Junno Andrade festeja editor “tudo pela notícia”, em Apocalipse

Ator conta ter cursado faculdade de jornalismo, mas trancado por falta de grana


  • 06 de fevereiro de 2018
Foto: Blad Meneghel


Por Luciana Marques

Até pouco tempo atrás, o ator Junno Andrade não sabia dizer porque chegou a cursar, ainda na juventude, em São Paulo, um ano da faculdade de jornalismo (FMU FIAM). Mas o seu mais novo personagem, o editor-chefe linha dura Arthur Pestana, de Apocalipse, está aí para lembrá-lo de que a experiência valeu à pena. “Agora vou usar um bocadinho”, diverte-se ele, namorado da apresentadora Xuxa Meneghel.

Comparado em foto com William Bonner, ele agradece e gargalha. Diz que lhe falta a “impostação maravilhosa de locutor”. Mas, se fosse escolher uma notícia, em meio a tantas tragédias na ficção, e também na vida real, ele escolheria uma em especial: “Que a gente conseguisse eleger uma pessoa honesta para dirigir o nosso País”.

Junno, que fez sucesso estrondoso como cantor nos anos 80, e também é compositor, tendo músicas gravadas por nomes como Fábio Jr., Wanessa e o grupo KLB, admite viver fase apaixonada pela atuação. “É uma profissão bastante difícil, mas vem acontecendo muito coisa legal para mim na área”, festeja. 

Em entrevista ao Portal ArteBlitz, ele fala também sobre a influência da religião em sua vida, da constante ponte-aérea São Paulo-Rio, e do processo "transcendental" pelo qual passou até tomar a decisão de tornar-se vegano. 

"Eu e a Cléo (Brandão), mãe do meu primeiro filho, Vinícius, fizemos vestibular de jornalismo juntos, passamos e entramos. Mas aí faltou grana e um dos dois tinha que parar. Fui eu! E com o pouco de dinheiro que sobrou, fiz um curso de teatro."

Como o editor Arthur Pestana. Foto: Munir Chatack/RecordTV

Como tem sido a repercussão do personagem?

Até esse momento da novela, ele tem tido poucas cenas. A partir do arrebatamento o ritmo vai aumentar, gosto do personagem, acho verdadeiro. Existem muitas pessoas ao nosso redor exatamente como ele, que usam o status da profissão para mostrar algum poder. O melhor feedback que tive foi ter postado uma cena, e pessoas que não acompanhavam a novela, acharem as noticías um absurdo, sem perceber que eram cenas. Ou seja.. Tô fazendo direitinho (risos)

Por que você trancou a faculdade de jornalismo?

Na época, estava sem grana. Tinha tido o meu primeiro filho, o Vinícius, com a Cléo Brandão. Nós fizemos vestibular juntos, passamos, mas um dos dois ia ter que parar. E como ela já estava na área, eu falei, vai você, eu paro. Aí sobrou uma graninha e eu fiz o curso de teatro da Célia Helena. Acabou que eu fui para o outro lado.

Não pensa em voltar para a faculdade de jornalismo?

Acho que não. Estou com 54 anos, vou me especializar no que eu estou fazendo, que já é difícil, atuar. Tem que estudar muito. Continuo compondo, e tem que namorar também. Não dá para fazer jornalismo nessa altura. Acho linda a profissão. Infelizmente, a arte está imitando a vida nesse momento, a gente está tendo que dar notícias terríveis, apocalípticas, de atrocidade, calamidade. E tem acontecido isso, infelizmente, na nossa realidade, todo o dia. Até estava pensando nos quatro cavaleiros do apocalipse, a Peste, a Guerra, a Fome e a Morte. Quem sabe a peste não seja a política, a guerra, o poder, diferença social, a fome, a consequência... Onde a gente vai parar se continuar assim? E o meu núcleo dá esse tipo de notícia, coisas terríveis.

"A partir do arrebatamento o ritmo vai aumentar, gosto do personagem, acho verdadeiro. Existem muitas pessoas ao nosso redor exatamente como ele, que usam o status da profissão para mostrar algum poder."

Quando você começou a gravar, teve gente que comparou você com o William Bonner. O que achou?

No início das gravações, postei uma foto cortando o cabelo, e escrevi, Arthur Pestana, jornalista. E umas pessoas disseram, nossa, está a cara do William Bonner. Até a Xuxa me achou parecido na foto com ele. Gravando, também brincaram. Mas foi coincidência. Lógico que ele é uma inspiração, assim como o Celso Freitas, tem a referência de sempre do Cid Moreira. Só não tenho aquela impostação de voz maravilhosa de locutor (risos). Faço um trabalho de fono para dar uma colocada na voz, falo mais anasalado. Mas está muito bom fazer, meu núcleo é muito bacana, tem um pouco do cômico no meio.

Com a namorada, Xuxa. Foto: Arquivo Pessoal

No núcleo do seu personagem Capitão Loretto, em Escrava Mãe, tinha humor. Por que acha que te escolhem para esse tipo de papel, sente ter essa veia cômica também?

