Anderson Tomazini, o Xodó: “Hoje falam do trabalho, não da beleza”

Ator, que já foi panfleteiro e motorista de Uber, comemora reconhecimento


  • 29 de março de 2018
Foto: Marcio Farias


Por Luciana Marques

Os últimos acontecimentos com Xodó em O Outro Lado do Paraíso, como o desabamento da mina e o casamento com Cleo (Giovana Cordeiro), vêm transformando a rotina de seu intérprete Anderson Tomazini. Sua rede social Instagram, por exemplo, passou de 60 mil para 270 mil seguidores. “Xodó está mudando a minha vida”, constata ele, pai de Caio, de dois anos.

Mas grande parte do mérito de agarrar com unhas e dentes um papel pequeno e fazê-lo crescer, ganhando a confiança do autor Walcyr Carrasco e dos diretores, é de Anderson. Natural de Brasília, o ator de 29 anos começou a se dedicar à atuação em 2013, mas admite que a sua experiência de vida ajudou muito nesse processo.

Como modelo, ele já morou na Coréia, Filipinas, Estados Unidos. Entres os trabalhos anteriores, de vendedor e planfleteiro até motorista de Uber. Ah, e em 2015 foi eleito Mister Brasil. Mas, apesar de continuar lindo, já comemora um outro título: “Agora ouço: ‘Estou gostando do seu trabalho’”, vibra ele.

Xodó. Foto: Globo/Raquel Cunha

"Não tenho Twitter, aí vieram me falar que Xodó era TT, nem sabia o que era isso (risos). Achei que 'trend' sei lá o quê, era um site que tinha saído algo legal sobre mim. Uma amiga me explicou, e pensei: ‘Que coisa maravilhosa’. Xodó está mudando minha vida'."

Hoje você está cercado pela imprensa para dar entrevista. Você imaginava passar por algo assim?

Vou te falar que já passei muita coisa na minha vida, mas isso aqui é a primeira vez.... Nunca pensei que isso fosse acontecer. Quem não gosta disso, não é? Nós atores somos um bando de vaidosos.

Como tem sido a repercussão do Xodó e das últimas cenas dele preso na mina com os outros garimpeiros?

Achei que a repercussão foi muito legal. Foram cenas que a equipe se empenhou muito para fazer. Às vezes, as pessoas me parabenizam pelas cenas mas acho importante parabenizar não a mim, e sim a toda à equipe, direção, produção e atores. Quando estávamos gravando a cena do desabamento era tudo muito tenso, e havia um tempo para entregar a cena. Então todo mundo trabalhou no amor e merece os louros por isso. Logo depois ganhei essa trama com a Cleo (Giovana Cordeiro), e acho tão lindo falar de amor porque precisamos falar sobre isso hoje em dia. Já chegaram a me perguntar se eu, Anderson, tiraria alguém de um bordel... Acredito que quando existe amor qualquer tabu cai por terra. Se pesquisarmos na internet, achamos cada história legal. O amor verdadeiro não exige nada em troca além da companhia, e é esse amor que o Xodó tem pela Cleo. E poder passar essa mensagem de amor no momento complicado que vivemos no país para mim é motivo de orgulho. Só tenho a agradecer a Deus, e ao Walcyr Carrasco pela oportunidade, ao Mauro Mendonça Filho, e a todos os diretores.

Como vocês se prepararam para a cena do desabamento da mina?

Na verdade foi um processo de seis dias. A gente gravava em um cenário, os personagens que estavam do lado de fora da mina gravavam em outro. Depois gravávamos dos dois lados de uma parede, e ao todo foram seis dias bem pesados. Todos os nossos atores são super responsáveis, esse pode ser um dos motivos da novela ter conquistado tanto. Todos os atores chegam com o texto decorado, com a composição do personagem desenvolvida para a cena. E o resultado foi lindo.

O ator com o filho, Caio, de 2 anos. Foto: Reprodução Instagram

"Vou te falar que já passei muita coisa na minha vida, mas isso aqui, de estar cercaco de jornalistas, é a primeira vez.... Nunca pensei que fosse acontecer. Quem não gosta disso, não é? Nós atores somos um bando de vaidosos."
 

Deu algum tipo de medo interpretar essa cena?

Ficar preso não deu medo. Em meu processo de atuação vivo muito aquilo que estou interpretando, e acredito que a cena que as pedras caíram não foram tão difíceis, mas a cena que o Xodó carregava o Amaro era um desespero tão grande, porque ele não podia se mexer por não estar enxergando, e eu precisava guiá-lo dentro de um espaço pequeno, com a dificuldade das pedras, com toda a coisa da câmera, olhares. E essa sim foi uma cena bem difícil.

No Twitter durante a cena, havia vários posts de preocupação com o Xodó, chegou aos Tts. Você sabia que ele era tão querido?

Para começar, não tenho nem Twitter, aí vieram me falar que eu era TT, que não sabia nem o que era (risos). Achei que 'trend' sei lá o quê, era um site que tinha saído algo legal sobre mim. Daí perguntei a uma amiga, e ela me explicou, e pensei: ‘Que coisa maravilhosa’. Xodó está mudando minha vida, ele foi muito bom para mim.

O que mudou em sua vida com esse personagem, o assédio aumentou?

