Bruno Cabrerizo: “Larguei futebol por ansiedade. Vivo o presente”

Sucesso em Tempo de Amar, ator não sabe se continuará trabalhando no Brasil


  • 15 de março de 2018
Foto: Globo/João Miguel Junior


Por Redação

Com charme e aqueles olhos verdes impactantes, Bruno Cabrerizo, de 38 anos, surgiu como uma aposta do diretor Jayme Monjardim para viver o protagonista Inácio, de Tempo de Amar. E o que se constata hoje, na reta final da trama das 6, é que ele passou com louvor no teste.

Para o carioca que chegou a ser jogador de futebol profissional e estava radicado há quase 15 anos na Europa, a oportunidade era rara. “Às vezes, o trem passa uma única vez na vida, né? Tive que subir, mesmo com o custo de estar longe de meus  dois maiores amores, que são os meus filhos”, ressalta ele, referindo-se a Gaia, de 7 anos, e Elia, de 4.

Indagado se agora pode se mudar de vez ao Brasil, ele diz ainda não saber, até porque sua vida está toda na Europa. E também ressalta que trazer os filhos para o país seria um pouco de egoísmo, até porque tem toda essa questão da falta de segurança no Rio.

Já sobre a pergunta que todos estão se fazendo, com quem Maria Vitória (Vitória Strada) deve ficar, com Vicente (Bruno Ferrari) ou Inácio, Cabrerizo dá o seu ponto de vista. “Falando como Bruno Cabrerizo, ele não julga, executa... E como Inácio, claro que ele quer ficar com Maria Vitória, óbvio”, diz. Agora é esperar pelo último capítulo da trama, na próxima segunda, dia 19.

Foto: Globo/Rafael Campos

Depois de fazer muitos trabalhos importantes na Europa, você veio para o Brasil e estreou em novelas aqui em Tempo de Amar. Alguns colegas como Tony Ramos elogiaram seu trabalho, como está sendo essa experiência para você?

Comecei minha formação na Itália, depois fui para Portugal. E lá me deu visibilidade para chegar até aqui, foi onde o Jayme Monjardim me descobriu. Para mim está sendo muito bom, foi um desafio. Uma aposta de todos, primeiro do Jayme, que brigou para ter, não só a mim, mas a Vitória Strada também, dois estreantes em novelas no Brasil. A casa comprou a ideia, e eu acho, na minha humilde opinião, que foi uma aposta ganha, para todos. A novela funcionou desde o início, estamos muito bem na audiência. E eu agradeço ao Tony que é um querido, e não posso deixar de elogiá-lo também. Ele é uma pessoa realmente incrível, um dos atores top de linha da Globo, com a história que tem, é a televisão praticamente. Não só ele, a Regina Duarte, a Nívea Maria... No nosso elenco, os mais velhos receberam os mais novos muito bem, e eu acredito que o sucesso da nossa novela tem a ver com isso, com essa sinergia também.

E nesse final ninguém sabe ainda com quem Maria Vitória vai ficar. Como tem sentido nas ruas essa repercussão e sobre a sua torcida, nem precisa pergunar, não é?

Falando como Bruno Cabrerizo, ele não julga, executa. E como Inácio, claro que Inácio quer ficar com Maria Vitória, óbvio. Seria loucura dizer o contrário, mas vamos ver o que vai acontecer… Estamos na reta final e ele continua lutando pela Maria Vitória, que é o grande amor da vida dele.

“Às vezes, o trem passa uma única vez na vida, né? Quando houve o convite para a novela, tive que subir, mesmo com o custo de estar longe de meus dois maiores amores, que são os meus filhos.”

E o inusitado é que os dois são mocinhos, não é?

