo, Dulce, sendo interpretada de maneira incrível por Fernanda Montenegro, fica entre o amor extremo pela família e uma matriarca que comanda um clã de justiceiros, com um pulso inigualável. Eu sei que esse personagem vai surpreender, e estou muito satisfeito que a Fernanda tenha aceitado esse papel. 

A novela mostrará um pouco do mundo das influenciadoras digitais com as personagens Virgínia (Paolla Oliveira), Josiane (Agatha Moreira) e a stalker Kim (Monica Iozzi). Qual a sua relação com este universo?

Eu acho apaixonante esse mundo dos influenciadores digitais e da internet em geral. Como sou muito conectado, fui verificar como as coisas acontecem, como funcionam... Foi um trabalho de reportagem, praticamente. Vou mostrar Jô comprando seguidores. Isso acontece muito! Descobri outras coisas também, mas só no decorrer da novela. 

Há sempre uma grande expectativa em relação às suas novelas. Como você lida com isso, te assusta? 

Tem uma coisa que a gente tem que deixar claro. Quando você está escrevendo, você não pode estar preocupado com o público no sentido de pontos, de audiência. Você tem que estar preocupado em querer se comunicar com o público, dar prazer a ele, entretê-lo, dar uma história que goste. Se você está com o coração aberto para isso, é isso que tem que fazer. E o escritor não é um analista de marketing. E se eu me preocupar com isso, eu não vou conseguir escrever.

Qual a mensagem que você pretende passar para o público com a trama? 

A novela traz uma mensagem de superação, coragem, esperança, amor e muita emoção. Maria da Paz é a mulher que tem garra, fibra, começa a vender pedaços de bolo na rua e constrói uma fábrica e uma rede de confeitarias. Também é frágil afetivamente e apaixonada. Eu quero fazer uma novela com uma mensagem positiva que faça bem ao público, que seja um momento positivo no dia dele e que dê forças para a batalha diária. 

 

 

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