Tânia Mara volta ao sertanejo

"Pra Rua" fala de empoderamento: “Não admitimos mais traição, homens ferrados"


  • 01 de dezembro de 2017
Foto: Claudia Dantas


Por Claudia Dias

Quem vê Tânia Mara em seu novo sucesso Pra Rua, acha que ela, acostumada com o pop romântico e os temas de novela, está “surfando” na onda do sucesso feminino no sertanejo. Puro engano de quem pensa assim. “Estou voltando às minhas raízes, onde me sinto muito à vontade”, conta. Afinal, nos seus dois primeiros CDs, ela canta sertanejo e, na capa, aparece com chapéu na cabeça.

Tânia recebeu o Portal Arteblitz em sua casa, no Rio, e falou sobre o entusiasmo com o novo hit, o atual momento das mulheres na música e seus próximos projetos. Entre eles, uma nova canção com Simone & Simaria. É conferir o clipe atual e esperar pra ver o que vem por aí!

"Se as pessoas pegarem o meu histórico, os primeiros CDs são com um chapéu na cabeça. Então, não tem essa de que fui para o sertanejo agora porque está na moda as mulheres no ritmo."

Pra Rua

“É a minha música nova, estou empolgadíssima. Realmente, mostra esse momento das mulheres, esse empoderamento. A gente não admite mais traição, não admitimos mais sermos pisoteadas pelos homens. Eles, agora, estão ferrados (risos). É a história de uma mulher que descobre uma traição e coloca o homem literalmente ‘pra rua’. As pessoas estão curtindo muito, o clipe está um sucesso. Muita gente se surpreendeu porque eu também atuei. Não é muito difícil você fazer quando está com raiva de um homem. Nunca tinha batido em ninguém, e aproveitei a brincadeira.”

Parceria

“'Pra Rua' é uma composição do Nivardo Paz, com a Vitória Vargas. Nivardo é um irmão, um cara que conheço desde a minha adolescência, a gente tem várias composições juntos. E ele está em um momento incrível dentro do sertanejo. Estourou com o Cristiano Araújo, Henrique & Juliano, Jorge & Mateus e Simone & Simaria. O grande sucesso delas, 'Um violão e o nosso cachorro', é dele.

"Para mim, não tem muita diferença entre sertanejo e pop romântico, porque o sertanejo de hoje é romântico e é pop."

Sertanejo

“Na verdade, é a minha volta para o sertanejo. Todos os meus trabalhos, mesmo depois dos temas de novela, mais para o pop romântico, foram por conta das dificuldades que encontrei no sertanejo para a mulher. Naquela época, o espaço era muito maior dos homens. E aí, parti para o pop romântico, mas nunca deixei de tocar nas rádios sertanejas. Sempre tive parcerias dentro do sertanejo. Gravei com Fernando & Sorocaba, Paula Fernandes, Roberta Miranda, Zezé Di Camargo & Luciano, que já gravaram composições minhas. Então, é a minha volta. Se as pessoas pegarem o meu histórico, os primeiros CDs são com um chapéu na cabeça. Então, não tem essa de que fui para o sertanejo, porque está na moda as mulheres no ritmo. Estou voltando e me sinto muito à vontade. É voltar às minhas raízes. Eu sou de Goiás, né?

Sertanejo x Pop romântico

“Para mim, não tem muita diferença, porque o sertanejo de hoje é romântico e é pop. Você pega uma música de Matheus & Cauã, a batida é totalmente pop e eletrônica, mas com uma letra romântica e sertaneja, ou uma letra de sofrência, porque sempre teve essa coisa mais rasgada da paixão, do sofrimento e de expor o que sente. É um estilo muito brasileiro, porque o brasileiro é muito romântico. Eu não senti tanta diferença.

"As mulheres merecem. Foram anos de estrada, ralando. O sucesso não chega rápido. Tudo é com muito sacrifício, esforço e por amor à música, senão, a gente já teria desistido."

Mulheres no sertanejo

“Eu acho que as mulheres merecem. Foram anos, muitos talentos da música sertaneja, ralando mesmo. Todas as que estão fazendo sucesso hoje, já conheço há algum tempo. Posso falar de Simone & Simaria. Elas cantavam forró, mas a sofrência já existia na vida delas. Conheço as meninas desde a época do Frank Aguiar. O sucesso não chega rápido. Tudo é com muito sacrifício, esforço e por amor à música, senão, a gente já teria desistido. Quem vê a gente fazendo sucesso, acha que vivemos sempre no glamour. Não é assim. Todo mundo trabalha pra caramba, continua ralando, na estrada, aquela correria. Principalmente as mulheres, que estão sempre acumulando funções. Não é só o trabalho e os shows. Você chega em casa, tem que ver se o filho fez o dever de casa, vai arrumar a mochila do filho, dá atenção ao marido, vê se está tudo em ordem na casa. A mulher tem esse poder que os homens não têm. É um momento que as mulheres merecem, por estarem se superando na vida.”

Muito tempo de estrada

“São 20 anos de profissão. Comecei com 9 anos, o primeiro CD gravei aos 17. É muita história! Quando paro para ver o que já fiz, é muita coisa. Às vezes, até me assusta, acho que estou ficando velha. Mas, é muito amor à profissão e à música. A música movimenta o mundo, toca os corações, muda o humor das pessoas, pode também curar doenças. É uma paixão grande. São muitos anos e eu não consigo me ver fazendo outra coisa.”

"Comecei a cantar com 9 anos. Quando paro para ver o que já fiz, é muita coisa, muita história. Às vezes, até me assusta, acho que estou ficando velha."

Atuando no clipe

“Eu me sinto à vontade brincando. Não quero seguir profissão. Meus irmãos (Roberta e Rafael Almeida) e meu enteado (Jayme Matarazzo) são atores. Mas, eu acho que é uma profissão que exige muita dedicação, como a música, e acho que não teria a dedicação que eles têm e a facilidade em decorar texto. Ainda mais depois que virei mãe. Fiz só de brincadeira para os clipes. Participei de um seriado do Renato Aragão, que amei fazer, foi uma honra. Mas, não passa disso.”

Música nova

“A gente ainda tem um caminho com 'Pra Rua', porque vai ganhar uma versão remix. Ela está estourada no Nordeste. Eu acho que ela ainda vai dar o que falar no Carnaval, mas, em breve, devemos lançar uma nova música de trabalho. Acho que é 'Como uma Luva', que gravei com Simone & Simaria. Já estamos nos organizando para gravar o clipe e mais um pouquinho, a gente lança. 

 

 



Veja Também