Larissa Maciel: “Vivemos época de extremos, bom falar de amor”

Em Jesus, atriz é destaque como Claudia, a mulher que “doma” Pôncio Pilatos


  • 27 de agosto de 2018
Foto: Sergio Baia


Por Luciana Marques

Desde que despontou na TV no papel título da minissérie Maysa – Quando Fala o Coração, em 2009, Larissa Maciel emenda papeis de grandes mulheres. Entre eles, a inesquecível Miriã, irmã de Moisés (Guilherme Winter), no megasucesso Os Dez Mandamentos, de 2015. Agora, o talento da atriz pode ser visto na pele da sofisticada Claudia Prócula, a mulher de Pôncio Pilatos (Nicola Siri), na novela Jesus.

Segundo Larissa, Claudia é do bem, mas uma articuladora na missão de “domar” o temível Governador da Judéia. Em sua quarta trama bíblica, a atriz vibra com o sucesso de produções do gênero, apesar de “certa resistência com as tramas aqui no Brasil”. E ressalta a importância de se passar uma mensagem de amor em época de tanto extremismo. “Acho que essa história veio no momento certo”, diz a atriz, mãe da linda Milena, de 4 anos, da união com André Surkamp.

Claudia (Larissa Maciel). Foto: Blad Meneghel/Record TV

Fale um pouco da Claudia. Ela é a única que “doma” Pôncio Pilatos?

Ela sabe que ela consegue as coisas, ora seduzindo ele, ora sendo mais firme, ora chamando ele para a razão. Mas ela vai conseguindo com que ele faça as coisas que ela acha mais inteligente. Ela é uma articuladora.

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Ela é uma pessoa, então, do bem, justa?

Ela é do bem. Ela começa a se interessar pela cultura dos judeus, a se interessar por esse povo, apesar de Roma ser o centro do mundo na época, então os romanos menosprezavam o resto dos habitantes da terra. Quem não era romano, não dizia nada para eles. Mas ela é curiosa, então ela vai conhecendo, ela conhece a Joana de Chuza, que é uma judia helenizada que fica muito amiga dela, que vai falando sobre esse Deus. Então, ela vai tendo esse interesse desperto, criando uma empatia por esse povo, e fica muito impactada com a história de Jesus. E lá no final, que aparece na bíblia, ela tem um sonho e pede para Pilatos não se envolver, não ser ele o homem que condene Jesus. Por isso que ele lava as mãos, não é ele que dá o veredito, ele pede pro povo escolher se querem soltar Barrabás ou Jesus.

Desde que você na chegou na Record TV, você fez vários personagens interessantes e muito diferentes, por mais que sejam de época. A Sati, de José do Egito, a Miriã, de Os Dez Mandamentos, a Lucy, de Belaventura. Como é para você trabalhar nesta emissora, tendo a oportunidade de fazer papeis tão ricos?

Eu fico muito feliz, porque é exatamente isso, essa é minha terceira trama bíblica, tirando José do Egito e Os Dez Mandamentos que foram foram duas novelas e Milagres de Jesus que foi uma participação pequenininha. Então, essa seria a quarta. Mas são mulheres muito diferentes, e se fosse muito parecido ia ficar chato, né? Porque eu sempre iria estar fazendo a mesma coisa. E como os personagens são muito diferentes, uma Hebréia, uma Egípcia e uma Romana, outras culturas, outro figurino, me permitem brincar e criar coisas diferentes também.

É grande o sucesso das tramas bíblicas, não só aqui, nos Estados Unidos chega a liderar na audiência. Sente cobrança para Jesus ser mais um desses sucessos? Como vê isso?

Cobrança não, é mais uma vontade de fazer mais um sucesso. Aqui dentro do Brasil a gente encontra ainda muita resistência, porque a gente tem uma emissora que é a maior do país e que lidera (Globo), e muita gente não muda de canal. E quando os produtos que a gente faz aqui vão para fora do país e são vistos sem esse olhar com um pouquinho de preconceito, com pé atrás, vira líder de audiência. Aí a gente fica muito feliz, a gente sabe que o que está fazendo é muito legal. Eu tenho hoje em dia fãs do Chile, Argentina, Equador, República Dominicana...

Foto: Divulgação

A Claudia parece ser muito sofisticada...

Ela é linda, os cabelos são lindos. Eu fiquei ruiva, eu nunca fiz uma personagem ruiva na televisão. Os figurinos são belíssimos, as cores, a postura, o palácio ali, é tudo muito bonito! Eu olho e falo: 'Nossa, nem parece eu!' (risos)

E aquela pergunta básica, há alguma semelhança entre você e a Claudia?

Tem, acho que a empatia, de conseguir se colocar no lugar do outro e tentar entender os outros. E ela consegue ter simpatia pelos judeus.

A história dessa novela é focada na trajetória de Jesus, mas tem muitas mulheres fortes, e é legar mostra isso, né?

Tem mais personagens masculinos, há todos os apóstolos...Mas as personagens femininas são todas muito legais, muito fortes, cheias de personalidade, que desempenham um papel, mesmo que mais pontual, muito importante na trama.

E como é a sua relação com religião?

Eu sou católica. Sempre brinco que eu faço um misto de várias religiões, tenho muita fé em Deus, mas eu acredito que todas as religiões têm coisas muito legais e outras que eu não concordo. Então, eu vou pegando o que serve para mim.

Pôncio Pilatos (Nicola Siri) e Claudia (Larissa Maciel). Foto: Blad Meneghel/Record TV

Você já se imaginou alguma vez fazendo uma novela sobre a história de Jesus?

Nunca tinha imaginado. É muito emocionante falar a história desse homem, que é um dos personagens históricos mais importantes da humanidade. É uma oportunidade muito legal, de levar essa mensagem de amor, a gente está vivendo numa época tão de extremos, de tanto radicalismo, de tanta incompreensão e falta de amor. Então, contar a história do homem que falou que gente devia amar o outro como a gente mesmo, acho que veio no momento certo.



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