João Sabiá sobre o novo álbum, JOÃO: “Soltando mais a poesia”

Ator e cantor, que é produtor do disco, ressalta que sua meta é trabalhar com alegria


  • 04 de outubro de 2018
Foto: Divulgação


Por Luciana Marques

João Sabiá teve projeção nacional ao participar Fama, em 2004. Mas sua ligação com a música vem bem antes disso, quando ainda era novo. Na “discoteca” do seu pai, ele ouvia mestres como Tom Jobim, João Gilberto, Roberto Carlos, Elis Regina, Steve Wonder... “Sempre tive acesso a bons discos e instrumentos”, conta.

Após participar do reality musical da Globo, em que acabou em terceiro lugar, ele foi convidado a atuar na minissérie Hoje é Dia de Maria. Desde então, também atua, principalmente, quando o papel tem a ver com a música, como foi no longa Simonal, em que deu vida a Erasmo Carlos. “Experiência maravilhosa”.

Atualmente, o ator e músico trabalha na divulgação do novo álbum, JOÃO. É o primeiro produzido totalmente por ele, com cinco canções suas e três em parcerias. “Neste trabalho aparecem mais canções de andamento lento e letras sobre relacionamentos”, explica ele, que faz parte do seleto time da TRAMA, de João Marcello Bôscoli. A música Me Responda, com a participação de Luiza Possi, já é um grande sucesso.

Foto: Divulgação

Como iniciou a sua relação com a música, foi ainda novo?

Meu pai tocava guitarra e violão e chegou a ter uma breve carreira de músico, mas parou e se tornou administrador de empresas pouco antes de se casar. Mas, por ele ser músico, sempre tive acesso a bons discos e instrumentos. Minha relação com a música vem de bem pequeno.

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E profissionalmente, quando você viu que era isso que queria seguir na sua vida?

Já tinha bandas e fazia pequenos shows desde os 17 anos, mas só comecei a levar a sério mesmo aos 20 anos, quando resolvi focar na música como profissão. Nesta época já fazia aulas de canto e expressão corporal, além de ser crooner de uma orquestra que se apresentava nas noites da Lapa, no centro do Rio de Janeiro.

Desde novo, quem eram suas referências na música?

João Gilberto, Tom Jobim, Jorge Ben Jor, Simonal, Tim Maia, Marcos Valle, João Donato, Elis Regina, Roberto Carlos, James Brown, Michael Jackson, Stevie Wonder... Tudo isso eu conheci na discoteca do meu pai.

Qual a importância da participação no Fama na sua carreira?

Foi um grande incentivador para minha carreira. Estava com 23 anos, e participar do programa me deu uma projeção nacional e a sensação de que estava no caminho certo. Ali também surgiu o convite para participar da minissérie Hoje é Dia de Maria, quando iniciei a minha carreira de ator.

 

 

A gente sabe que ser músico no Brasil não é nada fácil. Como tem visto a evolução de sua carreira, acha que tudo tem acontecido no tempo certo?

No Brasil pouca coisa é fácil... Não sou muito apegado ao tempo. Me sentir bem e trabalhar com o que me propus é uma meta de vida para mim. E venho conseguindo até aqui. Independentemente de ter mais ou menos reconhecimento, fazer o meu trabalho com alegria é o que me importa. O resto vem!

Com a internet, a chegada forte das plataformas digitais, youtube, ficou mais fácil para os músicos mostrarem o seu trabalho, já que antigamente era bem mais difícil emplacar uma música na rádio, num programa de TV. Como você vê o mercado hoje?

O mundo mudou e a maneira de se consumir música também. Hoje em dia existem milhares de artistas e milhares de álbuns disponíveis na palma da mão. Fica bem mais difícil se destacar na multidão. Mas por outro lado, fica mais fácil cuidar do seu público e se relacionar com ele de maneira mais pessoal, o que acho um grande ganho para os artistas. Acredito que quem tem qualidade e conteúdo, fica. E quem aparece impulsionado por modismos e tendências momentâneas, desaparece. Por enquanto tem sido assim.   

Você acaba de lançar o seu quarto disco, JOÃO. O que ele tem de diferencial em relação a seus outros trabalhos?

Este é o primeiro álbum que produzo sozinho. Compus todas as faixas sendo cinco sozinho e três parcerias. Neste trabalho aparecem mais canções de andamento lento e letras sobre relacionamentos. Um estilo de canção que venho sempre apresentando nos álbuns, mas que nesse disco ganhou mais espaço. O destaque do disco está na participação especial de minha amiga Luiza Possi na faixa Me Responda.  A canção ganhou as rádios de todo o Brasil e estamos muito felizes com a repercussão.

Com Luiza Possi, que faz participação na canção Me Responda. Foto: Divulgação

O que mais inspira você a compor, do que mais falam as suas músicas?

O dia a dia. A vida acontecendo. Grande parte das minhas composições são histórias que vivi. Às vezes contadas de maneira bem fiel, e outras de uma forma mais romanceada. Gosto de observar as pessoas, as atitudes e reações. Mas tenho ido para outros caminhos ultimamente. Soltando um pouco mais a poesia.

Você faz parte do time da Trama. Como está sendo trabalhar com o João Marcello Bôscoli, tem também um projeto bacana de vocês dos 60 anos da Bossa Nova, né?

A Trama tem uma história linda. Lançou vários artistas que gosto muito e sou grande fã do trabalho deles. O João Marcello se tornou um grande amigo desde que vim morar em São Paulo. E como bom filho de um ilustre Bossa novista (Ronaldo Bôscoli), nos reconhecemos rapidamente. Temos feito algumas apresentações homenageando os 60 anos da Bossa Nova, que acabam sendo na verdade uma extensão de nossas conversas e rodas de violão. Gosto das histórias e ele também, então isso acabou virando um espetáculo.

Você está muito dedicado à música, mas sempre que pode faz algum trabalho como ator. Dá para dividir bem esses dois trabalhos, música e atuação?

Dá sim. Tudo é uma questão de agenda. Gosto muito de atuar e acabo sempre me envolvendo em algum projeto. Costumo dar preferência a projetos para atuar que envolvam música, mas todos os convites são bem vindos!

Como foi dar vida a Erasmo Carlos no filme Simonal, fale um pouco sobre esta experiência...

Poder interpretar Erasmo Carlos no cinema contando a história de Wilson Simonal foi realmente uma experiência maravilhosa. Conheço bem a história dele e sou fã desde pequeno. Simonal me influenciou muito, assim como o Erasmo Carlos. São ícones da nossa história e poder vivenciar um pouco dessa atmosfera como ator foi muito divertido. Um sonho!



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