Marco Antônio Villalobos traz em livro relatos de 40 anos no telejornalismo e na universidade

Em Confesso Que Só Ri, jornalista reúne memórias bem-humoradas das redações, salas de aula e da vida


04 de outubro de 2020

Foto: Montagem

Por Daniella Sallet

Confesso Que Só Ri é um título com assumida inspiração na obra de Pablo Neruda, Confesso que Vivi. Também é um livro autobiográfico, mas, enquanto o chileno escreveu suas memórias no decorrer de vários anos, o gaúcho Marco Antônio Villalobos se isolou por um mês na praia. O livro, pode-se dizer, é um filho da quarentena. “Algumas memórias já estavam esboçadas e, com o distanciamento da quarentena, pude organizá-las e escrever”, explica.  O leitor vai encontrar episódios que aconteceram nas redações ou em reportagens. Um dos relatos é o de um voo inacreditável com o presidente do Paraguai, em campanha para a reeleição. O helicóptero de fabricação russa era pilotado por húngaros, que não sabiam ler o manual e não entendiam a própria localização, em plena viagem.

Com Tatuíra e Honório na época de repórter. Foto: Arquivo Pessoal

Marquinho Villalobos, como é conhecido, é doutor em História e doutor na arte de fazer rir. Mais ainda, tem a capacidade genuína de rir de si mesmo. Mesmo assim, faz questão de dizer que Confesso Que Só Ri  (Editora Connexion) não é um livro de humor porque “falta a principal ferramenta que é o humorista”. Para ele, o humor é coisa séria e relaciona o tema a uma citação filosófica. “Nietzsche dizia que o homem chega a sua maturidade quando ele encara a vida com a mesma seriedade com que uma criança encara uma brincadeira. Então, acho que realmente cheguei à maturidade, estou sempre brincando, dizendo alguma bobagem”, reflete.  A genética, certamente, contribuiu para a maneira de ser e de escrever do jornalista. Filho do falecido humorista Carlos Nobre, a família morou no Rio em 1966.  Nobre trabalhou em rádios e jornais e na TV Excelsior. Nos tempos em solo carioca, conviveram com muitos humoristas, em especial, Lírio Mário da Costa, o Costinha. “Ele tinha uma Kombi azul, e íamos juntos ao Maracanã. Costinha parava na sinaleira, e o povo já começava a rir”, lembra.

Mercedes Sosa entre Marquinho e Clarissa, esposa do jornalista. Foto: Arquivo Pessoal

Casado há 41 anos com Clarissa, pai do piloto comercial Rodrigo e da fisioterapeuta Bibiana - nomes da icônica trilogia O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo -, Marquinho está curtindo a “sobremesa da vida”, como refere-se à condição de avô. A expressão, que ouviu de um amigo, é reveladora. O livro é dedicado à Giovana, de quase 2 anos, e ao neto ou neta que chega no final de dezembro. Muitos episódios engraçados e marcantes, vividos em família, também fazem parte da narrativa, inclusive a produção de documentários que fez no Exterior de forma quixotesca, com a atuação do filho como câmera. “Não tínhamos nem bom equipamento, nem grana para contratar profissionais. Mesmo assim, atuávamos como uma equipe, e o resultado sempre teve muito conteúdo”, fala, citando o documentário sobre o embaixador sueco Harald Edelstam, que salvou centenas de pessoas da ditadura chilena. O filme foi exibido em um canal universitário e premiado pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

Marquinho com a neta, Giovana. Foto: Arquivo Pessoal

O profissional que, por 40 anos, dividiu sua trajetória entre universidades e redações, atuou em emissoras de Porto Alegre. Na RBS, filiada ao Grupo Globo ou na Band RS.  Em meados da década de 1990, o jornalista foi chamado para realizar especiais na Band SP. As redações, aliás, sempre lhe trouxeram grandes amizades. E o livro de Marco Antônio Villalobos também é uma declaração de amor aos amigos, vários deles citados nos relatos.  Na contracapa, o jornalista Marcelo Outeiral, da equipe do Fantástico, define o autor como “um alquimista raro, que tem um caldeirão próprio onde combina jornalismo, política, direitos humanos, viagens, família, amizades, porres e a sutileza exigente das grandes histórias”. Pura verdade. O doutor em História é também doutor em contar histórias. O livro já está na segunda edição, e novas memórias começam a ir para o papel. Porque, segundo Marquinho, na vida “tudo passa, mas fica”. E não há forma melhor de ficar do que num livro, para alunos, amigos e netos.

Quem quiser o seu exemplar, no valor de 35 reais, peça pelo email marcovargas450@hotmail.com

 

Capa. Foto: Divulgação

 

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