Lulu Santos: “É díficil competir com o meu próprio passado”

Orgulho & Preconceito, seu novo single, é dedicado ao namorado


  • 02 de agosto de 2018
Foto: Globo/Raquel Cunha


Por Redação

Nos seus shows, Lulu Santos, pode até desligar o microfone que o público canta sozinho, na capela, pelo menos 25 dos seus grandes sucessos na carreira. A maioria das canções, como ele próprio define, são na “voltagem romântica”.

Indagado se o público, às vezes, pode não se abrir totalmente a um novo projeto dele por ser tão apegado às canções antigas, ele admite: “É muito difícil eu competir com o meu próprio passado”, ressalta.

Um dos técnicos do The Voice Brasil, Lulu vive uma fase especial. Há pouco tempo, o cantor assumiu a relação com o baiano Clebson Teixeira, a quem dedicou o seu mais novo single, Orgulho & Preconceito. E ele conta ainda que prepara um EP até o fim do ano, com 7 faixas.

 

 

Orgulho e Preconceito ?????? Single em 8/18 Do album Lux em 26/4/19 Vd: @lovattoluthier

Uma publicação compartilhada por CantaLulu (@lulusantosoficial) em

 

Você é o "último romântico"? 

Eu sou o último romântico! Não fui eu que me auto-intitulei. Essa canção que lancei em 1983, e não posso deixar de cantar em nenhum show, é uma parceria com o Antônio Cícero, um imortal da Academia Brasileira de Letras. De certa forma, isso virou um epíteto para minha carreira e para minha vida. Da minha obra, o que ficou, aquelas músicas que permaneceram na memória das pessoas, são as que possuem conteúdo romântico. Teve um tempo em que achava que podia ter um foco mais amplo, na verdade, tenho, mas no meu cânone, o que caracteriza o gancho que tem é a voltagem romântica. Quando vejo uma interpretação emocionada, tocante, ouço aquela canção bem interpretada, harmonizada, aquilo é um espelho da emoção que senti ao compor aquilo. O que acontece é uma realimentação da minha emoção através do outro.

Ivete Sangalo credita sucesso à sorte e a uma “energia” de amor

Brown, Teló, Ivete e Lulu: Nova edição do The Voice traz surpresas

Com a sua experiência no The Voice Brasil, acha que os participantes estudam os programas anteriores?

Uma candidata me disse: ‘Eu vi todas as temporadas anteriores, e quando estava ensaiando para cantar aqui, eu sempre escolhia tal técnico’. Então, a pessoa já sabe. A Mariana Coelho, minha candidata no ano passado disse que quando começou a tentar entrar tinha 16 anos. Ela fez 17 durante a competição e assistia ao programa desde os 10 anos de idade. Realmente, as pessoas estão estudando o mecanismo, e antevendo o que vai acontecer para se preparar emocionalmente. Até mesmo para o baque é aquilo. A gente sai do chuveiro para uma apresentação para milhares de pessoas, e existem ali quatro entidades.

Vocês lidam com sonhos. Já aconteceu de você sair do programa muito mal, acreditando que você cometeu algum erro em alguma escolha?

Eu me arrependi de não ter guardado minha possibilidade de Peguei para um menino chamado Marcelo Arquete, que acho que teria sido um finalista. E ele perdeu, porque eu tinha gasto o meu 'Peguei’ de uma outra forma não tão legal.

Você sofre com isso?

Eu acho que sofro mais com as batalhas. Ali é que o bicho pega. O técnico primeiro é o que acolhe, e depois é o que corta. Você muda de papel e até na cabeça deles, eles sabem que é um jogo de eliminação. E para mim, se adaptar a isso é difícil. Eu perco o sono.

Com os colegas de The Voice Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e Michel Teló. Foto: Globo/Raquel Cunha

Um participante comentou que o The Voice não é uma fábrica de carreiras meteóricas. Queria que você comentasse isso... 

