Luka lança a “caliente” Fuego en la Casa: “É autobiográfica, muito real”

Dona do hit Tô Nem Aí faz 15 anos de carreira e tem Henri Castelli como empresário


  • 23 de maio de 2018
Foto: Dodô Villar


Por Luciana Marques

Ao celebrar 15 anos de carreira, passa um filme na cabeça de Luka. Uma menina sonhadora, lá do sul do país, de Porto Alegre, com pouco mais de 20 anos, de uma hora para a outra torna-se sucesso internacional, em 2003, por conta do sucesso de Tô Nem Aí, trilha de Malhação. “Nunca imaginava... Eu pedi um palito e ganhei uma árvore frutífera, foi literalmente isso”, diz.

Com a canção, percorreu o mundo, da Itália ao Japão, mais de 30 shows em Portugal. “Para muitas pessoas no Brasil eu cantei Tô Nem Aí e sumi... Ainda mais que naquela época não tinha nem Orkut para divulgar”, compara. Entre perrengues e altos e baixos da profissão, Luka seguiu trilhando seu caminho, principalmente o que mais sabe fazer: música. Ela também é compositora da Som Livre, e faz canções por encomenda, do samba ao rock...

Agora, em nova fase, tendo Henri Castelli como um dos empresários, ela chega com tudo e pra lá de “caliente”. A cantora acabou de lançar o single Fuego en la Casa, juntamente com o clipe, gravado em Fernando de Noronha e Rio de Janeiro, tendo o próprio Castelli como um dos atores. “É uma música muito alegre, que fala de amor, de paixão, de 'fuego en la casa' mesmo, é de pegar fogo na casa”, diverte-se.

Leia a entrevista, também disponível em vídeo, abaixo, e não deixe de conhecer o novo hit de Luka. Você não vai se arrepender!

Foto: Dodô Villar

15 ANOS DE CARREIRA

Eu acho uma benção viver de música. Eu realmente vivo de algo que eu amo muito. E me sinto privilegiada por isso. Então, são 15 anos de estrada, de muita ralação. Ao contrário do que muita gente pensa, o mundo da música não tem tanto glamour assim, porque você está sempre na estrada, eu tenho várias histórias engraçadas para contar... A gente passa por muito coisa legal, muitos perrengues, mas são 15 anos de experiência, de muita coisa boa.

TÔ NEM AÍ

Ah, Tô Nem Aí foi um presentão de Deus. Eu falo que eu tive dois grandes presentes na minha vida, a minha filha, Luísa Acauan, e a Tô Nem Aí. Principalmente, porque eu não esperava, sabe quando você sonhava como toda a menina do interior, eu sonhava em ser famosa no Brasil. Mas eu nunca imaginava que a Tô nem Aí fosse fazer sucesso mundialmente. Eu pedi um palito de fósforo e eu ganhei uma árvore frutífera, foi literalmente isso. Foi um presente muito maior do que eu tinha pedido.

DIFERENÇA DA LUKA DO INÍCIO DA CARREIRA PARA HOJE

A diferença é a maturidade. Eu acho que hoje eu encaro tudo com muito mais naturalidade. O sucesso na época me assustou um pouco quando tinha aquelas perguntas, e aí como está sendo o sucesso para você? Eu, oi? Onde? Devido à proporção que a coisa tomou. Foi realmente muito além do que eu esperava. Eu era de um selo de uma gravadora pequena, e aí quando estourou na Malhação foi aquele boom. A música foi um hit de verão em 2003, e os gringos que vieram ao Brasil nessa época levaram . Era um trabalho de formiguinha, naquela época tinha CD, e eles levavam para os países de origem. Eu fiz os maiores festivais da Itália, da Alemanha, fiz mais de 30 shows em Portugal, fui para a Áustria, Japão, lugares que nunca tinha sonhado em conhecer. O que me prejudicou um pouco na época foi que a gente não tinha essas ferramentas digitais que a gente tem hoje. Então, para a maioria das pessoas aqui no Brasil, eu cantei Tô nem Aí, e sumi. Enquanto, na verdade, eu estava fazendo shows pelo mundo afora. E hoje se eu fizer um show na Rússia, sei lá, no Paquistão, você, diz, oi galera, tô aqui, tá frio, tudo online... Você tem como comunicar isso. Eu não tinha, nem Orkut tinha.

Luka e a filha, Luísa. Foto: Reprodução Instagram

FILHA, LUÍSA

O nome dela é Luisa (de 13 anos) por causa da música do Tom Jobim. Nossa, ela é um serzinho maravilhoso, um presentão que a vida me deu, talentosa, o pai dela também é músico. Então, ela tem totalmente a musicalidade aflorada, até demais.