Normal, os dois personagens são apaixonados pela mesma pessoa. Claro que histórias aconteceram, as coisas mudaram durante o percurso de ambas as vidas, e isso causa certas consequências. Volto a repetir, eu espero que Inácio fique com a Maria Vitória, mas o que mais importa nisso tudo é uma boa relação entre os dois, porque existe um elo eterno que é a filha deles, Mariana. E o que mais me dá prazer hoje, nessa reta final, é conseguir fazer as cenas com o bebê, porque é uma criança. E eu sou pai de dois filhos e tenho uma boa relação com a minha ex-mulher. Então, independentemente se ficarem juntos ou não, que mantenham sempre uma boa relação por causa da filha.

Com os filhos Elia e Gaia. Foto: Reprodução Instagram

E com o sucesso da trama, como está o assédio, consegue ir tranquilo ao shopping?

Eu passeio pouco, na verdade, estou sem tempo. E quando tenho tempo livre, fico em casa. O máximo que faço é ir à praia. Depois volto para estudar. Não tenho tido muito tempo para curtir, mas o assédio tem sido normal. A novela está bombando, as pessoas gostam, as senhoras principalmente. Elas gostam bastante e falam bem do Inácio, e esperam que ele fique com a Maria Vitória.

Você tem uma carreira construída na Europa. A sua ideia agora é continuar no Brasil depois da novela?

Estou deixando acontecer. É óbvio que chegam propostas. Algumas eu até neguei, por enquanto, eu ainda tenho que conversar com a Globo para entender qual é o projeto deles de carreira para mim. Enquanto isso eu tenho coisas em Portugal me aguardando. Então, uma coisa depende da outra, se uma não engatilhar, engatilha outra. Não sei responder isso agora, claro que eu vou ficar onde eu tiver trabalho, sem dúvidaa.

"Tony Ramos é incrível, ator top de linha da Globo, é a televisão praticamente. Não só ele, a Regina Duarte, a Nívea Maria... No nosso elenco, os mais velhos receberam os novos muito bem, e eu acredito que o sucesso da novela tem a ver também com essa sinergia."

Você veio para o Brasil especificamente para este trabalho?

Sim! Eu não vim para o Brasil simplesmente porque eu queria voltar paro o meu país de origem, eu vim porque era uma excelente oportunidade, trabalhar como protagonista, numa primeira novela minha, dentro da Globo. O trem passa uma vez só na vida, às vezes, né? Então, eu tinha que subir, mesmo com o custo de estar longe dos meus filhos, e eles são as duas coisas mais importante da minha vida. Mas eu decidi vir para cá por causa deles. Pode parecer estranho, mas é verdade! Porque é o futuro deles. Comecei na Itália, trabalhei em Portugal, e agora eu estou aqui. Quanto mais mercado eu tiver, mais possibilidades de dar um futuro melhor para eles eu vou ter.

Se imaginava voltando ao Brasil aos 38 anos e como protagonista de uma novela?

Nunca imaginei! Sendo bem sincero, nunca me imaginei voltando para o Brasil, para trabalhar na Globo. Sempre vivi o presente. Era jogador de futebol até os meus 23, 24 anos. E um dos motivos de ter parado de jogar, era a minha ansiedade de ficar pensando no futuro. Quando você pensa no futuro, esquece de pensar no presente, e você só chega no futuro se você fizer bem o presente. Às vezes, nós somos muitos contraditórios. Então, larguei o esporte por causa disso. Quando entrei no mundo artístico trouxe todo o meu aprendizado, a minha vivência do esporte. E percebi que não vale a pena ficar pensando o que eu vou fazer daqui um mês ou uma semana... Vivo o presente, trabalho, depois as coisas vão acontecendo. Nunca imaginei que estaria aqui hoje, e não é hipocrisia, juro! Porque eu sempre trabalhei lá depois que os meus filhos nasceram. Na verdade, minha vida ainda é muito voltada para a Europa, tudo que eu faço é em função dos meus filhos. Acabando aqui, a primeira coisa que vou fazer é voltar para ver os meus filhos. De repente, as coisas foram acontecendo, da Itália para Portugal e, de repente, chegou a chamada do Brasil. E tive que entender, metabolizar aquilo, pesar, botar na balança, claro, e decidi vir.

