A adorável Lua Blanco: “Sou igual a todo o mundo, por acaso, um pouco mais cara de pau”


  • 15 de novembro de 2017
Foto: Divulgação


Por Ana Júlia

Lua Blanco fala, fala, ri de si mesma, volta a falar... Ela é assim, inquieta, engraçada, sagaz, cheia de questionamentos com o mundo, a vida. Mas temos que admitir: Lua, de 30 anos, que viveu a Anita em A Força do Querer, é realmente um encanto! Diferentemente de muitos atores de sua geração, ela não faz tipo. Fala o que pensa e tem argumentos para isso. “Sou uma pessoa igual a todo o mundo, mas, por acaso, um pouco mais cara de pau”, diverte-se ela, que está em processo de reformulação do seu canal no YouTube, que tem quase 300 mil inscritos, para fica mais a sua "cara".

Sempre bem humorada, a atriz admite que, ao se tornar uma balzaquiana, um turbilhão de emoções tem tomado conta dela. Dúvidas sobre as escolhas, a carreira... Mas a fase a tem ensinado que nem tudo é para ontem. “Agora estou nesse momento de pensar como construir a minha vida de uma forma que o presente seja mais muito bem aproveitado”, diz.

Leia e veja o vídeo da entrevista para se apaixonar ainda mais pela adorável Lua:

Fale um pouco da ideia de mudar o canal no YouTube...

A minha ida para o Youtube, de me dedicar à produção de conteúdo na internet partiu dessa vontade de trazer as pessoas mais para perto de mim. Não só o público em geral, para  saber quem sou, mas os meus fãs, que já me acompanhavam, me conhecerem melhor. Saberem o que penso sobre beleza, relacionamento, maluquices, qualquer coisa. Inclusive o projeto do novo canal é exatamente isso, dei um passo de abrir a minha vida com o Lua Blanco Oficial, agora quero dar um outro passo. Quero que o novo canal seja mais a minha cara, aberto à minha vida, para tanto falar sobre as coisas que penso, quanto dividir a minha rotina, trabalho, música também. E é uma coisa cada vez mais difícil de entender, como o mercado funciona, como levar a música para o público. E se tiver a minha própria forma de passar para eles, é muito melhor do que ficar dependendo de grandes produções. Então, essa troca na internet acabou sendo muito positiva e me trazendo várias ideias.

"Tento, na medida do possível, ser o mais transparente com o mundo em relação ao que sei de mim. Claro que há muita coisa para descobrir."

Você disse que vai mostrar um pouco mais sobre você... Quem é a Lua?

Ah, eu sou muito legal, sabe? (risos) Às vezes, as pessoas acabam conhecendo uma faceta por uma linha de trabalho ou falta de contato mesmo. Não sei...Talvez possa ter algo legal para dizer e para contribuir. E já que tem um grupo específico que se interessa por saber o que penso, como me divirto, como sou engraçada, como falo besteira... Para esse grupo vale a pena abrir um pouco mais. Sou uma pessoa igual a todo o mundo, mas, por acaso, um pouco mais cara de pau e gosto de me expor.

Você tem uma coisa de alto astral forte e também de transparência com o seu público. É isso mesmo?

Espero que sim. Essa pergunta é muito mais profunda do que eu poderia abrir agora para você. Isso é uma coisa para levar para a análise, porque a gente está sempre estudando, o que é real, o que não é. Se o que a gente mostra para o mundo é o que realmente a gente é... Mas tento, na medida do possível, ser o mais transparente com o mundo em relação ao que sei de mim. Claro que há muita coisa para descobrir e a gente vai revelando aos poucos.

Você faz análise?

No momento, não. Já fiz durante anos. Faço análise comigo mesma toda a hora. Tenho praticado o processo da yoga, procurado entender mais essa disciplina. E isso tem me trazido mais para um autoconhecimento, uma coisa mais introspectiva.

"Vivo perdendo a voz porque não respiro direito. Sou tão ansiosa que falo atropelando. A yoga e a música são duas coisas que me lembram que eu posso respirar, me acalmam."

Esse é o momento que você se acalma?

Então, a yoga é algo que tem me acalmado muito. Uma das coisas que me deixa muito agitada é o fato de não respirar direito. Por exemplo, vivo perdendo a voz porque não respiro direito. Sou tão ansiosa que falo atropelando. Então, a yoga, a música, são coisas que me lembram que eu posso respirar, que tem espaços, camadas, entre eu e o mundo.

Passou por alguma crise dos 30?

