Ruan Aguiar, de Malhação: “Mudar as pessoas muda o mundo”

Destaque em estreia na TV, ator fala da difícil cena da morte de Vagner por bala perdida


  • 12 de dezembro de 2018
Foto: Yan Altonian


Por Luciana Marques

Ainda novo, o sonho de Ruan Aguiar era ser jogador de futebol. Mas foi depois de vivenciar um drama pessoal que ele acabou trilhando o caminho das artes. “Em 2011, após perder meu pai, minha mãe decidiu de me colocar no teatro para que eu conseguisse me abrir e socializar melhor. O teatro salva!”, ressalta ele. E desde os 11 anos, Ruan vem fazendo golaços, tanto nos palcos, como em sua estreia na TV.

Após uma participação no início do ano em Malhação: Vidas Brasileiras como o menor infrator Vagner, ele retornou agora com o personagem começando a se regenerar na trama através da inclusão e também de oportunidades. Só que o destino dele, como de muitos jovens de favelas, será a morte por bala perdida. “Uma cena muito forte, mas infelizmente tão próxima de nosso dia a dia”, diz ele.

Na entrevista, Ruan também fala da relação e da troca com o irmão, o ator Arthur Aguiar, que recentemente também fez participação na trama teen, e dos aprendizados com o papel. E agora alguém duvida que esse menino vai longe?

Soninha (Isabella Camero) e Vagner (Ruan Aguiar). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Ter na família um irmão já bem sucedido na carreira, como no seu caso, o Arthur, ajuda muito ou não é bem assim?

Nunca fui de falar sobre isso e sempre procurei dar meus próprios passos. Vou fazer oito anos de teatro em janeiro e já são 21 espetáculos, cada experiência agregou demais e sempre me empenhei a melhorar.

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Que tipo de troca você tem com o seu irmão sobre a profissão, como é a relação de vocês?

É uma torcida mútua, mas não falamos sobre. Cada um segue o seu caminho e sempre torcemos um pelo outro. 

Qualquer jovem ator sonha em estrear na TV em um produto tão visto como Malhação. Como está sendo esta experiência para você?

Experiência transformadora. Aprendi muito com cada profissional envolvido, entendi como as coisas funcionam, precisamos de todos, cada pessoa é muito especial e importante no nosso trabalho. Agora, o retorno do público está sendo surpreendente, muitas pessoas me param na rua, no ônibus e até na academia para falarem que estão se emocionando com a história. Recebo depoimentos pelo Instagram de histórias reais, centenas de mensagens que me fazem entender mais ainda a profundidade do personagem. 

Logo em sua estreia, você pegou um papel denso, do Vagner, um garoto que já se envolveu um muito coisa ruim, ficou num centro de internação de menores. Como você definiria o Vagner?

Intenso, carente, possui uma casca que o "protege", mas é gente, é normal, especial, revoltado e com certeza abortado pelo mundo.

Há alguma semelhança entre vocês?

Somos intensos e à flor da pele. 

Com o irmão Arthur Aguiar. Foto: Fabiano Battaglin

No fundo, assim como acontece com muitos jovens, acha que faltou oportunidades para ele?

Acho que não teve a oportunidade de viver o outro lado da moeda. Eu lembro que quando fui gravar as cenas na festa da ONG chorei muito. Vi todas aquelas pessoas ali dançando, curtindo um ambiente saudável. Aquilo emocionou demais, é outra coisa... 

Qual a importância de projetos relacionados à cultura e esporte na transformação da vida de jovens?

São projetos que buscam ocupar a mente do jovem e motivá-los a alcançar objetivos, lidar com as derrotas, ensinar disciplina e responsabilidades. A cultura também traz esse poder de reflexão e conhecimento essencial pra base educacional de um jovem. 

A gente sabe que o final do Vagner não vai ser muito legal. Como foi gravar a cena da morte dele?

Uma cena muito forte e, infelizmente, tão próxima do nosso dia a dia. Mas foi feita da melhor forma possível, foi onde inclusive caiu a ficha pela primeira vez. Foi uma mobilização gigante da equipe, que sem sombras de dúvidas arrebentou. 

Que tipo de mensagem você acha que fica com a história do Vagner?

Não podemos perder a esperança nas pessoas. A solidariedade, a gentileza, a generosidade precisa fazer parte do nosso dia a dia, mudar as pessoas muda o mundo.
 



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