Fernanda Rodrigues: “Atriz sempre fui, faltava uma boa oportunidade”

Ela conta como saiu da zona de conforto para trilhar novos caminhos na carreira


  • 17 de abril de 2018
Foto: Globo/César Alves


Por Luciana Marques

O Brasil que acompanhou Fernanda Rodrigues praticamente crescer na televisão – desde os 3 anos, ela fazia clipes e comercias, e aos 11, estreava na novela Vamp – talvez tenha se surpreeendido ao vê-la vivendo a malvada Fabiana, de O Outro Lado do Paraíso, de uma empáfia e arrogância extremas. O fato é que Fernanda mandou tão bem, que todos adoraram “odiá-la”.

E o que era para ser apenas uma participação no início da trama de Walcyr Carrasco, ganhou mais destaque, com a personagem reaparecendo nessa reta final para, junto do vilão Renato (Rafael Cardoso), para atazanar a vida de Clara (Bianca Bin). “Eu acho que veio essa personagem veio no momento certo, mas não tinha tido essa oportunidade antes. Atriz sempre fui, mas faltava essa oportunidade...”, reitera Fernanda, mãe de Luiza, de 8 anos, e Bento, de 2, do casamento com o diretor Raoni Carneiro.

E agora que ela agarrou a oportunidade, quem mais vai segurar Fernandinha?

Fabiana (Fernanda Rodrigues). Foto: Globo/Raquel Cunha

Você fez uma participação como a Fabiana e agora voltou para a novela. Como está sendo isso?

Quando fui convidada, ficou acertado que ela era uma participação de 10 capítulos. Para isso, adiantei a sétima temporada do Fazendo a Festa, fiz uma organização com o GNT para poder gravar esses capítulos e continuar fazendo o programa. Era apenas uma participação, porque ela tinha uma função na história, que era mostrar o lugar em que a Clara (Bianca Bin) iria pegar os quadros, ficar rica e seguir a vida dela. Na minha cabeça não tinha esse retorno. Mas foi um sucesso, as pessoas adoraram, e fui convidada a voltar. É muito bacana quando você faz uma coisa sem expectativa de continuar e aquilo dá tão certo que as pessoas pedem para você continuar. Fiquei super feliz e emocionadíssima quando o Walcyr me ligou. Achei o máximo esse sucesso a ponto de o autor querer te colocar de novo.

A Fabiana é um ser bem terrível, não é?

Acho que foi esse o motivo de ser um sucesso tão grande. A pessoas me viram num registro tão diferente do que estão acostumadas a me ver, que isso, ao invés de causar estranhamento, causou nas pessoas uma alegria de me ver fazendo algo diferente. Creio que isso tenha sido determinante para o sucesso da personagem. O ator vive disso, dos desafios da profissão.

E o encontro dos vilões Fabiana e Renato. Como está sendo essa parceria com Rafael Cardoso?

Está sendo bem legal. O Rafael e eu queríamos que esse casal tivesse uma liga, uma química grande. E as pessoas acreditarem que eles são de fato um casal, mesmo sendo vilões. Trabalhamos e ensaiamos muito isso. O Rafael foi muito generoso, afinal, o resto do elenco está em clima de reta final de novela, e eu entrei agora com todo o gás como se a trama tivesse começado ontem. Não posso falar muita coisa, mas acredito que esse casal tem tesão no poder, são pessoas muito interessadas no dinheiro, e isso motiva um pouco a paixão que eles sentem, e faz com que tenham química. É aquela coisa de quando o mal se atrai, e aqui ele se atraiu. E esses dois viram que juntos, o poder deles duplica, ou seja, é uma dupla difícil de lidar. Coitadinha da Clara (risos).

A atriz com o marido, Raoni Carneiro, e os filhos Luiza e Bento. Foto: Reprodução Instagram

O casal, então, vai durar?

Sim. “Fabinato” amor, agora vai que vai (risos).

Parece que a Fabiana não vai conseguir sair bem desse processo, não é?