Tirei de letra! Sou uma exceção na humanidade, não tenho crise nenhuma, sou ótima, muito bem resolvida. Fiz 30, nem senti, quando vi, já era... Mentira, tudo mentira! Estou até agora de cabeça para baixo. A chegada dos 30 está sendo muito marcante, de mudança interna, uma girada de ponto de vista, na verdade. Sempre ouvia que é um sinal de imaturidade você achar que sabe tudo. E, conforme você vai aprendendo, descobre o quanto que não sabe sobre nada. Acho que a chegada dos 30 trouxe essa noção para mim. O mundo que eu estava vendo de um jeito, virou. E quando vi que tudo o que queria entender, controlar, era tão grande, que nunca ia conseguir, dei uma relaxada. Faz muito bem envelhecer, estou descobrindo isso.

"A chegada dos 30 está sendo marcante. O mundo que estava vendo de um jeito, virou. E quando vi que tudo o que queria entender, controlar, nunca ia conseguir, relaxei. Faz bem envelhecer, estou descobrindo isso."

Qual a principal diferença da Lua de hoje para a do início da carreira, aos 20 anos?

Não posso falar pelas outras pessoas, mas vim com uma curiosidade, ansiedade, vontade de engolir tudo no mundo quando saí de casa, fui para a faculdade. E isso te leva com muita sede ao pote. Você acaba tendo experiências maravilhosas, mas também te dá uma pressa para algo que não precisa. Nossa vida é essa para ser vivida. A gente pode amá-la do jeito que é. Com o tempo, você vai entendendo que o que não foi, não foi, o que não veio, se não vier, tudo bem. Vamos aproveitar o máximo agora? Então, acho que esse ano estou nesse momento de como construir a minha vida de uma forma que o presente seja mais muito bem aproveitado. Eu me enrolo mas eu falo bonito (risos).

Como faria um balanço de sua carreira?

Está tudo ótimo! Sou super bem sucedida, nunca tive nenhum problema, barreira, desafio. Inclusive, agora, estou pegando um jatinho para Las Vegas, onde lotei uma arena para show. Tudo mentira! Quando você está em crise existencial, coloca tudo na balança. E querendo trabalhar com a arte, a gente entra numa busca de achar o nosso espaço. Também foi um processo para mim de compreensão, de quem sou como artista. Os meus trabalhos e a minha trajetória, as barreiras e desafios, estão me trazendo mais para perto, para quem realmente quero ser. Porque muito do que a gente planeja é baseado naquela nossa visão de mundo, naquela ansiedade. E quando as coisas expandem, a gente começa a entender porque está nessa carreira maluca, com todas as instabilidades, imprevisões. E descobrimos que é porque somos malucos mesmo e que uma vida normal não ia nos caber. A gente tem arte para passar para alguém, tem que colocar para fora. E entender isso ajuda muito a achar o seu lugar. Quero estar atuando, cantando? Como posso continuar ativa e sobreviver, pagar as contas... Se pudesse viver só de arte e flutuando por aí, seria maravilhoso. Mas ainda tem essa sociedade que a gente tem que encaixar de alguma forma, enquanto a gente não abandona tudo e vai morar numa tribo indígena, e ainda ser feliz e se permitir todas as experiências que a gente quer nessa existência. É muita coisa para entender, por isso a gente vive em crise. (risos)

"Eu quero ser uma atriz e cantora de muito sucesso ou quero conseguir ser uma artista que faz tudo que ama e ainda consegue ter uma vida que tenha orgulho, felicidade e amor?"

Atuar, cantar, dá para levar tudo junto?

Honestamente, não. A gente não pode conseguir tudo. A nossa busca é como a gente pode burlar as leis do universo para conseguir o máximo de tudo que a gente poderia. É um truque, uma faca de dois gumes, porque a gente quer cantar, escrever, atuar, ser comunicador. Só que a gente também tem que se dedicar para uma coisa ou outra. E eu não ter largado a atuação para me dedicar à música, pode ter me prejudicado, e não ter largado a musica para só atuar, r um disco dois anos atrás e esse era o foco, também pode ter atrasado minha trajetória dentro da atuação. Tudo bem, o lance é descobrir o que é mais importante para mim. Eu quero ser uma atriz e cantora de muito sucesso ou quero conseguir ser uma artista que faz tudo que ama e ainda consegue ter uma vida que tenha orgulho, felicidade e amor? A gente começa a mudar um pouco as prioridades. Então, em vez de a gente batalhar muito por algo que a gente não consegue, a gente aprende a batalhar por aquilo que a gente consegue e vai nos fazer feliz.

Alguma novidade na área da música?

Desde que lancei o meu disco, ano passado, tenho refletido sobre o próximo passo. Estou sentindo as sonoridades do caminho que quero. Pela novela A Força do Querer, deixei um pouco de lado. Estou pensando em outros projetos, quero voltar um pouco ao pop rock. O rock deixei um pouco de lado, sinto que minha vida pede mais rock, talvez minha personalidade peça um pouco também. A música para mim é menos um projeto de vida e mais uma coisa que não consigo não fazer. 



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