Anderson Di Rizzi: “Perguntavam muito se Desirée era homem..."

O Juvenal da trama das 9, que curte a paternidade na vida real, fala da reta final


  • 30 de abril de 2018
Foto: Globo/Raquel Cunha


Por Luciana Marques

A história do personagem Juvenal, vivido pelo talentoso Anderson Di Rizzi, tomou um outro rumo em O Outro Lado do Paraíso. No início, ele faria um triângulo amoroso com Estela (Juliana Caldas) e Amaro (Pedro Carvalho), mas acabou se envolvendo com a prostituta Desirée (Priscila Assum). E esse casal “improvável” caiu no gosto do público.

Desde então, rolam inúmeras notícias sobre a trama dos personagens. “Muita gente perguntava se a Desirée era homem ou não. O que eu sei é que vai ter uma grande surpresa em cima disso no final”, avisa o ator. Mas, antes, Juvenal vai passar por maus bocacos ao tornar-se refém de Renato (Rafael Cardoso), em sua própria casa, no sequestro de Tomaz (Vítor Figueiredo).

Nesta descontraída entrevista, Anderson, que é cria do teatro e vem emendando papeis de sucesso na TV, como o Sargento Xavier, em Morte & Assopra, 2011, o Carlito, Pallhaço, de Amor à Vida, 2013, e o Zé dos Porcos, em Êta Mundo Bom, 2016, também comemora um momento especial na vida pessoal. Ele é papai de Helena, de 9 meses, do casamento com Taise Galante

Juvenal (Anderson Di Rizzi) e Desirée (Priscila Assum). Foto: Globo/Raquel Cunha

Como você vê essa caminhada do personagem na novela?

A gente falou muito do triângulo que era o Juvenal, a Estela e o Amaro, mas depois a Desirée entrou ali e a história foi crescendo cada vez mais. O Walcyr (Carrasco) começou a investir mais no humor e agora a Estela ficou com o Amaro e o Juvenal com a Desirée. Está bonito! Com o olhar um pouco de fora, posso dizer que a novela é um sucesso, o grupo é muito bom e todo mundo se dá muito bem. Foi uma trajetória muito boa.

Você acha que o Juvenal foi muito devagar com a Estela?

Ah, eu acho. Se fosse eu, teria falado alguma coisa. Eu já vivi situações parecidas, de não ter coragem de chegar na menina e outro cara chegar e ficar com ela. O Juvenal foi no tempo dele e ele é muito sensível, mas não era para dar certo mesmo.

Você escutava alguma coisa nas ruas?

O pessoal falava que eu tinha que chegar junto (risos).

Juvenal (Anderson Di Rizzi). Foto: Globo/Raquel Cunha

No início, você já sabia que o Juvenal ia ficar com a Desirée?

Não, eu só vi quando foram chegando os capítulos. Ela foi ficando, e a história cresceu muito. Hoje ele é apaixonado por ela e a Estela virou uma amiga. Eu, como ator, tenho que respeitar muito o que o autor escreve. Se o caminho do personagem é esse, que está muito claro no texto, eu não tenho mais que ficar defendendo ele com a Estela.

Você se envolveria com uma garota de programa?

Acho que se ela me falasse a verdade logo no começo, sim. Dou muito valor à sinceridade. Se alguém mente para mim em algo, eu não vou mais acreditar naquela pessoa de novo. Não é generalizando, mas se a pessoa mente por uma bobagem, ela é capaz de mentir por qualquer coisa. Eu já me relacionei com uma pessoa que mentia muito e eu fiquei um pouco traumatizado com isso.

A personagem da Desirée seria um homem e por conta do sucesso acabou ficando com o Juvenal…

Essa coisa do homem não chegou para a gente, só para a imprensa. Houve uma especulação e eu não entendi. Eu não li nada sobre isso. Me sinto privilegiado por estar nessa obra, com boas oportunidades. Comecei com um personagem mais contido, meio pesado, depois fui para o humor.

O ator com a mulher, Taise Galante, na época na reta final de gravidez. Foto: Reprodução Instagram

Nas ruas, quando o Juvenal não sabia que a Desirée era do bordel, as pessoas falavam algo?

Falavam para eu tomar cuidado, que ‘aquela lá’ era quenga (risos). Muita gente perguntava se ela era homem ou não. O que eu sei é que vai ter uma grande surpresa em cima disso no final, o Walcyr está guardando.

O seu personagem vai ser bem importante nessa reta final, durante o sequestro do Tomaz, como você se sentiu quando soube?

Eu fiquei muito feliz, são cenas muito tensas e pesadas. Vai ter o desfecho de alguns personagens bem ali na minha humilde residência (risos). É um presentão como ator. Se você ver a trajetória cômica do personagem, o dia em que teve a descoberta que a moça trabalhava no bordel, e agora uma sequência que não é para ser engraçada, que não tem piadinha, é muito bom. O Renato coloca a arma na minha cabeça, é cena tensa mesmo. Acho que todo mundo tem seu lado divertido, tenso, preocupado, e numa situação dessas, com uma arma na cabeça, qualquer um se transforma.

Você acha que ainda rola muito machismo, no sentido de dizerem se a mulher é para casar ou não?

Rola. Tem um amigo meu, que eu não vou nem dizer o nome, que se apaixonou por uma garota de programa. Ele tem dinheiro, alugava lancha, ficava com ela no fim de semana e já nem pagava mais por isso. Ele ficava me explicando o que os caras diziam para ele, que ela não era para casar, que os caras zoavam ele por isso, faziam piadinhas e falavam como se ela fosse inferior.

O ator com a vira-lata Bandeirinha e a filha, Helena, de 9 meses. Foto: Reprodução Instagram

Você acha que alguns artifícios sexuais realmente seguram uma relação?

Tem que usar e abusar da criatividade (risos). Eu acho que a Desirée, na simplicidade dela, se envolveu nessa situação por causa de um problema familiar. É como se fosse uma brincadeira esse segredo. Eu acredito nisso, nas relações, eu sou casado e sei que uma parte que sustenta a relação é o sexo. Para não cair na rotina, tem que brincar mesmo.

Você tem uma filha pequena, de 9 meses. Como foi a parceria com a sua esposa durante a gravidez e nessa fase mais complicada do bebê recém-nascido?

Tem que ter muita paciência, muita conversa. Não é fácil amamentar, eu via o peito da minha mulher sangrando, com muita dor. A Helena não dormia, e ela acordava para cuidar dela de hora em hora. É claro que não é só sexo. Casamento é amor, amizade, companheirismo, uma família que se criou ali. Eu acredito no amor construído. Já fui muito infeliz naquela coisa de acreditar em paixão.

Você se preocupa com a sua filha quando pensa que ela pode sofrer nesse mundo machista?

É difícil educar um filho. Eu quero passar para a Helena as coisas da vida, dar ‘hominhos’ de brinquedo para ela, não só bonequinhas. Eu quero dar carrinho, bola para ela brincar de futebol. Aos poucos, eu vou passar para ela essa questão da igualdade. A sorte é que a minha mulher é professora e entende de educação muito mais do que eu. O filho não vai só pelo que você fala, o pai acaba sendo um espelho. Não adianta eu chamar alguém de viado, por exemplo, e dizer que ela não deve fazer isso. Meus pais, na simplicidade deles, me educaram muito bem.



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