"Ainda tenho minhas crises de ansiedade, quanto ao futuro, aquelas coisas. Mas aí penso no que já vivi, e passa. E o bom de chegar na Globo com 38 anos e uns fios brancos é que não tenho mais a cabeça que tinha aos 18, 20. Hoje tenho consciência das coisas."

Como lida com essa ansiedade hoje?

Eu ainda tenho minhas crises de ansiedade, o futuro, aquelas coisas. Mas aí penso no que já vivi, e passa. E o bom de chegar na Globo com 38 anos e uns fios brancos é que eu não tenho mais a cabeça que tinha aos 18, 20. Quando saí do Brasil, com 24 anos, completamente inconsequente, meio que fugido, então, eu tenho uma maturidade hoje, uma consciência para lidar com certas coisas. Inclusive, a possível falta de trabalho, ou a fama, ou o assédio, ou tudo que vem junto com o nosso trabalho.

Com a parceira de cena Vitória Strada. Foto: Globo/João Miguel Junior

Então, não foi o esporte que levou você para a Europa?

Não foi o esporte. Na verdade, eu estava parando de jogar aqui. E para não parar de jogar aqui, como eu tenho passaporte italiano, fui pra lá. Fui tentar as últimas cartadas, mas passados dois anos, desisti de vez.

E acabou descobrindo a arte na Europa?

Sempre gostei, já namorei atrizes. Minha avó era uma atriz circense, eu frequentava muito esse ambiente. Mas como eu enveredei para o lado esportivo, fui indo, me tornei jogador profissional, realizei um sonho. Mas quando vi que não dava mais, talvez pela minha ansiedade, talvez não, com certeza (risos), decidi parar. Mas foi a melhor coisa que fiz, dentro dos meus erros. Há males que vem para o bem.

Como sente o assédio das mulheres no Brasil, são mais ousadas do que na Europa?

Pessoalmente não são muito assim não, elas pedem fotos mas não são muito ousadas. Na internet são mais, as pessoas se protegem um pouquinho pelo fato de ter só um teclado na frente. E tem assédio pela internet e é um pouco mais picante. No dia a dia é normal.

"Meus filhos nasceram na Itália, querendo ou não o nosso país está passando por um grave momento na segurança. É complicado, confesso que antes, quando vim de férias com eles, há uns cinco anos, pensava em trazê-los. Quando cheguei aqui, mudei de ideia."

Lá fora você participou de alguns realities de dança, também apresentou um programa. Se surgisse a oportunidade de apresentar uma atração ou até mesmo de participar da Dança dos Famosos, aceitaria?

Eu fiz a Dança das Estrelas na Itália e em Portugal. Se vier um chamado para fazer aqui, a gente vai conversar e ver o que é melhor para todos. É um programa que eu gosto muito, apesar de não saber dançar direito. Me divirto, gosto da competição e do desafio, principalmente. E com relação a condução de um programa, gosto de tudo que tem a ver com o se comunicar, porque, na minha opinião, o ator tem que ser completo. Já apresentei programas ao vivo em Portugal e bato palmas para os grandes apresentadores. Realmente, é um trabalho muito difícil, tem que ter muita concentração, jogo de cintura. Mas sempre gostei e se chegarem propostas, vou avaliar.

Hoje há um êxodo grande de brasileiros para Portugal, em busca de trabalho e também para fugir da violência. Se sua carreira se estabilizar aqui, pensaria em trazer seus filhos para morarem no nosso país?

Não sei, se acontecer de eu me estabilizar aqui eu vou pensar nisso lá na frente. Agora, não sei dizer, porque depende de muita coisa. Meus filhos nasceram na Itália, querendo ou não o nosso país está passando por um grave momento na segurança. É complicado, confesso que antes, quando vim de férias com eles, pensava em trazê-los. Quando cheguei aqui, mudei de ideia. Isso eu estou falando de quatro a cinco anos atrás. E agora que voltei a morar aqui, não sei dizer. Seria mais por egoísmo meu trazê-los, aí tem que ver com a mãe, nós somos separados. Tem uma logística complicada.



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