ESTILO MUSICAL

Eu sou muito aberta, não tenho preconceito musical nenhum. E eu acho que música boa é a música que te arrepia. A música mexe com todos os sentidos da gente, principalmente agora que a gente tem muita informação. Antes, a gente sentava com a família para ver o lançamento do clique do Michael Jackson no Fantástico, aquilo era um evento. E era um por ano. Hoje você tem uma rotatividade de informações muito maior, então, eu vejo pela minha filha, e ela é o meu grande termômetro. Hoje a música precisa acessar todos os sentidos, precisa ser completa, então, ela tem que arrepiar, é muito mais visual. Por isso, o lançamento do clipe, já, de cara, foi para impactar. Porque a minha nova música é bem caliente.

CANÇÃO EM ESPANHOL

O espanhol é quase um segundo idioma para mim, eu tenho uma avó que é filha de Uruguai, e eu acho que geograficamente também, por eu ser do sul, eu estava muito pertinho daquela região da Argentina e do Uruguai. E sempre tive paixão pelo idioma, o espanhol. E eu sou compositora, eu faço de tudo, samba, e eu acho que foi um momento, é uma música (Fuego en La Casa) autobiográfica, muito verdadeira, muito real, e foi uma inspiração, assim. É uma música muito alegre, que fala de amor, de paixão, de 'fuego en la casa' mesmo (risos).

 

Clipe oficial de Fuego en la Casa

CLIPE DE FUEGO EN LA CASA

O clipe não tinha como fica feio, porque ele foi protagonizado pelo Henri Castelli. E ficou muito bonito, muito colorido, porque o fogo tem essas nuances diferentes, a cada hora dá um tom diferente no clipe. Foram gravadas várias cenas em Fernando de Noronha e outra aqui no Rio de Janeiro.

COMPOSITORA

Eu sou compositora da Som Livre. Eu estou acostumada a fazer musica sob encomenda. Às vezes pedem para um banda de rock, ou um samba. Aí eu procuro o estilo da pessoa... Já mandei música para o Michel Teló, para muita gente. Aí eu vejo o vocabulário, as nuances melódicas, sobre o que fala, e faço a música. E tudo me inspira. Eu acho que todo o artista é um pouco, já até apelidaram, dizem que os artistas ficam no 'mundo da lua'. Mas essa coisa é muito relativa, a gente tem um outro tipo de inteligência, há vários tipos.. Então, eu diria que nós artistas temos um outro tipo de lente, vemos o mundo de outra forma. Enquanto os outros acham que a gente está desligado, a gente está prestanto atenção em coisas que as pessoas não estão vendo. E isso tudo vira música. É muito doido!

PLAYLIST DA LUKA

Olha, minha playlist tem, acreditem, de Björk, tem Queen, Elza Soares, tem muita coisa. Eu acho que toda a música tem o seu momento, ambiente. Eu amo carnaval, mas não ouço samba-enredo o ano inteiro. Tenho ouvido muitas coisas atuais, amo Beyoncé, Rihanna, mas, ao mesmo tempo, a minha escola foi muito forte Elis Regina, me influenciou demais. Ela tinha um jeito rock and roll de cantar, apesar de cantar sempre música popular brasileira, e ter um repertório respeitável e muito vasto, ela tinha o rock and roll nas cordas vocais. Então, isso me inspira demais. Foi uma grande escola para mim. Mercedes Sosa também ouço, muita coisa latino americana. Jorge Drexler, Fito Paéz.

HENRI CASTELLI EMPRESÁRIO

O Henri também foi um presentão na minha vida, é um cara sensacional. Eu conhecia o trabalho dele como ator, mas não o conhecia como pessoa. Ele se tornou um grande amigo, além de ser meu empresário. E foi muito engraçado, porque eu estava cantando numa festa e ele me viu cantar. E me disse: 'Eu vou te empresariar'. Eu pensei que ele estava bricando, o cara está na festa, feliz da vida, não levei muito à serio... E foi verdade! Ele falou uma coisa muito bonita, ele e a Mafe (Maria Fernanda Saad), que é a minha outra empresária. Eles falaram, a gente não sabe o que te aconteceu antes com a Tô nem Aí, mas a gente sente que você está muito preparada agora para o sucesso. E isso fez com que eu me arrepiasse na hora, foi meio como uma premonição. Só que eu nem imaginava que isso tudo de bom fosse acontecer.

Agradecimento: Tea Shop Rio Design Barra. Av. das Américas, 7777 – Barra da Tijuca. Piso Térreo – loja 156.



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