Será que ela vai morrer a tesouradas? (risos) Na rua já estão me falando: ‘Olha a tesourada, hein’. É isso!
O que você deseja para a Fabiana?

Como atriz, desejo muitas cenas boas como as que já estão acontecendo, para que eu possa brincar e experimentar coisas novas, criar e jogar, afinal, a interpretação é isso, o jogo. Como telespectadora, espero que ela se dê mal, porque realmente é uma cobra. Ela não presta, internou a avó, o que já foi uma grande maldade, e vai fazer um monte de coisa para atazanar a vida da Clara. Então, para mim, ela não merece um final feliz, mas se tiver, vai ser legal também.

Tem alguma ideia de um final para ela na trama?

Admiro muito o Walcyr e o acho surpreendente. Ele é gênio pela maneira como faz as viradas, mas não faço a menor ideia do que ele vai fazer. Mas Fabinato vai junto até o final, até porque se encontraram no poder, e eles são muito discrepantes do Clarick (risos).

Como estão seus filhos?

Estão ótimos! Estou me dividindo em mil para estar na vida deles, porque tento ser muito presente para os meus filhos e estou me desdobrando, fazendo aqui, a próxima temporada do Fazendo a Festa, escrevendo meu livro, fora o filme da peça Tô Grávida. E está dando tudo certo.

Clara (Bianca Bin) e Fabiana (Fernanda Rodrigues). Foto: Globo/Raquel Cunha


Você começou como atriz e se tornou comunicadora. Acha que sendo mãe, esse programa chegou no momento certo para você?

Com certeza! O fato de eu gostar desse universo de festas infantis é uma realidade que vivo. A vida social dos meus filhos é muito ativa. As crianças hoje em dia têm muitas festas de aniversário, então realmente frequento, e acredito que esse programa tenha sido um presente. Muita gente acha que é um projeto meu. Mas eu fiz teste para poder apresentar. Me lembro que no dia do teste falei: ‘Esse programa é meu, é a minha cara’. Muito do sucesso dele é pelo fato de eu me envolver nas histórias, me divirto com os pedidos e me emociono. Fazendo a Festa é uma alegria imensa, e quero que tenha uma vida longa, e apesar de estarmos na sétima temporada, sinto que ele tem muito fôlego. Quero ficar velhinha e apresentando esse programa.

A sua filha sempre que aparece no programa é uma atração. Você acha que ela vai seguir essa carreira?

A Luiza é uma estrela, né? Todo mundo me fala isso. Ela adora visitar o programa. Pergunta, às vezes: ‘Posso fazer a sua luz?’. A diretora pede para ela falar algo e ela fala, é natural dela. O episódio que ela apresentou foi o mais visto do Now, ou seja, já posso me aposentar gente (risos). No início, não a impedia de ir às gravações, mas não ficava botando pilha também. Mas fui percebendo que ela ama. Participamos do Tamanho Família, que vai ao ar nessa temporada, foi a minha família contra a do Thiago Fragoso. E a Luzia declamou um monólogo tipo: ‘Hoje vou contar a história da Fernanda Rodrigues’. Chorei tanto que parecia que tinha sido espancada. O Brasil vai ver que eu choro feio (risos).

Você começou cedo numa época diferente da dela...

Comecei cedo mas não tinha nenhum artista na minha família. Então, era um instinto e fui aprendendo na prática. Ela me vê fazendo, vê o pai dirigindo, então parece que ela já nasceu pronta. Ela entende o tempo, a marcação, a luz, coisa que eu não tinha noção e fui aprendendo, e ela parece que já sabe.

No progama Fazendo a Festa, do GNT. Foto: Reprodução Instagram

Você parece ter se encontrado na maternidade. Tem o blog (Cheguei ao mundo), e agora vai lançar um livro...

