Claudia Souto, autora de Pega Pega, fala do sucesso.

“O acerto foi fazer história humana. Tenho o elenco dos sonhos!


  • 27 de dezembro de 2017
Foto: Globo/Mauricio Fidalgo


Por Claudia Dias

O que transforma uma novela em um sucesso? Uma boa trama, doses de suspense, boas pitadas de humor e, é claro, muito romance. Neste sentido, e com uma novela com tudo a que tem direito, Claudia Souto, a autora de Pega Pega, que entrou na sua reta final, vem exalando felicidade. Sua primeira trama solo tem seus índices de audiência em curva ascendente e já registrou a maior média do horário desde Cheias de Charme, exibida em 2012.

A novela tem tudo o que falamos no início da matéria, e um pouco mais. A história, que começou com um roubo onde todos já sabiam quem eram os culpados, agora gira em torno do acidente da primeira mulher de Eric (Mateus Solano). E haja suspense! O ArteBlitz conversa com a autora para saber quais as suas expectativas com o final da novela e o podemos esperar do último capítulo. 

Os "ladrões" Agnaldo, Malgueta, Sandra Helena e Júlio. Foto: Globo/Marília Cabral

Pega Pega começou despretensiosa, mas hoje já é a maior audiência das 19h desde 2012. A que atribui esse sucesso?

Primeiro, a um encontro muito feliz de vários talentos: texto, direção, elenco e produção. Esses encontros, onde tudo flui e tudo dá certo numa obra que conta com dezenas de profissionais e artistas é rara, e aconteceu conosco. Em segundo lugar, justamente por ser uma novela despretensiosa e apaixonada pelo próprio gênero. Uma novela que gosta de ser novela. Que não reinventa a roda mas que, ao mesmo tempo, contou uma história totalmente original.

"Me interessei em falar sobre ética e a relação das pessoas com o dinheiro.  Só não esperava que tudo tomasse essa proporção vertiginosa na vida real, com escândalos cada vez maiores."

Em que se inspirou para criar a trama?

Eu entreguei a sinopse de Pega Pega em 2012. Naquela época, não tínhamos a Operação Lava Jato, mas já tínhamos o Escândalo do Mensalão. Ou seja, a corrupção e as falcatruas, que fazem parte da história do país desde o descobrimento - sempre por debaixo dos panos - enfim, começavam a ganhar luz e discussão. Me interessei em falar sobre ética e a relação das pessoas com o dinheiro. Mas não dos homens do poder, e sim, da população. Só não esperava que tudo tomasse essa proporção vertiginosa na vida real, com escândalos cada vez maiores. A novela, então, se tornou mais pertinente ainda em 2017.

Nelito, Pedrinho e Luiza, no Carioca Palace. Foto: Globo/João Miguel Júnior

A trama começou com a história de um roubo, onde o público já sabia quem eram os ladrões. Acha que o anti-suspense funcionou?

Alfred Hitchcock dizia que, em suspense, os personagens sabem quem é o criminoso e o público não, ou o público sabe quem é o criminoso e os personagens não. Eu optei por contar a história com a segunda opção, trazer o público como cúmplice meu e dos ladrões, e deixando os outros personagens no escuro. E funcionou!

"Mudei a opção por não guardar para o último capítulo o 'quem matou Mirella'. A surpresa do último capítulo vai ficar, então, para 'qual será a punição de cada um dos criminosos? E se eles serão realmente punidos'."

Agora, voltamos ao clássico "quem fez", falando sobre a morte de Mirella. Isso já estava previsto, ou você mudou alguma coisa?

Estava previsto, sim. Para satisfazer a primeira opção do "só os criminosos sabem e o público não". Assim, eu sabia que tinha dois crimes em que podia brincar com os dois registros do suspense.

Os conflitos de Bebeth com o pai, Eric. Foto: Globo/Raquel Cunha

Você mudou alguma coisa no meio da novela?

Mudei: a opção por não guardar para o último capítulo o 'quem matou Mirella', que está sendo revelado aos poucos. A surpresa do último capítulo vai ficar, então, para 'qual será a punição de cada um dos criminosos? E se eles serão realmente punidos'. Porque temos os quatro ladrões, as pessoas que mataram Mirella, e a adoção criminosa do Dom. Só no último capítulo saberemos se o crime compensa.

"Escrever novela é um trabalho bastante solitário, de decisões que tem que ser tomadas rápido por você. Eu 'sou' todos os personagens. Choro, xingo, rio enquanto escrevo. É trabalho de imersão total."

Pensou em mudar alguma outra trama?

Não. Todas as outras tramas fluíram deliciosamente e não precisei fazer ajustes na novela. Apenas deixar que os personagens contassem suas histórias.

O que considera um grande acerto e um grande erro deste trabalho?

O grande acerto foi fazer uma história humana. Os personagens não são totalmente bons ou totalmente maus. Todos amam, mentem, erram e querem que suas vidas dêem certo. O público se identificou com isso. O grande erro? Me apaixonar tanto pelos personagens e pelo Carioca Palace que vai ser difícil desapegar.

Alguém te surpreendeu positivamente no elenco?

Eu tenho um elenco dos sonhos! Todos brilharam. A prova disso é que nenhuma trama foi rejeitada. O que foi bem trabalhoso, porque tive que contar todas as histórias, nenhuma ficou pelo caminho, nem diminuiu. Mas que é muito prazeroso também. Bom demais. Não dá para apontar um ou outro.

O brinde dos personagens Pedrinho e Arlete. Foto: Globo/Marilia Cabral

Como é a sua rotina para escrever?

Sem rotina. Eu e os autores-colaboradores escrevemos direto. Quando não escrevo, troco ideias. Mas, na verdade, é um trabalho bastante solitário, de decisões que tem que ser tomadas muito rápido por você. Eu 'sou' todos os personagens. Choro, xingo, rio muito enquanto escrevo. É um trabalho de imersão total.

Já pensa em novos trabalhos ou pretende tirar férias?

Já tenho uma nova ideia, sim. Mas, antes de desenvolvê-la, vou tirar umas boas férias.



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