André Luiz Miranda: “Feliz que jovens se enxergam em mim ali”

Ator de Malhação diz que “ninguém nasce racista” ao citar caso envolvendo filha


  • 05 de setembro de 2018
Foto: Rodrigo Lopes


Por Luciana Marques

Aosn 12 anos, ele encantava o Brasil como o Tiziu, de Terra Nostra, de 1999. Hoje, aos 30 anos, André Luiz Miranda continua mostrando todo o seu talento na TV, agora como o Vinícius, funcionário da ONG Percurso em Malhação: Vidas Brasileiras. “Vou carregar o Tiziu para toda a vida”, conta.

Na trama teen, seu personagem namora Talíssia (Luellem de Castro), mas eles ainda não se entendem sobre “a primeira vez”. Mas é fato que Vinícius, ao agarrar a oportunidade dada por Rafael (Carmo Della Vecchia), que desde cedo o instruiu a estudar, transformou a sua vida. E para o ator, a educação é a “chave” para o desenvolvimento de um ser humano.

Empolgado com o trabalho atual – sua última novela foi O Rico e Lázaro, em 2017, na Record TV -, André ressalta a importância da representatividade num veículo de tanto alcance como Malhação. Até a metade do ano, ele estava em turnê com o elogiado espetáculo O Jornal - The Rolling Stone, com direção de Lázaro Ramos.

Pai da linda Beatriz, de 2 anos, da união com Bárbara Laino, ele fala sobre a felicidade com a paternidade, e lembra também triste caso de racismo envolvendo sua pequena. E vindo de uma outra criança...

Vinícius (André Luiza Miranda). Foto: Globo/João Cotta

Alguns atores dizem que aprendem com os personagens. O que você tem aprendido com o Vinícius?

Tenho aprendido cada dia mais a amar e a respeitar as pessoas, independente de qualquer que sejam as suas escolhas. 

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E sobre a relação dele com a Talíssia, o que a gente pode esperar desse casal fofo?

Apesar da pouca idade, podem esperar uma relação muito madura, com respeito e muito amor. 

Você acha que, por ser evangélico, Vinícius pode estar escondendo a virgindade e querer se entregar só após o casamento?

Olha … pode ser uma possibilidade. Vamos esperar pra ver o que a Patrícia (Moretzsohn, autora) tem guardado pra eles. 

Vinícius (André Luiz Miranda) e Talíssia (Luellem de Castro). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Você acha que se muitos jovens de classes carentes tivessem oportunidades como o Vinícius teve na ONG, muita coisa poderia ser diferente no futuro deles e até no do nosso país?

Certamente! Ele teve a oportunidade da educação, que é a chave para o desenvolvimento de qualquer ser humano .  

Você e um grupo pequeno de atores que iniciaram cedo na TV ainda continuam trabalhando. Em algum momento, você teve medo dessa fase de transição da infância/adolescência para o adulto? Isso chegou a atrapalhar na sua carreira?

Eu senti as dificuldades normais da profissão. É uma carreira muito instável. Para os homens, essa mudança é muito mais visível. Uma voz que muda, o corpo que transforma...

Com Thiago Lacerda, Ana Paula Arósio e Antônio Fagundes, em Terra Nostra. Foto: Reprodução Instagram

O que representou fazer o Tiziu em Terra Nostra?

Foi meu primeiro personagem nesses 19 anos de carreira. Vou carregar o Tiziu para toda vida. Ele não só marcou a minha vida como a de muita gente. Fico feliz em saber que ele está vivo na memória das pessoas. Foi um lindo trabalho. Tive o privilégio de contracenar com grandes atores e lembro que fui acolhido com muito carinho por todos.

Qual a principal diferença daquele menino que estreava na TV para o André de hoje?

Total! Eu era uma criança, hoje sou mais sério, mais centrado. Vejo o mundo de uma outra forma.  Amadureci bastante. Nada nessa vida é fácil, então, é preciso ter os pés no chão e a cabeça no lugar. 

Foto: Rodrigo Lopes

O que mudou na sua vida com a paternidade?

Ser pai foi a melhor coisa que me aconteceu . É incrível, um sentimento que não dá para explicar. Ser pai me transformou. A vida tem outro sentido. É se doar por completo, entender que agora existe outra prioridade. A responsabilidade aumenta muito. Tudo que eu faço hoje é pra ela, por ela.

Recentemente você relatou em sua rede social um caso muito triste, de racismo, sofrido por sua filhinha, de uma outra criança. Você acha que os pais, em geral, estão errando na educação de seus filhos em relação a racismo, intolerância?

Ninguém nasce racista. Querendo ou não, aquela outra criança também é vítima nessa história. Infelizmente, ela é vitima de um mau aprendizado. Essa criança só reproduziu aquilo que já ouviu de um adulto, aquilo que está no seu convívio.

Hoje se fala muito em representatividade. E você é um exemplo de ator, negro, bem-sucedido, em Malhação, como vê essa questão?

Ainda estou bem distante de ser um profissional estabilizado, mas fico muito feliz de estar em um produto há tanto tempo no ar, de grande sucesso, e imaginar que muitos se enxergam ali. Representatividade importa, sim. Se ver ali, bem representado, transforma nossa existência, aumenta a autoestima e mostra que podemos ter mais importância. E, dessa forma, podemos ter voz.



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