Com Mar do Sertão, Globo corrige erro histórico e encanta o público

A trama de Mário Teixeira chega ao fim com elogios de crítica e público e o elenco dando show


Foto: Globo/Fábio Rocha

Por Lucas Bertrand

Mar do Sertão chega ao fim nesta sexta-feira (17) com saldo positivo para a Globo, não apenas por atingir a meta de audiência estipulada da emissora ou pela boa repercussão da crítica especializada e público. A novela de Mário Teixeira deixa para a televisão um legado importante na questão de representatividade ao colocar em primeiro plano toda a força do Nordeste. Ao longo da história, o canal carioca teve um currículo controverso nas produções de suas tramas ambientadas na importante região do Brasil. Em muitas ocasiões, a Globo mostrou paisagens exuberantes, valorizando as belezas da área, mas esquecendo de dar o protagonismo aos artistas locais. Em tramas ensolaradas como Tropicaliente (1994), ambientada no Ceará, apenas Regina Dourado do elenco principal nasceu na região. Em Gabriela (1975/2012) e Renascer (1993), ambas as produções passadas na Bahia, também padeceu do mesmo problema. Engana-se quem pensa que as escalações em folhetins nordestinos foram equivocadas apenas em um passado distante, em que não havia tal preocupação. Em 2018, em uma época em que já se discutia questões de representatividade e a abertura do mercado para atores negros e nordestinos estava em evidência, a Globo produziu uma trama em horário nobre desenvolvida em Salvador, na Bahia, com elenco de não nordestinos.

Timbó (Enrico Diaz), Tereza (Clarissa Pinheiro) e Joca (Miguel Venerabile). Foto: Globo/Divulgação

Em Mar do Sertão, a emissora não só corrige as decisões erradas tomadas no passado com os nativos da região, aos escalar um elenco quase todo formado por atores do Nordeste, mas também engrandece o sertão com a riqueza cultural local, além de evidenciar problemas que são realmente encontrados na área. Foram mais de 20 atores em papéis fixos oriundos da região, como a protagonista Isadora Cruz (Candoca) e o antagonista Renato Góes (Tertulinho), além de Clarissa Pinheiro, Érico Brás, Cyria Coentro, Thardelly Lima, Suzy Lopes, entre outros. O elenco, inclusive, se mostrou eficiente em toda a trajetória da novela. Isadora era desconhecida por grande parte do público, o que poderia causar estranheza, mas entregou uma heroína forte e visceral, marcando sua carreira logo em sua segunda personagem na televisão. Já o veterano Enrique Diaz fez de seu Timbó uma grande presença na novela. Com um tipo divertido, o ator soube dosar na medida certa a carga dramática com o humor, o que rendeu ótimas cenas com Clarissa Pinheiro (Tereza), o ator mirim Miguel Venerabile (Joca) e Giovana Cordeiro (Xaviera). Mariana Sena (Lorena) e Theresa Fonseca (Labibe) formaram um trio afinado com Isadora. Estreantes em novelas, as duas atrizes são ótimas revelações. 

Elenco reunido nos bastidores. Foto: Reprodução Instagram

Após personagens em Verdades Secretas 2 e Pantanal, Sergio Guizé (Zé Paulino) e Renato Góes encararam tipos completamente diferentes em Mar do Sertão, mostrando mais uma vez o talento da versatilidade dos atores. Entre tantos destaques no elenco, não tem como não citar o brilhantismo dos experientes José de Abreu e Debora Bloch que, mais uma vez, engrandeceram em cada cena que apareciam. Apesar do resgate do Nordeste e do elenco afiado, uma das novidades da produção foi o recurso da apresentação das "cenas dos próximos capítulos" de forma inusitada. Bastava mais um capítulo de Mar do Sertão chegar ao fim para que entrasse no ar a dupla de repentistas Juzé (Zé Neto) e Lukete (Lucas Queiroga) para narrar o que ia acontecer no próximo episódio. Sem envolvimento com a trama da novela, os atores entravam em cena sempre com uma sacada para chamar atenção do público para os próximos acontecimentos com bom humor, música e entusiasmo. A novidade criada pelo diretor artístico Allan Fiterman deu certo e empolgou o telespectador. O folhetim das 6 encerra sua trajetória com louvor e deixa um legado para a importância do Nordeste para o Brasil.

Lorena (Mariana Sena), Labibe (Theresa Fonseca) e Candoca (Isadora Cruz). Foto: Globo/Fábio Rocha