Esse megahit tem um quê de loteria. Essas carreiras podem decolar imediatamente, como no caso do Grupo Malta, que saiu do Superstar e virou um grande vendedor de discos, ou podem até mesmo demorar o tempo normal que levou a minha carreira, por exemplo. Meu primeiro disco não foi um grande sucesso, muito pelo contrário, mas ele chamava Tempos Modernos (1982), a canção que está aí até hoje. Carreira é como você desenvolve a sua carreira, e roleta, rola.

Como você enxerga a questão das minorias, porque o The Voice dá a oportunidade inicial aos candidatos de não serem julgados pela aparência, não é?

O nome do jogo é The Voice, então a gente precisa ser privado, de qualquer outra informação, mesmo que o público reaja de forma calorosa a um ou outro candidato e fiquemos curiosos para saber o motivo. Democracia é nosso lema, estamos ali para ouvir, e não para julgar.

Em relação à diversidade musical, hoje se fala muito da mescla da música e de se utilizar várias referências. Como você acha que isso é mostrado no programa, tem espaço para música autoral?

O The Voice é definido regionalmente porque a seletiva vai a cada um dos lugares do Brasil. Quem tem talento, disposição, gana, ambição e vontade aparece para a gente. Se esse talento for traduzível, a pessoa vai entrar naquele balaio. A gente começa com uma seleção regional e, por isso, perguntamos de onde a pessoa veio, porque elas vêm de tudo quanto é canto.

Você acha que as pessoas são tão apegadas às suas músicas antigas que podem possivelmente não se abrirem a um novo projeto que você queira lançar?

É muito difícil eu competir com meu próprio passado. Posso cantar 25 músicas e deixar de cantá-las, que o público acaba acompanhando. Ano passado, fiz um disco com a obra de Rita Lee, e este ano estou fazendo um show chamado Canta Lulu, em que misturo meu repertório com o dessa diva. Para mim, é bom reciclar da ideia de um pop nacional. Claro que é difícil competir com meu passado, mas não sou bobo de fazer igual.

Foto: Globo/Raquel Cunha

O que você está ouvindo agora?

Hoje mudou-se a forma de consumir e oferecer música, então, gravei agora meu single novo chamado Orgulho & Preconceito, e é uma canção dessas com teor emocional muito forte, quente e que gravei com o Head Media, que tem um estúdio de fomentação de sonoridade. São dois meninos chamados Pedro Dash e Dan, e que me foram indicados pelo presidente da minha gravadora, a Universal. Para mim, foi uma dádiva, há muito tempo estava procurando por algo assim. Fizemos uma faixa que é inacreditável, e deixei uma segunda música para eles. Estou ouvindo muito o novo disco do Kanye. Tanto o álbum do Jay Z com a Beyoncé, como o do Kanye, têm 7 faixas. Até o fim do ano, a ideia é termos um EP ou álbum com 7 faixas chamada Lux, que é uma forma carinhosa que me chamam.

O Carlinhos Brown disse que o mercado da música mudou. O que você acha sobre o assunto? 

Eu acho que tem um oferecimento de música como nunca houve hoje. Podemos até pensar em inflação porque tem uma oferta de produto inacreditável, e outra, que música ficou muito barato. Quem sou eu para moralizar? Cultura popular é sociologia. É consumida pela forma como as pessoas estão se relacionando com  as outras, e com a tecnologia. Quanto o alfabeto apareceu era uma mudança tecnológica. Quem não tem serviço de streaming? Eu tenho, todo mundo tem. Eu já estou completamente adaptado à isso e mesmo à ideia do playlist. Eu sou uma cria do álbum, mas tenho achado a playlist muito mais interessante porque te possibilita conhecer coisas, que se você fosse procurar de álbum em álbum seria muito mais difícil. Tenho ouvido e feito minhas playlists e lançarei meu single para engrossar as playlists alheias.



Veja Também