Assédio não tenho. As pessoas sempre me respeitam bastante até porque sempre respeitei todo mundo. Não sou muito de sair, mas o crescimento das minhas redes sociais tem sido tão acentuado que não estou conseguindo responder todo mundo. Antes conseguia responder a todo mundo e curtir todos os comentários. Gosto desse contato direto com o público. Quando eu fazia teatro tentava receber todo mundo no final da peça. Na televisão, a gente não tem muito isso, então a forma de sentir é pela rede social mesmo. Outro dia fiz uma live com a Giovana Cordeiro ao final do capítulo, e tinham milhões de pessoas assistindo.

Você sabe o quantos seus seguidores aumentaram durante a novela?

Eu tinha 60 mil no começo da novela, agora estou com 220 mil, mas estou querendo chegar em 1 milhão, gente (risos).

Foto: Reprodução Instagram

"Acho tão lindo falar de amor porque precisamos falar sobre isso hoje em dia. Já chegaram a me perguntar se eu, Anderson, tiraria alguém de um bordel... Acredito que quando existe amor qualquer tabu cai por terra."


Você acha que veio rápido esse papel no horário nobre para você?

Acho que tem duas maneiras de enxergar a chegada desse papel na minha vida. Se olhar pelo lado profissional do ator que se formou e chegou aqui onde acredito que todos os atores queriam estar, foi muito rápido. Porque o processo foi de 2013 até agora. Mas por outro lado, a minha vida adulta contribuiu demais para o Anderson Tomazini que sou hoje, esse que trabalhou em diversas coisas, viajou por vários lugares do mundo para trabalhar. Não estou me gabando, mas é que tudo isso é uma bagagem tão rica para mim. Quando trabalhei com Uber por exemplo, ouvi diversas histórias, e isso vai mudando a gente.

A Mercedes já tinha previsto a entrada do Xodó na vida da Cleo, um homem que a tiraria do bordel. Como foi a sua expectativa para essas cenas?


A primeira cena com a Fernanda que foi ao ar recentemente, eu já estava numa expectativa grande porque foi uma cena linda. A Fernanda Montenegro é uma querida, está onde está porque merece mesmo, e contracenar com ela foi um grande presente para mim. Não sei o que vai acontecer por aí.

Pode contar para a gente o que vai acontecer?

Conto nada. As contas lá em casa estão vencendo tanto que estou até torcendo para elas. Não posso contar não senão perco meu emprego (risos).

Sobre o relacionamento entre Xodó e Cleo. Você já viveu algum relacionamento que passou por algo de tabu?

Já. Essa história mesmo da Cleo já vi acontecer, não comigo, mas com um grande amigo meu. Quando morava em Brasília e trabalhava no ramo de autopeças, um amigo de loja tirou uma moça de um bordel em Anápolis e levou para morar com ele, enfrentou preconceitos na maior naturalidade, por amor. Acho que quando você sente que é amor e é recíproco, não tem o que discutir.

O casamento de Xodó (Anderson) e Cleo (Giovana Cordeiro). Foto: Globo/César Alves

"Já fiz de 'um tudo' como diz o Xodó. Fui vendedor, modelo, panfleteiro, trabalhei em shopping, loja de autopeças, motorista de Uber. Morei em Brasília, São Paulo, Rio, Curitiba, Coréia, Estados Unidos Filipinas. Tudo como modelo, porque fazia eventos."

Você acha que existe possibilidade da Cleo abandonar o Xodó e voltar com o Mariano?


Não sei. Prefiro não opinar, mas novela do Walcyr Carrasco pode ter de tudo. De verdade, não sei, e se soubesse não falaria também (risos).

Você sempre carrega um terço no pescoço?

Sim, ele é a minha proteção, estou sempre com ele. Os camareiros aqui até já sabem que só entro em cena com uma meia de uma determinada cor, que é a minha meia da sorte.


Seu filho mora em Brasília, como lida com as saudades?

O Caio mora em Brasília com a mãe dele. A saudade fica por conta do celular, ontem mesmo eu estava falando com ele por aqui. É a minha paixão.

Você falou que viajou o mundo, fez outras coisas. Onde você já morou e o que já fez?

Já fiz de 'um tudo' como diz o Xodó. Já fui vendedor, modelo, panfleteiro, trabalhei em shopping, loja de autopeças, motorista de Uber. Morei em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Coréia, Estados Unidos Filipinas. Tudo como modelo, porque eu fazia muitos eventos.

Seu personagem começou pequeno. Você esperava esse sucesso, o Walcyr acabar acreditando no seu trabalho não é?

Não esperava mesmo porque desde o começo me falaram que meu papel era pequeno. Estava muito nervoso inclusive, porque cheguei para fazer treinamento e estava Juliano Cazarré na minha frente, meu ídolo. Na verdade, estava muito tenso ainda mais pelo rótulo que criam para a gente por conta de beleza e quero tirar isso da minha vida. Antes só ouvia coisas como: ‘Como você é bonito’. E agora ouço: ‘Estou gostando do seu trabalho’. O trabalho está começando a ficar na frente da beleza, o que acho muito importante. Nunca quis me aproveitar disso, sempre ralei. Todo mundo conhece o Walcyr como um autor que dá chance aos atores, mas não acreditava que seria assim.

Xodó sabe o segredo de Sophia. Mercedes falou com ele que uma hora ele vai ter que contar. Você quer que ele conte? Porque é possível que ele morra também caso abra a boca...

Gente, já tem coisa escrita, mas não posso falar. Qualquer coisa que seja minha opinião pode parecer que seja o que vai acontecer. Estou precisando de um dinheirinho, não posso perder esse emprego não... (risos)

 



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