Daniel fala de fé, conquistas e dos sonhos com o saudoso João Paulo

“A imagem é de nós começando a dupla de novo. Sinto que estaríamos juntos ainda”


  • 25 de dezembro de 2017
Foto: Fábio Nunes


Por Ana Júlia

O cantor Daniel é um daqueles casos à parte entre estrelas do show business. Educado, simples, gentleman, talentoso, conquista todos a volta, não só o público, a classe, a mídia. Tanto que ganhou o apelido de “Príncipe de Brotas”, em participação como técnico do The Voice Brasil. Por tudo isso e, claro, por admirarmos também o seu trabalho e trajetória, o escolhemos para ser o entrevistado do Portal ArteBlitz, neste dia especial de Natal.

Para o astro, não há uma receita pronta para esse sucesso todo em 35 anos de carreira. “Acho que o talento em primeiro lugar, a sorte também. E, com certeza, a minha forma de ser, de agir, essa coisa tão forte que me liga ao meu público”, diz.

Nessa sua trajetória sólida, iniciada na dupla com o amigo João Paulo, morto em um acidente, em 1997, são muitas lembranças e histórias. Desde então, o cantor segue trilhando seu emblemático caminho na música. Esse ano, ele lançou o 19º disco, intitulado Daniel, que lhe rendeu o Grammy de Melhor Álbum de Música Sertaneja.

Em um papo descontraído e franco com o Portal ArteBlitz, Daniel fala de fé, da chegada dos 50 anos e faz algumas revelações. Entre elas, sobre os  sonhos que tem sempre com João Paulo. E ainda convoca os fãs para o show, Daniel em Casa, dias 25, 26 e 27 de janeiro, que já está virando tradição, no Cine São José, em sua cidade Natal, Brotas.

Leia a entrevista ou veja o vídeo abaixo, e se encante ainda mais pelo cantor, pai de Lara e Luiza, da união com Aline de Pádua.

Foto: Fábio Nunes

Como surgiu a ideia de começar o ano cantando literalmente em “casa”, na sua terra?

É um show que me deixa à vontade, como se fosse a recarga de uma energia realmente. É um lugar diferente para mim, inusitado, em que comecei a cantar cedo, quando tinha 9 anos. Nesse mesmo espaço, tinha a rádio Brotense. E no palco do Cine São José, eu me apresentei várias vezes, sozinho, junto do saudoso João Paulo, participando de festivais, eventos. Então, para mim, é como se, literalmente, eu estivesse em casa, além de estar realmente em casa, na minha terra natal. Virou um ponto de encontro. Diria que é um show diferente para a gente começar o ano com o pé direito.

Já pode falar um pouco sobre as novidades do show este ano?

Na verdade, ele não tem novidade. Ele me dá uma oportunidade a mais de a gente estar testando coisas ali dentro. O que quero esse ano é estar trazendo basicamente o meu repertório. É um show que me aproxima muito do meu público. Procuro deixar eles à vontade, para que se sintam no meu lar. Mas não tem nem condições de fazer uma superprodução. O que manda realmente é o repertório, esse tête-à-tête, eu e o meu público, pessoas da minha terra, amigos, família, os que vem de fora.

Foto: Reprodução Site Oficial

O que Brotas significa na sua vida?

Significa tudo. Não me desvinculei de lá em nenhum momento. A não ser pelas viagens que sempre fiz pelo Brasil, de cumprir com minha agenda, plantar a minha história. Mas, Brotas, para mim, é o meu ponto de partida, a minha fonte inspiradora, é a minha terra. Eu amo meu lar, tudo o que aconteceu comigo na minha cidade foi marcante. A minha infância, a adolescência, época de escola, em que comecei a fazer amizades que permanecem até hoje. Brotas como um todo é marcante, cada volta ao lado da família, dos amigos...

Voltando para os anos 80 e 90 quando você fez sucesso com o João Paulo. Quais as melhores lembranças dele e da época?

O bom dessa vida é que a gente consegue estar lembrando de momentos bons, e meio que dar uma deletada na nossa cabeça de coisas que não foram legais. Então, essas duas décadas foram cruciais na minha vida. Mesmo porque era o começo de tudo, estava ingressando na carreira, estávamos formando a dupla, eu e o parceiro João Paulo. Todos os momentos que passei com ele foram de conquista, do passo a passo, do início de tudo. Da vontade de vencer, de ter um lugar no coração das pessoas. O primeiro festival de música que a gente ganhou, o primeiro disco de ouro, a quantidade de público nos shows. A primeira vez que a gente fez o circo, o início de tudo. Posso dizer que, graças a Deus, todos os anos que vivemos juntos, a maior parte dos momentos foram de alegria, de felicidade, de conquista, de valorizar cada vez mais a parceria um do outro.

Se ele estivesse vivo, sente que ainda estariam juntos hoje?

