Conquistas de Paula Cohen: Atriz vê prêmio APCA por sua Lota como reconhecimento de toda a trajetória

Com raízes no teatro, ela colhe frutos por personagem complexa de Nos Tempos do Imperador


28 de junho de 2022

Foto: Divulgação

Paula Cohen foi um dos destaques de Nos Tempos do Imperador com a sua Lota Pindaíba. Sucesso de crítica, a personagem lhe rendeu o prêmio de melhor atriz de televisão do APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). “É o reconhecimento de toda uma trajetória. Sou uma atriz com raízes feitas no teatro e eu transito com paixão por todas as linguagens. Sou grata a todos os responsáveis por terem me confiado essa personagem tão rica e complexa”, diz.

Com o fim da trama das 6, Paula gravou uma série para streaming, ainda sem data para estrear, e rodou o curta-metragem Nosostras, idealizado por ela com o amigo Bruno Guida. “São quatro histórias diferentes de mulheres latino-americanas, que, no resultado do filme, dialogam entre si”, explica Paula, que revela qual papel gostaria de fazer num retorno às novelas: “Uma mulher revolucionária, feminista, que luta pelas causas das mulheres. Ou uma vilã ressentida que anda às voltas com uma vingança eterna”.

Qual foi o sentimento ao ganhar o APCA por sua Lota de Nos Tempos do Imperador? Muita emoção, eu explodi de alegria quando soube! De certa maneira é o reconhecimento de toda uma trajetória. Sou uma atriz com raízes feitas no teatro e eu transito com paixão por todas as linguagens. Então sou muito grata a todos os responsáveis por terem me confiado essa personagem tão rica e complexa, onde pude mergulhar e descobrir na troca, junto com os meus parceiros, atores incríveis, e dar vida e contorno a essa figura chamada Lota Pindaíba! Estou pronta para encarar grandes personagens na TV e no cinema, assim como naturalmente venho fazendo no teatro ao longo de tantos anos.

Você entrou na novela para substituir Vera Holtz, por causa da pandemia, tempos difíceis, e esse trabalho te trouxe esse presente... Sim, os caminhos da vida são tão curiosos né? Como as coisas vão se dando...é tudo muito misterioso e fascinante.

Lota Pindaíba (Paula Cohen). Foto: Globo/Fábio Rocha

Você chegou a falar com a Vera? Não, não encontrei ela durante, nem depois da novela. Amo a Vera! Ela, para mim, é uma dessas grandes atrizes brasileiras que me inspiram na vida. O Brasil tem atrizes e atores muito maravilhosos, completos, com uma vitalidade muito particular.

Você rodou um curta-metragem depois da novela. Conte pra gente um pouco mais dos projetos?

Nosotras é um projeto que idealizei com um parceiro querido chamado Bruno Guida. A princípio era para teatro, mas ao longo do tempo, eu decidi transformá-lo em filme. São 4 histórias escritas por 4 mulheres diferentes, duas brasileiras, uma uruguaia e uma argentina. Minha família é uruguaia, cada vez me interessa mais estabelecer pontes entre nossas culturas. O filme traz esse diálogo. São 4 histórias diferentes de mulheres latino americanas, que no resultado do filme como um todo dialogam entre si. Abordam temas importantes, questões que trazemos desde a colonização violenta a qual fomos submetidos, tanto a portuguesa quanto a espanhola, e os desdobramentos de tudo isso nas sociedades que formamos. Existe essa barreira do idioma com os outros países latinos, mas muitas questões nos aproximam, precisamos criar mais e mais esse diálogo. Chamei a Gabi Brites para dirigir e foi incrível, uma equipe muito amorosa e talentosa. Convidei as atrizes Luisa Micheletti e Shirley Cruz, maravilhosas, para contarem essas histórias comigo. Agora o filme vai começar a rodar os festivais.

Qual personagem gostaria de fazer numa próxima novela? Uma mulher revolucionária, feminista, que luta pelas causas das mulheres. Ou uma vilã ressentida que anda às voltas com uma vingança eterna. Ou uma cabeleireira espanhola bem “Almodovariana”, que vem para o Brasil conhecer a mãe biológica (risos). Enfim... tem muitos personagens que ainda quero fazer! As melhores são sempre as personagens complexas, cheias de vontades e contradições.