Vou. Quando tive a Luiza, me deram a ideia de escrever um livro para falar sobre o assunto e achei meio pretensioso, resolvi fazer um blog. É mais fácil, e não era para dizer aos outros o que fazer ou não, era só para contar a minha experiência. Muitas mães trocaram experiências comigo nesses 4 anos de blog, e agora me senti mais pronta como mãe, e com mais maturidade para escrever um livro. A intenção do livro é dividir minhas experiências, e não dar lição, porque maternidade é única, uma viagem que cada mãe faz a sua. O que puder ajudar, ficarei feliz porque estou fazendo tudo com muito amor. Sou uma mãe diferente do Bento da que fui da Luzia, não tenho a mesma idade, o mesmo corpo. A primeira gravidez é muito insegura, e a segunda já tirei tudo de letra. Falei a vida inteira que queria ser mãe, e tenho vários recortes de revista em que falava isso, fui até na terapeuta para me desvencilhar disso. Porque só falava sobre isso, a Fernanda atriz, amiga, esposa acabou foi apagada pela Fernanda mãe. Mas, passou.

Você acha que a Fabiana chegou no momento exato para você?

Eu acho que veio no momento certo, mas não tinha tido essa oportunidade antes. Atriz sempre fui, mas faltava essa oportunidade. Em Negócio da China, era uma vilã que lutava contra a Bruna Marquezine, fiz registros diferentes da minha personalidade. Mas nunca ninguém tinha apostado em mim para essa grande discrepância. Acho importante falar que no Brasil existe muito preconceito em relação aos atores, do tipo, a bonita sempre faz a bonita, a que tem cara de rica sempre faz a rica. Já cheguei a pedir para fazer a gostosa, me olharam meio torto, mas eu disse: ‘Eu fico gostosa’, afinal, sou atriz. Em O Profeta, que eu interpretei a Gisele, era um papel de comédia e as pessoas diziam: ‘Ela não é comediante’. E eu falava: ‘Mas sou atriz, me deixa que vou fazer bem’, e foi o máximo. Ser atriz é se desafiar, e a boa oportunidade de fazer a vilã veio agora. Tem a ver com a maturidade de me sentir mais confortável em relação à idade, bagagem de vida, mas tem também uma chance que me deram.

Fabiana (Fernanda Rodrigues). Foto: Globo/Raquel Cunha


Nessa trajetória, teve algum momento de crise?

Não sei se chegou a ser crise, mas tiveram momentos mais difíceis, que chegaram muitas pessoas da minha geração, e fiquei um pouco perdida. Tentava escapar da internet e dessa coisa de glamour, comecei a pensar que poderia ter me rendido um pouco mais, mas depois surgiu o programa que me ajudou muito. E também a peça que fiz (Tô Grávida!) e se tornou um sucesso. E foi essa bagagem que me ajudou a voltar alguns anos depois já fora da minha zona de conforto, porque era uma zona de conforto para mim, estar ali fazendo novela todo ano uma atrás da outra.


Você disse que se encontrou como apresentadora, e agora voltou às suas raízes. Vai tentar fazer as duas coisas?

Vou tentar seguir fazendo os dois. E realmente estou voltando às raízes. Quando cheguei aqui na Globo no meu primeiro dia de gravação, parecia que estava voltando para minha casa, Go Home, parecia o E.T. (risos). Eu pensei: ‘Olha, isso aqui, sei fazer’. Gosto de fazer o que faço, me sinto em casa e amo, e me encontrei apresentando. Se eu conseguir conciliar as duas coisas vai ser lindo. A estrutura que tenho no GNT me permite isso. E enquanto puder, vou fazer.

Como é o carinho das pessoas nas ruas?

 

As pessoas me viram crescer e têm uma intimidade comigo, uma relação de família. Chegam para mim e dizem:’Oh, como você está? Como está sua filha?’. Acho muito legal porque realmente elas viram várias fases da minha vida. É um crescimento que gera uma comoção entre as pessoas, mas com a Fabiana a raivinha está ali. Já estou começando a sentir um sentimento de rejeição a ela. Quero dizer que não sou eu gente, sou legal. Falam: ‘Como que pode eu te amar tanto no GNT, e te odiar na Globo?’. Isso é muito legal, a empatia está na torcida das pessoas de me verem crescer profissionalmente. É uma alegria imensa.



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