Paloma Bernardi reafirmou em Apocalipse que “tudo tem limite”

A atriz está de volta ao teatro no clássico Eles não Usam Black Tie, que faz 60 anos


  • 17 de julho de 2018
Foto: Sergio Baia


Por Luciana Marques

Aos 33 anos, Paloma Bernardi não encanta só pelos belos olhos verdes e a simpatia que aflora para quem chega perto dela. Essa paulistana é uma das atrizes mais requisitadas de sua geração, e vem fazendo bonito a cada novo papel. Seu último foi em Apocalipse, como a Isabela. Cega de amor pelo Anticristo Ricardo (Sérgio Marone), a personagem acabou no “inferno”.

Para a atriz, que, em 2016 havia feito a sua primeira vilã, Samara, em A Terra Prometida, sua caminhada nas artes tem ocorrido de forma natural, degrau em degrau. “Tudo acontece como deve ser e no tempo certo. Eu acredito bastante nisso e me apego nesse pensamento”, ressalta.

E a cada novo trabalho, ela vai se experimentando mais. No próximo dia 20 de julho, a atriz estreia a peça Eles não Usam Black Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, um dos textos mais importantes da dramaturgia nacional, no Teatro Aliança Francesa, em São Paulo. Paloma vive Maria, namorada do protagonista Tião (Kiko Pissolato), que, preocupado com a gravidez dela, resolve furar a greve em sua empresa, liderada pelo próprio pai dele.

Como a Isabela, de Apocalipse. Foto: Munir Chatack/Record TV

Qual o balanço faz de sua participação em Apocalipse?

Todo projeto é sempre muito especial para mim, pois aprendo mais, e as experiências que o personagem nos proporciona nos faz evoluir em nossa profissão. Fazer a Isabela, uma mulher que teve uma transformação enorme durante a novela, foi muito gratificante. Fui de um pico ao outro com ela. E, para nós artistas, é sempre bom sair da nossa zona de conforto.

A Isabela, sua personagem, como todo o ser humano, fez escolhas erradas, se casou com o “Anticristo”, e não se deu bem... Para você, como atriz, como foi viver um papel com esse colorido todo especial?

Eu fiquei muito grata pela oportunidade de, novamente, fazer uma personagem que foge da minha zona de conforto. Com Samara, em A Terra Prometida, interpretei a minha primeira grande vilã, já Isabela teve alterações em sua personalidade que foram surpreendentes para mim. Ela sempre foi muito romântica e, infelizmente, ficou cega de amor, negou toda a verdade e se deixou levar, pois, no fundo, ela sempre sonhou em ter uma grande história de amor. Ter essa mudança tão brusca nas características da personagem faz com que o nosso trabalho seja muito mais intenso, então fiquei muito feliz com o resultado e com a chance de dar voz a ela.

Dizem que todo o ator acaba aprendendo um pouco com os seus personagens. O que você aprendeu com a Isabela?

Não chegou a ser um novo aprendizado para mim, mas com a história dela tive a confirmação de que tudo tem limite. Precisamos estabelecer limites em nossa vida, nunca deixar que um amor faça o que fez com ela. Para isso, porém, é preciso autoconhecimento, saber quais são os nossos limites, trabalhar as nossas fraquezas para que ninguém as use contra nós. A Isabela era uma mulher boa de coração, realmente só queria amar e ser amada, mas a sua mente foi enfraquecendo cada vez mais com a manipulação do marido e, quando todo mundo se deu conta, ela já estava fazendo loucuras e arruinando a própria vida.

Foi a sua segunda trama bíblica na Record TV. Muitos atores dizem que acabam aprendendo com os textos, por falar muito de fé. Aconteceu isso com você?

Eu sempre fui muito ligada à minha religião, então já conhecia os textos e tenho os meus favoritos, que mexem mais comigo. É claro que interpretar passagens da Bíblia, mesmo com a licença poética que todo trabalho artístico possui, é muito precioso. Estamos falando sobre o livro mais vendido no mundo inteiro, há um peso em contar essas histórias.

Qual a sua ligação com religião?

Eu sou uma pessoa de muita fé, sempre ligada a Deus. Vou à igreja desde muito nova com os meus pais e é uma prática que faço até hoje, pois me sinto muito bem. Além de tudo, é um momento de conexão comigo mesma, também, acho isso super importante.

Com Kiko Pissolato, seu parceiro de cena na peça Eles Não Usam Black Tie. Foto: Kelson Spalato

Você estreou na TV aos 11 anos. O que existe ainda em você ainda daquela menininha que sonhava em ser atriz, mudou muito para hoje?

Ah, eu ainda sou muito moleca (risos). Costumo dizer que sou uma menina-mulher, pois acho que temos que manter um pouco de juventude para encarar a vida com um olhar mais tranquilo, não levar tudo sempre tão a sério.

Você vem numa jornada muito bacana, é um nome bem forte de sua geração, não só na TV, tem muito trabalho no teatro também. Tudo tem acontecido da forma que deve ser ou você faria algo diferente na carreira?

Se fiz a minha primeira vilã a essa altura da minha carreira, é porque antes provavelmente não teria a experiência necessária para construir uma boa personagem... Tudo tem um motivo!

Mal a novela acabou e você já se prepara para estrear no teatro em Eles não usam black tie, esse clássico do Gianfrancesco Guarnieri. O que mais instigou você a aceitar o papel da Maria?

Acho que a história em si me instigou muito. É um tema muito atual, se parar para refletir. Também estava com muitas saudades dos palcos, é uma vertente que amo muito e poder agora me dedicar a essa nova personagem vai ser incrível!

A peça fala da luta de operários, greve, de escolhas individuais diante do coletivo... Na sua opinião, é um texto bastante atual, que as pessoas podem se identificar?

Com certeza é um tema bem atual, estamos em uma fase política crucial e interpretar esse texto, que é um clássico, vai fazer com que as pessoas reflitam bastante. Esse sempre é o intuito das artes, causar reflexão no público, transmitir uma mensagem. Espero que as pessoas gostem!

O que significa estar no teatro para você?

Significa estar na essência da arte cênica. Tudo começou com o teatro, e ainda hoje é a base de muitos profissionais. Fora toda a energia que trocamos ali, ao vivo. Eu amo os palcos, fico muito feliz de voltar!



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