O meu gênio é assim, o meu perfil, acabo brincando com os meus problemas, rindo de mim mesmo. Sempre levei a vida assim. Tenho um problema, vou rir dele, como tenho muitos, acabo rindo bastante (risos). Também acho que é uma coincidência. O Arthur não tem muito essa veia cômica, mas eu acabo virando escada para outros personagens. E isso é maravilhoso.

Recentemente, você cobriu os bastidores de Power Couple e de A Casa, como repórter para o online. É algo que pensa fazer mais?

Então, essa experiencia me deu uma cancha muito grande. Você está ali, na frente da câmera, falando. Mais parecido com o que o âncora faz, do que com o ator. O âncora fala para quem está em casa. Me deu uma mobilidade, com essa coisa de falar, fiquei mais verborrágico.

É a sua primeira novela bíblica. Qual a sua relação com religião?

Cresci numa família onde pude exercitar todo o tipo de experiência religiosa. Minha avó paterna, Dona Orminda, era da Igreja do Evangelho Quadrangular, morei com ela, vi muito de perto sua fé e tinha minha bíblia de bolso (risos). Meu pai quase foi pastor, depois desencanou. A minha mãe é espírita, segue o Evangelho Segundo Allan Kardec. Minha avó materna, Dona Maria, era católica, assim como meus padrinhos José Zangari (falecido) e tia Dirce, com direito a missa e hóstia. Enfim, sou uma mistura de tudo isso, e com muita simpatia ao Budismo. Já meditei muito fazendo Nam-myoho-renge-kyo.

"Postei uma foto cortando o cabelo no início das gravações, e as pessoas me acharam parecido com o Bonner, até a Xu falou. Só falta aquela impostaçao de voz maravilhosa dele, do Celso Freitas, do Cid Moreira... (risos)."

Há predileção mais por atuar ou cantar?

Eu estou muito apaixonado pela atuação. Sou novo nesta área, tenho 10 anos de carreira. Estou na minha sexta novela, fiz séries, um protagonista de um musical (O Grande Reciclador), vem acontecendo bastante coisa legal para mim. É uma profissão muito difícil, quem acha que é fácil, não é.

Mas a música também não sai nunca da sua vida, não é?

Não tem como ficar longe. Não tenho conseguido compor muito ultimamente, por conta de todos esses compromissos. Mas não me falta inspiração, porque eu tenho uma mulher maravilhosa do meu lado, uma filha que só me dá orgulho. Sou vovô agora, do Theo, filho do Vinícius. Estou num momento muito bacana da minha vida, estou feliz!

Com a Harley-Davidson, uma de suas paixões. Foto: Blad Meneghel

E como é viver praticamente toda a semana nessa ponte aérea Rio-São Paulo, meio cigano?

Nada é por acaso. Sempre usei esse termo que você falou. Que eu era filho de cigano, porque meu pai, Ary, mudava demais. É o meu nome, me chamo Ary Júnior. A cada seis meses, ele mudava. Quando morreu, ele estava vivendo numa cidade chamada Vespasiano, em Minas Gerais. Se tinha um negócio, ele ia lá, abria. Um cara, assim, cigano, tinha isso no sangue. Então, não me prendo. Não tenho o menor problema em me locomover. E o meu namoro com a Xu, assim, morando em cidades diferentes, acho super saudável, a gente vive com saudade. A gente se vira bem. Além da ponte aérea, eu vou de carro, de moto, do jeito que dá. Uma vez já fiz esse bate e volta, três vezes na semana...

"Já não comia carne há 9 anos, depois da experiência com um chá conhecido como Ayahuasca, quando voltei do que vou chamar de 'transe'. Agora, após ver novamente o filme Terráqueos, não podia mais compactuar com qualquer tipo de sofrimento animal."

Há pouco tempo, você anunciou ter se tornado vegano junto com a Xuxa. Como foi a decisão?

Já não comia carne há 9 anos, depois de ter tido uma experiência com um chá conhecido como Ayahuasca. Quando voltei do que vou chamar de 'transe', ou 'viagem', ou seja lá o que for, alguns chamam de 'expansão da consciência', o que pode ser verdade. Depois do meu contato imaginário ou transcendental com alguns bichos, inclusive um muito impactante com uma vaca, e na sequência ter visto o vídeo no youtube chamado Terráqueos, parei desde então de comer carne vermelha. Na época também deixei de comer frango. Até que por esses dias, 9 anos depois, por ver que a Xu estava com uma tremenda intolêrancia até a peixe e produtos sem lactose, achei por bem mostrar para ela esse vídeo e aproveitei para revê-lo. Foi fundamental para essa decisão! A consciência pesou e ficou claro que não poderíamos continuar compactuando com o sofrimento animal, levando sangue, dor e sofrimento para o nosso prato, fora a questão da saúde. A Xuxa é naturalista desde sempre, e nela tudo tem um efeito dobrado, acho que os hormônios e remédios colocados nesses animais abatidos, no corpo dela gritavam. Ela comia peixe ou queijo e ficava até com os olhos inchados. Enfim, estamos livres dessa culpa, que só sente quem toma conhecimento, só quem está disposto a saber a 'verdadeira verdade'!

PS: Ao fim do bate-papo, nós desafiamos Junno Andrade a encarnar o editor “tudo pela notícia” Arthur Pestana e gravar uma entrevista com a Xuxa. Será que ele topou? Aguarde!

 



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