Clóvis Pinho: “Ser músico no Brasil é difícil, cristão mais ainda”

Vocalista do Preto no Branco, do hit gospel número um do mundo, fala do novo EP


  • 22 de fevereiro de 2019
Foto: Diego Ruahn


Por Luciana Marques

Uma das bandas mais importantes do segmento gospel, Preto no Branco acaba de lançar o EP Segundo Tempo, com três faixas, e com o seu diferencial de sempre: a ousadia. “Há muita gente fazendo a mesma coisa. A gente arrisca mais...”, constata o vocalista Clóvis Pinho.

No novo trabalho, com repertório autoral, há a participação do rapper Kivitz, na versão ao vivo de Se Organize; dos sertanejos César Menotti & Fabiano, em Com Você Eu Topo; e do cantor Marcos Almeida, em O Autor. “É um trabalho que tem a ver com gente que acredita na vida e não desiste dela”, conta Clóvis, autor das canções junto de Estevão Queiroga.

Com quatro anos de estrada, a Preto no Branco tem um recorde em sua trajetória. O vídeo de Ninguém Explica Deus, o primeiro sucesso do grupo, foi o 9º mais assistido no país em 2016, dividindo o ranking com Justin Bieber, Rihanna e Adele. Até hoje já soma mais de 440 milhões de visualizações.

Clóvis com César Menotti e Fabiano. Foto: Diego Ruahn

Qual é o diferencial deste trabalho, Segundo Tempo?

Além das participações de gente que a gente nunca trabalhou e sempre quis, é a mensagem da música, a roupa que a gente escolheu de mandar essa mensagem e receber. É uma forma muito cotidiana, atualizada. A gente foi eleito na internet e lá os jovens que mandam, e nos sentimos na obrigação de fazer isso carinhosamente. Trazemos um repertório com uma linguagem totalmente atual para que as pessoas não se sentissem distantes da mensagem que a gente acredita, a cristã.

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No clipe de Se Organize, com a participação do Kivitz, tem até o bonequinho de um rapper interagindo. Um diferencial sempre do trabalho de vocês é a inovação, né?

Realmente estamos sempre nos empenhado para que a gente seja verdadeiro naquilo que acredita. Eu sou baiano, o baterista da banda também, e a gente sentiu que chegou a hora de caprichar no nosso DNA e deixar ele bem mais explícito do que nos outros dois projetos. Foi daí que nasceu Se Organize e outras canções que fazem parte desse repertório. A base tem sido a nossa vivência na Bahia, nossa partilha com vários músicos de lá, o que a gente aprendeu e pode aplicar por aqui.

Você diria que essa “ousadia” que vocês estão sempre trazendo, propondo, é um dos pontos que faz vocês se manterem entre os grandes, fazendo sucesso?

Acredito que sim! A gente arrisca mais... Como é o mercado? O mercado da música evangélica é de pessoas que estão acostumadas a fazer de um jeito porque sabem que aquele jeito dá certo. Só que há muita gente fazendo o mesmo. E quando surgiu a oportunidade do Preto no Branco, a gente falou, não, cara, a gente tem que aproveitar que a gente é jovem e ainda dá uns passos para criar mais responsabilidades com a família, por exemplo, e ter essa obrigação de defender o pão. E como a gente não chegou nesse estágio, a gente pode se dar ao luxo de arriscar um pouco mais hoje. E como deu certo, a gente tem certeza que a gente encontrou o nosso caminho dentro dessa fatia.

 

 

Em algum momento, vocês tiveram alguma crítica em relação a essa ousadia, até do próprio meio cristão?

Sim! A gente vive recebendo essas críticas, mas a gente critica também. A gente acredita que todo o sistema que faz com que as pessoas se comportem como robôs, todo o mundo fazendo a mesma coisa, com a mesma mente, é um sistema que aprisiona. Então, a gente é da comunidade cristã, mas a gente gosta de falar de dentro para fora, a gente vai falar de uma forma, de modo que nos comprometa ainda mais, da nossa verdade cotidiana. E não daquilo que muitos profetas escreveram e está registrado dessa forma. A gente vai retirar a essência e usar nossas próprias palavras para reinventar isso.

Você é autor de várias canções da banda, de onde vem a inspiração?

Ela vem do cotidiano, da sofrência, da vida, das alegrias. É como todo o compositor. O pessoal pensa que o cristão fica meditando ali, tem um ritual de jejum para buscar uma canção. Mas na verdade isso já foi dado pra nós. A própria vida se encarrega de inspirar a gente e fazer com que a gente possa proliferar isso de alguma forma e transformar numa arte palpável para as pessoas.

Foto: Diego Ruahn

A gente passa por um momento difícil, político, econômico, o que vocês mais querem passar de mensagem agora com esse EP para as pessoas?

A gente quer passar o preconceito zero. A gente entende que o país é um estado preconceituoso, existe muito preconceito dentro da igreja também. E a gente quer ser mais um desses guerreiros que vão ser voz para muita gente que não tem voz tanto dentro quanto fora da igreja.

Vamos falar um poucos sobre o megasucesso Ninguém Explica Deus. Já caiu a ficha que vocês tiveram mais de 440 milhões de views desse vídeo no Youtube?

Nossa, todos os dias a gente se assusta, sinceramente. Mesmo depois de anos, acho que tem dois, três anos que essa música foi lançada, ela continua. Além de ser a música número um no segmento cristão do mundo, essa canção ainda tem 500 mil acessos por dia. Por isso a gente se assusta tanto. Por que isso, por que as pessoas curtem tanto essa música? Acho que a gente conseguiu falar de Deus assumindo que a gente não explica ele, mas simplificando, desmistificando esse tema que as pessoas gostam de falar de um jeito aterrorizante ou que cause medo. A gente falou de uma forma suave e simples.

 

 

A banda começou em 2015, acha que tudo tem acontecido de forma natural, como tem que ser, porque não é fácil, né?

Ser músico no Brasil não é fácil. Ser músico cristão é mais difícil ainda. A sua pergunta me fez refletir agora profundamente... Mas realmente não é fácil fazer música no Brasil, a gente tem colhido isso como verdade, a gente é uma banda nova. Mas tudo aconteceu de uma forma muito natural, a explosão, tudo o que tem rolado ao redor do Preto no Branco. Éramos uma banda de quatro cantores, hoje a banda tem um único cantor e uma formação nova. Imagina o quanto é difícil viver essa fragmentação e poder otimizar isso, transformar isso numa novidade boa, ao invés de algo que veio a se tornar um problema. Então para nós têm sido um desafio atrás do outro. Mas a gente acredita que a mensagem faz o diferencial. A gente está curtindo muito essa fase, e a gente espera que Preto no Branco fique por muito tempo.

Por que as pessoas tem que ouvir o novo EP do Preto no Branco?

A galera tem que conhecer porque é um trabalho diferente que tem a ver com gente que acredita na vida, que não desiste dela. A mensagem é totalmente voltada para que a gente possa levantar, mesmo que tenha caído por um tempo. E possa se erguer, acreditar sempre nos sonhos e na possibilidade de um futuro melhor para o Brasil, para a nossa vida. Quero convidar a galera para se organizar e vir curtir com a gente o Preto no Branco, que está bom demais.



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