Homero Ligere festeja repercussão além-fronteiras da série Última Coisa que Diria a Você

Ele é ator e idealizador da trama criada na pandemia, que faz refletir sobre redenção e o despertar de uma nova consciência


23 de julho de 2021

Foto: Sergio Santoian

O turbilhão de sentimentos vividos em meio à pandemia da Covid-19 fez o ator Homero Ligere, no ar na reprise de Chiquititas, no SBT, ter um insight para a criação da série Última Coisa que Diria a Você. “Me questionei sobre a possibilidade de não termos novamente a oportunidade de dissolver questões pendentes. Essa urgência me impulsionou a falar sobre atitudes em determinadas situações e a maneira como conduzimos a nossa vida”, explica.

Com direção de Gabriel Manso e roteiro de Ana Carolina, a trama conta a história de Pedro, papel der Homero, um advogado que, em um happy hour virtual com colegas de trabalho na quarentena, se dá conta de que é uma pessoa solitária e com dificuldades de se abrir para o mundo. A partir daí, ele repensa as relações e busca a redenção com familiares, amigos e antigos amores através de conversas por chamadas de vídeo.

Realizada pela Anexo Criativo, um coletivo artístico criado na quarentena com o objetivo de fomentar a arte, a produção de 11 episódios, toda filmada remotamente, conta com 11 atores. Além de Homero, nomes como Rafael Primot, Tuna Dwek, Lilian Blanc e Lisandra Cortez. E os frutos do projeto já são muitos. A série já está disponível nas plataformas de streaming Now, Vivo, Looke e, em breve, na latino-americana Klic. Entre os próximos trabalhos de Homero, estão o longa Ciao e a peça Revés.

Você se vê um pouco no personagem da série ou captou momentos de vários amigos e familiares nessa pandemia? O Pedro, assim como eu, se deparou com um abismo diante dessa situação que estamos vivendo e esses questionamentos levaram à criação da série e todos os conflitos ficcionais que o personagem vive nos 11 episódios. Todo mundo tem um pouco do Pedro e, de certa forma, isso faz com que seja inevitável não me ver em algumas situações. 

Como você e a equipe tem visto essa trajetória da série, feita numa pandemia, chegar a canais de streaming conhecidos? Já esperavam isso? Desde o início tínhamos esse objetivo de que a série tivesse essa projeção, mas, diante das circunstâncias, tínhamos nossos pés no chão e sabíamos sobre a importância do contexto geral que estávamos abordando. Mesmo assim, o foco naquele momento foi o de executar. Agora, tendo um olhar analítico da trajetória, vejo uma fluidez natural, onde o projeto ganhou uma força muito maior do que esperávamos e agora está seguindo seu curso e propósito.

Foto: Reprodução Instagram

Qual a principal mensagem ou o que você gostaria que o público da série refletisse após assisti-la? A série fala sobre redenção e a coragem em admitir que somos responsáveis pelos nossos atos. 

Acha que a maioria das pessoas saem transformadas da pandemia ou acha triste ver que muita gente parece nem se sentir tocado? Acho que depende muito do ponto de vista, de como cada um se permitiu a mudança, mas é quase impossível não sair tocado, muito mexido, com mais de 540 mil mortes. 

Falando em transformação. Como você acha que sai desse momento tanto pessoal, como profissionalmente? Saio mais determinado e consciente sobre ambos os lados, valorizando cada segundo da minha vida e as pessoas que eu amo.

Atualmente você está na reprise de Chiquititas, o que mais lembra desse trabalho e se tem vontade de fazer mais novelas? Só tenho ótimas lembranças, principalmente do clima leve e descontraído dentro e fora dos estúdios. Era um ambiente rodeado de excelentes profissionais que fizeram toda a diferença. E, claro, tenho muita vontade de fazer novos trabalhos na TV e estou aberto a novas oportunidades.

Nos últimos tempos, cada vez mais atores estão se autoproduzindo. Você se vê nesse lugar, acha importante? Acho de extrema importância saber qual é o seu papel como artista. Existe uma infinidade de caminhos onde você pode expressar sua arte. Diante disso, acho fundamental o artista ser cada vez mais empreendedor para que ele não vire refém do mercado e se fruste no meio do caminho por falta de oportunidade. Quando você entende que você é sua oportunidade, sua autonomia artística se evidencia.