Cynthia Senek festeja série e fase nos EUA. “Saí da zona de conforto”

Atriz ressalta importância da trama de ficção científica retratar temas tão atuais


  • 27 de junho de 2018
Foto: Sergio Shot


Por Luciana Marques

Com 26 anos e 15 de carreira, Cynthia Senek vive um momento para lá de especial na profissão. A paranaense vive a Glória, uma das protagonistas da elogiada série 3% da Netflix. “Retrata a atual realidade do nosso país, contada nas entrelinhas. E ao mesmo tempo é cheia de representatividade, com personagens transsexuais e deficientes. Amo essa série”, festeja ela, que por duas temporadas viveu a divertida Krica, de Malhação, em 2015 e 2016.

Assim como a Glória da trama de ficção científica, Cynthia define-se como uma mulher forte, que luta pelos sonhos. E também ficar na zona de conforto não tem nada a ver com ela. Tanto que a atriz resolveu, de uma hora para outra, viver um período em Nova York para estudar inglês. Passou por perrengues, mas levou muita coisa na esportiva. Sobre uma possível carreira lá fora, diz que o foco no momento é o Brasil, mas “deixa sempre tudo na mão do universo”.

A Glória, da série 3%, da Netflix. Foto: Divulgação

O que mais instiga você em sua participação na série 3%? 

Essa série mexe comigo de uma maneira intrigante. Fala sobre doutrinação ideológica, racismo, empoderamento feminino, alienação religiosa, aliança entre milícia e governo, suicídio, golpe de estado, ricos x pobres, a dominação da sociedade por conta da tecnologia e religião. A série retrata a atual realidade do nosso país, contada nas entrelinhas. E ao mesmo tempo cheia de representatividade com personagens transsexuais e deficientes. Eu amo essa série! 

Você tem alguma semelhança com a Glória?

Tenho na força de vontade. Na vontade de realizar os sonhos. A Glória é uma mulher muito forte. Não existe nada que possa mudar seu foco. Guerreira e decidida, essa personagem vem pra representar também nosso atual momento, as mulheres estão muito mais empoderadas. 

Você sempre curtiu esse tipo de produção mais na linha da ficção científica, o que acha mais interessante?

Eu sempre achei incrível. Inclusive eu era fã da série antes mesmo de saber que um dia atuaria nela. Eu sou apaixonada por séries que trazem mensagens por trás de sua dramaturgia, que dizem através da entrelinhas o que o espectador não quer ver. Existem várias séries na Netflix com esse mesmo perfil, e eu sou fã número 1 delas. As que mais me identifico são 3% , SENSE 8, Dark, Black Mirror, Travelers e The OA.

Foto: Sergio Shot

Acha que o Brasil já está produzindo bem esse tipo de trama?

Nossa primeira temporada veio como uma espécie de 'teste', afinal, 3% foi a primeira produção da Netflix no Brasil. Acredito que nem a Netflix contava com o tamanho do sucesso que a série fez no cenário internacional. Para a segunda temporada o investimento voltou pesado e tudo foi milimetricamente pensado para obtermos outro sucesso e tivemos. Com apenas semanas de lançamento, 3%  já estava em alta em vários países como Estados Unidos, Japão, México e França. 

Por que a decisão de morar em Nova York?

Eu tinha uma folga entre um trabalho e outro, e aí pensei: 'O que eu poderia fazer para não desperdiçar esse meu tempo livre?' E aí veio a grande ideia de estudar inglês, que era uma vontade que eu tinha há muito tempo. Em dias eu já tinha arrumado casa, escola e visto as passagens. Quando decido alguma coisa, eu vou até o fim. E foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida, eu amo sair da minha zona de conforto. 

O que você tem feito em NY, cursos, sonha com carreira aí fora?

Eu fui somente para estudar Inglês. Estudava o dia todo. Foi muito especial ficar imersa em uma cultura tão diferente da minha por todo esse tempo. A carreira internacional eu acredito que pode ser resultado de um bom desempenho aqui no Brasil, e é nele que está todo o meu foco no momento.

Foto: Sergio Shot

Você teve algum tipo de dificuldade quando foi morar nos EUA?

Sim, tive muitas. Afinal, eu cheguei no país sem saber falar absolutamente nada do idioma. Então, para me comunicar muitas vezes tinha que fazer mímica. Mas eu sou uma pessoa bem humorada e todas essas situações acabavam me rendendo bastantes histórias e muitos vídeos postados em meu Instagram. 

E o que mais aprendeu nessa fase de sua vida?

Eu aprendi tanta coisa. Estar longe da minha cultura, aprendendo um novo idioma, me tornou mais curiosa. Conhecer lugares e pessoas de todas as partes do mundo me tornou mais compreensiva. Eu acredito que o que mais mexeu comigo foi ter saído da minha zona de conforto. Foi maravilhoso!

Você já tem 15 anos de carreira, como vê essa sua caminhada nas artes, porque não é fácil se manter numa carreira nada estável, né?

Não é mesmo. Mas quando você confia na sua missão, tudo fica muito mais fácil. Eu sou uma pessoa que não gosta de planejar muitas coisas, sabe? Pois quando criamos expectativas deixamos de viver coisas tão maravilhosas quanto o que projetamos. Eu deixo sempre tudo na mão do universo e ele acaba me dando experiências muito melhores do que poderia ter imaginado.



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