Cassiano Andrade: Compositor dá o "ritmo" em Segundo Sol

Em fato inédito, ele assina cinco canções na trama como Sal na Pele e Porto de Abraçar


  • 15 de outubro de 2018
Foto: Divulgação


Por Luciana Marques

* Entrevista também disponível em vídeo, abaixo.

Quem é telespectador de Segundo Sol já escutou várias vezes o hit Sal na Pele, de Clovinho (Luis Lobianco) e Gorete (Thalita Carauta), ou Porto de Abraçar, canção composta por Miguel/Beto Falcão (Emílio Dantas) e Luzia/Ariella (Giovanna Antonelli). Mas para quem não sabe, quem está por trás destes sucessos é o compositor Cassiano Andrade. “É uma emoção sem tamanho, porque a gente batalha tanto. E, às vezes, o compositor sofre, não divulgam o nome... Então, dá um orgulho danado”, diz.

Cantor e violonista, o artista tem mais de 1000 composições, solo e em parcerias, em estilos que variam entre a MPB, o pop e o samba, ritmo no qual enveredou recentemente. Cassiano, que já teve músicas gravadas por Alcione, Arlindo Cruz, também é compositor da Som Livre. E na trama das 9, assina ainda Seu Lar, Nosso Amanhecer e Pra Sempre. E isso lhe rendeu um recorde, já que não há registro de um único autor ter cinco canções na mesma novela.

Apresentador do programa Bar MPB, na Rádio Antena 1 (FM 103,7), Cassiano prepara o lançamento do segundo CD, Mil Maneiras (de falar de amor). E o Portal ArteBlitz bateu um papo super descontraído com o músico, que falou sobre a carreira e a criação dos sucessos para Segundo Sol.

Foto: Divulgação

Como iniciou a sua relação com a música?

Eu ouço música desde pequeno, meu pai foi radialista, então a gente ouvia muitos discos. A minha maior influência sempre foi o pop nacional e a MPB, e depois de um tempo comecei a ser também influenciado pelo samba, pela música nordestina e muito pelo clássico pop americano, Stevie Wonder, Michael Jackson. Mas desde pequeno sempre fui afinado. A primeira música que eu cantei para a família foi da Amelinha, e falava: 'Foi Deus que fez o céu… rancho das estrelas… fez também o seresteiro para conversar com elas…'. É linda essa musica! Eu não sei quem é o compositor, mas um dia eu vou gravar!

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E como você se enveredou profissionalmente para a música?

Essa história é engraçada, porque sempre fui atleta. Você olha pra mim, estou um pouquinho acima do peso, então não parece, mas eu era jogador de futebol, cheguei a ser federado no Rio de Janeiro pelo América. Morava em Petrópolis e descia todo dia. E quando eu vi que ia repetir de ano, sem interferências dos meus pais, decidi: 'Não, não quero repetir, quero terminar esse ciclo de estudos'. E aí meio que abandonei o futebol, voltei a jogar amadoramente. E nesse momento comecei a tomar contato com instrumento, já conhecia um pouco porque meu pai tocava violão. Mas ali eu comecei a tomar um contato maior, foi quando percebi que a minha vocação não estava para o esporte, estava para a música, para a arte.

 

Cassiano canta a sua composiçao Sal na Pele, sucesso em Segundo Sol.

Conta pra gente quais artistas já gravaram músicas suas...

A primeira artista famosa que me gravou foi a Alcione. E tem uma história interessante porque ela também foi a primeira pessoa que me pegou no colo, fora do convívio da família, quando eu não tinha nem um ano de idade. Acho isso é emblemático! É uma música minha em parceria com Fred Camacho, Eternas Madrugadas, do disco Acesa. O Arlindo Cruz gravou A Sós, que também está no meu segundo disco. Xande de Pilares, com participação do Zeca Pagodinho, gravou Homem de Lata, também parceria minha com Fred e mais dois parceiros, o Thiago Tomé e o Rick Oliveira. Tem a banda Jamz também. E eu conheço os meninos há muito tempo, porque eles foram a minha banda antes. Todas as autorais deles do primeiro disco e seis do segundo, são minhas em parceria com eles, exceto uma que foi gravada por eles com participação da Ivete Sangalo, uma composição que a gente fez para Ivete, por acaso eles adoraram, pediram a música, e aí convidaram a Ivete para gravar. Tem mais a Thais Macedo, Lua Blanco... Eu sou parceiro também do Max Vianna, filho do Djavan, e ele já gravou também música minha.

Como é esta história de bater recorde em Segundo Sol com cinco canções?

Pra mim de fato é um recorde. Pode ser que já tenha acontecido, mas até hoje não sei de alguém que tenha conseguido colocar cinco músicas numa novela. Não são músicas da trilha, são músicas da dramaturgia, que os personagens compõem. Então pra mim é uma emoção que não tem tamanho. A gente trabalha tanto nesse ofício, e às vezes não é divulgado o nome compositor. A minha sorte é que eu não sou só compositor, sou artista também. Mas o compositor sofre, e eu faço questão de dar, como eu dei os créditos aqui antes de todos parceiros. Sem o compositor não há música.

Foto: Divulgação

Fale um poucos das músicas que você compôs para a trama...

A primeira que entrou foi Seu Lar, canção que o Beto Falcão fez para a Luzia. O pedido era que fosse uma música romântica, com um pouco de sofrimento pelo desencontro amoroso deles, mas que fosse triste e bonita também. A segunda foi o Porto de Abraçar, composta pelo Beto e pela Ariella. Ela fez a letra na melodia que o Beto Falcão, vivido pelo meu querido Emílio Dantas, compôs. E hoje tomou um vulto maior, fizeram um arranjo para a música, entrou na dramaturgia. Depois veio Sal na Pele. E foi uma surpresa porque é uma encomenda. Tinha um briefing complexo, porque o Clovinho é o autor junto com a Gorete, mas teria interferência do Beto na composição. Então, ela tinha que ser chiclete, mas ao mesmo tempo não podia soar amadora. E qual não foi a surpresa? A música explodiu no Brasil inteiro e na Bahia, principalmente. Me orgulho muito de ter composto até porque passei quase todos os verões da minha infância e adolescência no Espírito Santo, e por lá imperava a música baiana, axé. Então, tinha já muito essa interferência para compor. E tenho orgulho de ter feito, apesar de não fazer parte do perfil do meu repertório. Depois vieram mais duas canções, já pre-existentes, e que se encaixavam no que a dramaturgia pedia. São o Nosso Amanhecer, do Beto Falcão, e Pra Sempre, que o Valentim estava compondo para a Rosa.

 

Emílio Dantas canta Porto de Abraçar, de autoria de Cassiano. 

Há algum novo projeto?

Tem muitas coisas que a gente está batalhando para acontecer, pra gente poder botar esse show autoral para correr o Brasil. Eu faço alguns shows em bares ainda, porque lá a gente aproxima o público a conhecer o trabalho. Você canta as músicas que ama, as pessoas estão lá para escutar as canções de compositores já consagrados, mas eu sempre aproveito para cantar as minhas músicas também. E acaba que o público que me assiste conhece o meu trabalho também autoral, e assim eu vou criando uma base de fãs, de amigos, que vão seguindo essa carreira. Em breve a gente vai estar lançando um single e eu tenho o projeto de gravar um disco muito louco que já já vem aí.



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