Diogo Gameiro apresenta o álbum autoral Olho de Baleia

Ele traz rock com influência grunge de Seattle, e fala do papel de Nando Reis na sua carreira


  • 12 de agosto de 2018
Foto: Carol Siqueira


Por Luciana Marques

*Veja a entrevista também em vídeo, abaixo.

Multi-instrumentista, Diogo Gameiro apresenta Olho de Baleia, seu segundo álbum, um trabalho quase totalmente autoral. Segundo o músico, o disco é de rock and roll, sua paixão, com influências de bandas daquela época grunge de Seattle em faixas como Maré Alta e Finge Encontrar Outro Amor. “É um disco muito mais maduro, tanto na produção, quanto na composição, nas letras”, define, em comparação ao primeiro álbum, Casa Rosada.

Há 14 anos na estrada com Nando Reis, Diogo diz que foi com o parceiro que ganhou autoconfiança e coragem para mostrar a sua música. “ Ele é um cara muito verdadeiro, real, tudo que escreve são coisas autobiográficas, e você precisa ter coragem para mostrar isso às pessoas. Ele me ensinou muito!”, diz ele, que no fim de agosto deve lançar.

Capa do CD Olho de Baleia. Foto: Divulgação

Quando, efetivamente, você percebeu que a música seria o caminho que você gostaria de seguir?

Eu comecei a tocar bateria cedo, com 10 anos já me envolvi com a música. Na verdade, comecei a fazer aula de violão e gostava de ficar batucando em casa, e um dia o meu pai apareceu com uma bateria. E diz o meu irmão que a facilidade que eu tive para lidar com o instrumento foi muito grande, então, fui me aprimorar, comecei a estudar. E aos 15 anos, eu era muito vidrado, ficava enfurnado no quarto, estudando, 4h a 5h por dia. Equilibrava um pouquinho com a escola, mas acho que foi nessa época que eu falei: 'É isso que eu quero pra minha vida. É isso que eu vou brigar para ser mesmo!

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E quem eram as suas referências?

Sempre gosto de falar que referência é tudo que está ao nosso redor. Naquela época, eu ouvia muita música que meu pai ouvia, a gente viajava bastante de carro pelas estradas do Rio de Janeiro, e meu pai ouvia muito Beatles, Chico Buarque, Fagner, Djavan, muita música clássica. Então, de certa forma eu era influenciado por esse tipo de música que ele ouvia, até eu realmente amadurecer e procurar. Nasci em 1978, então, peguei todo o boom dos anos 80, do rock do Brasil, e tudo que vinha de fora, principalmente da Inglaterra. E o meu pai e meu irmão compravam muito LP, e eu também ouvia muita rádio, adorava. Então, tudo de rock que tocava, The Cure, The Smiths, Supertramp, Beatles, e muitas coisas do rock da Inglaterra eu ouvia. De uma forma geral, isso tudo me influenciou nesse primeiro estágio da minha formação musical.

Com o parceiro Nando Reis. Foto: Reprodução Instagram

Qual a importância desse tempo de parceria com o Nando Reis, e o que você mais aprendeu com ele?

São 14 anos com o Nando. É engraçado, porque o natural seria dizer, eu saí aqui do underground carioca, tocava com uns artistas pontuais no Rio, nunca tinha tocado com artista de nome no Brasil, então, comecei a tocar com o Nando... E poderia dizer que aprendi muito com a estrada, como funciona o mercado. Isso é o natural. Mas o que gosto mais de citar é que o Nando me ensinou. Foi nesse período ao lado dele que adquiri uma certa autoconfiança, de que poderia ter um trabalho, que as coisas autorais que fizesse realmente poderiam ser boas, bacanas. Porque a gente tem sempre a tendência a não acreditar que aquilo que a gente faz é bom, e ele foi uma referência grande nisso para mim. Ele é um cara muito verdadeiro, real, tudo o que escreve são coisas autobiográficas, e você precisa ter coragem para mostrar às pessoas, a expor sua vida dessa forma. E eu acho que esse período que conheci o Nando, aprendi a ter mais coragem, a olhar ele como um espelho, de que a gente tem que aceitar que aquilo que a gente faz ali é verdadeiro e é bom também.

Por Um Triz faz parte do álbum.

Em 2015 você lançou o seu primeiro CD, acha que demorou ou foi no tempo que tinha que ser?

Acho que sim. Na verdade, não foi nada programado, tudo meio que aconteceu, embora o desejo fosse muito grande, dessa minha carreira solo, mas meio que explodiu... No final de 2013, perdi a minha mãe, e acordei em 2014 com aquela sensação de que ninguém vai fazer mais nada pela gente. Então, a gente tem que fazer sozinho, acordei precisando fazer um trabalho, estava com muita coisa dentro de mim. Não sei necessariamente se esses anos foram o suficiente para maturar, porque não vinha fazendo coisas, meu trabalho só meio que explodiu. Mas óbvio que internamente aquilo que você vai adquirindo uma hora vai, por mais que talvez não seja claro. Então, esses 10 anos foram importantes na minha vida de alguma forma.

Foto: Carol Siqueira

Fale um pouco sobre o álbum Olho de Baleia...

É o meu segundo disco, e compus ele ainda fazendo a turnê do primeiro álbum, não uma turnê de shows, porque viajo com o Nando. Mas para onde ia, levava os meus discos e vendia, consegui vender todas as cópias. Então, ali foi um período em que eu compus entre essa 'turnê' do primeiro disco, até a começar a produzir de fato o segundo. E foi um período de muita efervescência criativa. Ele é um disco muito pessoal, tem quase que 90% de coisa autobiográfica. Estava passando um período necessário da minha vida para poder fazer e compor essas músicas que estão nele. É um disco mais maduro, o primeiro é um pouquinho mais variado, ainda tinha bastante coisa de rock, mas algumas coisas de violão, e umas mais pop. No primeiro, eu não tinha nem equipamento para entrar no estúdio, então, nesse, eu tive a chance de comprar equipamento, saber exatamente o que queria. Por isso é um disco muito mais maduro, tanto na produção, quanto na composição, letras.

Desconstrução também está no CD.

Qual o estilo?

É um disco de rock com as influências que eu tenho, muita coisa americana, daquela época grunge de Seatlle, Soundgarden, principalmente, uma banda que sou apaixonado, e uma coisa da música alternativa americana que eu gosto de falar que é Red Hot Chillie Peppers, uma banda que eu amo. Então, acho que foi um todo que eu pude me aprimorar melhor, na produção desse disco. Estou bem próximo daquilo que quero chegar daqui pra frente.

Tem mais alguma novidade de trabalho?

Eu estou prestes a lançar um single novo, no final de agosto, possivelmente dia 31 de agosto, que é uma releitura de uma música do Geraldo Azevedo e Fausto Nilo, chamada Dona da Minha Cabeça. Eu fiz uma releitura mais pro rock. Então, vocês vão poder ouvir em todas as plataformas.

Agradecimento: Tea Shop Rio Design Barra. Av. das Américas, 7777 – Barra da Tijuca. Piso Térreo – loja 156.



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