Olha, é engraçado, ele faz parte dos meus sonhos. E cada sonho que tenho com ele, acontece a mesma coisa. A gente está começando a dupla novamente. Então, sinto que se ele estivesse vivo, com certeza, a gente estaria junto. A gente não sabe também... Mas acredito que sim, se fosse pela minha vontade. Fico imaginando, às vezes, o que estaria acontecendo, o que a gente estaria trilhando, trazendo de útil para o nosso público. Tenho a honra de dizer que deixamos um pequeno legado juntos na vida de tantos artistas, que hoje estão ingressando em carreira. Então, seria superinteressante se ele estivesse aqui e a gente pudesse estar cantando juntos.

- Se pudesse escolher um nome de livro para definir a sua trajetória, qual seria, e para quem dedicaria?

Se tivesse um livro ou um título que pudesse escolher, seria 'Estrada Vitoriosa'. Ou seja, poder ter chegado até aqui,trilhado tudo isso. Me considero uma pessoa realizada e muito vitoriosa. E dedicaria, sem sombra de dúvidas para a minha família, que amo e é tudo para mim, para meus fãs e todos que fazem parte da minha história, porque sozinho não teria chegado até aqui.

Em 2018 você completa 50 anos. Quais os ganhos com a idade?

Realmente, 2018 é uma data redonda na minha vida, 50 anos de idade muito bem vividos. É lógico que a gente sente uma diferença absurda da década de 80, de quando era jovem para hoje. A coisa do amadurecimento, de tudo o que passei, das experiências que a vida nos oferece, aprendizado. Diria que hoje sou uma pessoa ainda mais consciente das coisas, mais calmo. Além de todas as diferenças que a gente sente até no corpo, o cansaço mais próximo, de repente uma ruga aqui, uma marca de expressão ali. A gente tem que aprender a conviver com isso e aceitar. Envelhecer bem, esse é o grande lance. Hoje vejo um Daniel mais paciente com as coisas, diferentemente do jovem Daniel que queria que tudo acontecesse ao mesmo tempo, abraçar tudo e todos. Enxergava o mundo de uma forma diferente. Agora já sou pai. Então, é muita diferença de lá para cá. Me vejo uma pessoa mais sensível talvez, mais à flor da pele. A música me favorece nesse sentido também, tem esse poder.

Foto: Reprodução Site Oficial

Como iniciou essa sua ligação forte com Nossa Senhora Aparecida? 

Sem sombra de dúvidas, tenho um carinho todo especial por Nossa Senhora Aparecida. Esse ano é do seu jubileu, são 300 anos de aparição da imagem. Estive em Aparecida, muita gente lá comemorando. E ela se fez presente na minha vida muito cedo, era criança, essas influências da religião tive dentro de casa, com a família, somos católicos, por essência. Mas eu sou muito espiritualista, trabalho o meu espírito. E a fé na vida da gente é fundamental. É ela que nos move, independente de religião, de raça, de credo, é essa fé que a gente emana de dentro que nos dá forças para seguir em frente, ir atrás dos nossos sonhos.

Como você tem visto a ascensão das mulheres na música sertaneja?

Eu fico muito feliz, até mesmo porquê, elas já fazem a diferença há muitos anos, desde as irmãs Galvão, as Marcianas, as Mineirinhas, Sula Miranda, Sula Mazurega, Roberta Miranda, Paula Fernandes. E, agora, essas jovens que estão chegando, Simone e Simaria, Naiara Azevedo, Marília Mendonça, um super nome, Maiara e Maraisa. Enfim, está aí a grande prova do que fala mais alto é o talento, a potencialidade, o respeito ao público, um trabalho bem feito. Parabéns, meninas, sejam bem-vindas sempre. Sem as mulheres, a gente não seria nada nessa vida, nós não seríamos nada sem a presença feminina.

- Fale um pouco do novo single Desandou, do clipe...

Eu estou muito feliz com esse trabalho mais recente. É um projeto de canções inéditas, são 10 músicas. Uma produção do Dudu Borges. E tivemos a honra de ganhar esse prêmio incrível, que é o Grammy. Um projeto, com DVD e CD, gravado em estúdio, com banda ao vivo. E estou feliz lançando essa nova canção, Desandou. Fizemos um clipe na minha ida a Europa, na passagem por Portugal. Está sendo o maior sucesso. É prazeroso ver uma música nova dando certo. Ainda mais num mercado que a gente se depara com tantos talentos, potenciais, agilidade com as coisas, você trazer algo inovador e que dê certo, é muito legal. E, quem sabe, em 2018, venham novos projetos. A gente vem com um documentário e, possivelmente, possa trazer um pouco mais dessa história do 'Meu Reino Encantado', desses clássicos sertanejos que fazem parte da minha história, da minha vida. 



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