Alinne Moraes: “Não acredito, nem desacredito em reencarnação”

Ela diz que história de Dora nos anos 30 pode justificar atitudes de Isabel na trama das 6


  • 17 de novembro de 2018
Foto: Globo/César Alves


Por Redação

Em sua segunda trama de Elizabeth Jhin, também com o tema espiritismo, Alinne Moraes – que participou de Além do Tempo, em 2015 – conta que teve uma época de sua vida que acreditou muito em reencarnação. Mas no momento, não crê, nem descrê. E diz ainda não seguir uma religião em especial. “Só desejo o bem ao próximo. Me coloco muito no lugar das outras pessoas, e acredito que a bondade gera bondade”, afirma ela.

Uma das grandes atrizes, das mais requisitadas de sua geração, mais uma vez Alinne está fazendo um belo trabalho, agora na pele de Isabel, em Espelho da Vida. E já tem gente “odiando” a personagem. “Essa é vilã mesmo de folhetim”, diz. A estrela, que há pouco começou a aparecer também Dora, melhor “amiga” de Julia Castelo (Vitória Strada) nos anos 30, admite que muitas das atitudes de Isabel serão justificadas pelo o que ela viveu no passado.

Na entrevista, a atriz conta ainda como está sendo administrar a maratona de gravações nos anos 30 e nos dias atuais, e fala encantada da fase do filho, Pedro, de 4 anos, do casamento com o cineasta Mauro Lima.

Isabel (Alinne Moraes). Foto: Globo/ João Miguel Júnior

Como você definiria a Isabel?

Essa vilã é bem vilã mesmo. E em novelas da Elizabeth Jhin, ela não tem medo... Mesmo porque são duas histórias, e pode ser que muitas dessas maldades da Isabel sejam justificadas pela outra personagem (Dora), que vive em 1930. E aí poderemos entender como ela se tornou essa pessoa. Estou sem medo de 'carregar' porque já está muito claro, e não tem como deixar ela um pouco mais doce. É uma personagem humana, mas vamos ver até onde o ser humano é capaz de chegar. É uma personagem que não mede esforços para conseguir o que quer.

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É sua segunda parceria com a Elizabeth Jhin…

Voltar como antagonista é a coisa mais incrível do mundo. Em Além do Tempo (em que ela viveu a mocinha Lívia) também contamos duas histórias. Mas agora é um trabalho completamente diferente. A outra antagonista dela de Além do Tempo era mais mimada e mais leve, essa de agora é bem pesada, demoníaca (risos). Tanto que quando fui fazer a escolha dos vestidos para o figurino, eu disse ‘bora pro vermelho’. Ela vai infernizar o Alain, mas nessa relação com ele, saberemos quem é o verdadeiro antagonista da história.

Ela vai usar a filha contra o Alain?

Eu acho que ela tem outros trunfos na manga, muito maiores do que esse. Muito maiores do que essa coisa da paternidade, que quase toda a novela tem.

Por que ela tem essa relação tão complicada com a mãe, Grace (Patricya Travassos)?

Ela acusa a mãe de nunca ter estado presente na vida dela. De tê-la deixado solitária quando mais precisou. E ela realmente precisou dar a volta por cima para se manter na cidade, por ser mãe solteira. A mãe não esteve presente, preferiu ir atrás de sua ligação religiosa, para se fortalecer e salvar a filha, mas a filha não consegue ter esse entendimento e só julga a mãe, e a cobra por coisas do passado.

Isabel (Alinne Moraes) e Alain (João Vicente de Castro). Foto: Globo/ João Miguel Júnior

Mesmo sendo uma grande vilã, ela tem um quê de humor, né?

Eu acho que toda vilania, principalmente quando é muito ao extremo, fica tão surreal que ela acaba tendo um ponto de leveza. São tão surreais as possibilidades que ela se torna um pouco engraçada, pouquinho.

Na vida passada ela é a Dora, melhor amiga da Julia. Acha que a partir daí o público começará a entender, então, tudo o que ela faz hoje?

Muito dessa vilania toda dá para entender o motivo. Ela se tornou essa mulher amarga, má, e egoísta por conta desse passado visto em 1930. Não posso dizer que quem era bom vai ficar ruim, quem era ruim vai ficar bom, mas vocês vão se surpreender o tempo inteiro. É uma loucura...

Como está sendo para vocês atores fazer dias atuais e época quase que simultaneamente?

A gente começou a preparação para 1930 pouco antes da estreia da novela. Brinco que é um trabalho esquizofrênico. Ao meio dia estamos em 1930, às seis da tarde estamos em 2018. Como não temos cidade cenográfica por uma opção do Pedro Vasconcellos (diretor artístico), a gente está tendo essa coisa de cinema, de ter a oportunidade de estar em uma cidade de verdade gravando. O que deixa tudo um pouco mais delicado por termos que viajar sempre para Mariana, Tiradentes e Carrancas (interior de Minas Gerais). As imagens são lindas, trazem uma veracidade incrível.

Você já passou por um déjà vu?

Já, muitos! Acho que todo mundo já deve ter tido essa sensação. Não é raro comigo, e como viajei muito, sempre tenho a sensação que já estive naquele lugar. Não fica claro o que é essa sensação, mas é muito boa. Outro dia estava com meu marido em um restaurante, estava tocando uma música, ele fez um gesto e eu pensei: ‘Gente, já estive aqui antes. Você fez esse gesto e estava tocando essa música desse mesmo jeito’...

Dora (Alinne Moraes). Foto: Globo/Victor Pollak

Acredita em reencarnação?

Eu já acreditei muito, mas não acredito, nem desacredito. Tenho muita coisa para pensar nesse momento do que ficar pensando se tem outra vida ou o que acontece depois que a gente morre. Essas perguntas eu me fazia quando bem pequenininha, até mais ou menos 7 anos e foi diminuindo. Tem gente que se pergunta depois dos 30, 40, e cada um tem um momento certo. Nesse momento da minha vida, tem coisas que exigem tanto de mim que não presto atenção nessas outras.

Você segue alguma religião?

Não, só desejo o bem das pessoas. Me coloco muito no lugar das outras pessoas, e acredito que a bondade gera bondade.

Você levou seu filho para as viagens de gravação?

Não. Ele está com 4 anos e já tem a rotina dele, os amiguinhos, e eu fiz uma combinação com a produção. Geralmente, ficamos 10 dias por mês em cada cidade, e eu pedi para ficar dois dias, voltar, depois ir de novo. Meu filho entende o meu trabalho. Outro dia a Vitória (Strada) jantou lá em casa, e perguntei para ele se ele sabia a história que eu iria contar na TV, e ele disse: ‘Você vai ser a bruxa’, e ele já percebeu que ela seria a ‘princesa’ da história.  Ele adora teatro, e consegue separar as coisas graças a Deus.

O que tem mais encantado nessa fase dele aos 4 anos?

Ele adora música. Está apaixonado por piano. É uma coisa que ele gosta muito, e já acorda tocando, me mostrando como tocar. É uma coisa do pai também, porque o Mauro toca tudo, inclusive é quem faz as trilhas dos filmes dele. Dá até raiva ver lá roteiro Mauro Lima, direção Mauro Lima, trilha Mauro Lima...



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