Após ter os filhos, Luhanna volta a cantar e apresenta a banda Ubond

Ela lembra apoio do marido, Szafir, fase de apresentadora e rechaça preconceito


  • 21 de março de 2018
Foto: Claudia Dantas


Por Luciana Marques

Desde cedo, a música faz parte da vida de Luhanna. Entre suas referências, Cássia Eller, Amy Winehouse, Edith Piaf e Cazuza. Além de português, ela gosta de cantar em espanhol, inglês e até francês... Só que o sonho de viver da música demorou um pouquinho a chegar.

Mas ela nunca deixou de batalhar por isso. Até a participação de sucesso como apresentadora do programa Papo Calcinha, de 2009 a 2013, no Multishow, quando posou para uma revista sexy, ela lembra que foi pensando no dinheiro para tocar a carreira de cantora.

Logo depois, conheceu o ator e empresário Luciano Szafir, com quem teve os filhos David, de 4 anos, e Mikael, de 2 anos e 10 meses. E nesse tempo precisou dedicar-se à maternidade. Mas seu sonho continuava latente e aconteceu: “É um momento mulher que vivo agora, cantando, sinto aflorar o movimento natural do corpo, a sedução”, conta.

E é junto com os parceiros Niko Oliver, músico, e Rodrigo Primeiro, cantor e produtor, que ela forma a banda Ubond. No repertório, do reggaton ao samba, MPB, passando pelo rock nacional, blues e até forró. Na entrevista ao Portal ArteBlitz, eles mostraram em primeira mão o reggaeton Ubond Gostosin, uma composição dos três. Ouça que você vai adorar!

"É um momento mulher que eu vivo agora cantando e que eu tinha esquecido um pouco, porque eu virei muito mãe nos últimos dois anos. Agora, voltando a trabalhar, vejo aflorar o movimento natural do corpo, a sedução."

Com os parceiros da banda Ubond, Rodrigo Primeiro e Niko Oliver. Foto: Claudia Dantas

Compor x Cantar

Compor é um trabalho diferente de se apresentar. O trabalho de cantora me dá muito prazer no palco, mas eu acho que o que mais me faz mais feliz é quando eu estou ali, sozinha, compondo. Sempre escrevi, desde criança. Mas de uns anos para cá, quando eu tive a oportunidade de trabalhar com música que eu comecei a levar a sério mesmo. Às vezes, estou até deitada, de noite, e vem uma ideia na cabeça, aí eu levanto devagarinho para não acordar o marido. Vou lá, gravo aquela ideia no telefone, aí eu gravo. Normalmente, eu componho letra e melodia, na minha cabeça vem tudo junto. E mando para o Niko (Oliver). Ele compõe no violão, e depois a gente faz junto com a banda.

Temas das composições

Atualmente, tenho duas composições que eu estou amando muito. Serão as próximas que eu vou gravar com a banda. São dois blues, em português, de um tema atual, de como está a humanidade com essas mudanças na cabeça das pessoas por causa da internet, velocidade e tal. De a pessoa poder aparecer ali, de um jeito que, na verdade, não é na vida dela. Ela pode criar um personagem. E esses dois blues estão morando no meu coração, estou louca para gravar. Acho que em um mês a gente deve estar indo para estúdio.

Foto: Claudia Dantas

"Quando fui fazer os testes para o Papo Calcinha, já pensava: 'uma menina que vai falar de sexo no Multishow, vai acabar tendo a oportunidade de fazer uma revista masculina'. E era o que queria, única maneira de conseguir grana para investir na carreira de cantora."

Música

Acho que sou tomada pela música mesmo. Eu só sinto a música me envolver completamente, porque acho que a interpretação é a coisa mais importante para mim, é o que dá o clima. A técnica é importante, mas com a interpretação eu entro ali dentro da história da música e sinto aquilo. Gosto muito de cantar rock nacional, Cazuza, porque é uma coisa rock, sinto a minha voz forte. E eu sinto que vem uma sensualidade natural com o som da guitarra, a balançada. Sinto aflorar isso, é um momento mulher que eu vivo agora cantando e que eu tinha esquecido um pouco porque eu virei muito mãe nos últimos dois anos. Agora, voltando a trabalhar, vejo aflorar o movimento natural do corpo, a sedução.

"A minha vida é a minha família, música, poesia. E o preconceito para mim é uma aberração, uma coisa que me incomoda muito. Todo o preconceito com todo e qualquer ser humano é como se fosse comigo."

Com o marido, Luciano Szafir e os filhos David e Mikael. Foto: Reprodução Instagram

Papo Calcinha

O Papo Calcinha marcou muito. Foi um trabalho muito louco de fazer. Eu não era conhecida e eu já estava falando sobre sexo, sobre as maiores intimidades e loucuras que eu fazia na cama. Então, era muito louco as pessoas virem falar comigo como se me conhecessem há anos, me fazendo pergunta, me contando sobre a vida sexual delas. Era na rua, no bar, eu ficava meio, 'putz, e agora?' Acho que a resposta do público era o mais bacana, as gravações também eram divertidas, a gente ria para caramba. E tinha bebida mesmo nos copos, vinho, vodka, isso não é mentira. Eu que de vez em quando bebia água. E a gente acabava se divertindo.

Blog do Multishow

E tinha tamém o blog do Papo Calcinha no site do Multishow e a gente respondia as perguntas lá sobre sexo. E era cada pergunta maluca . E acabava sendo uma responsabilidade de você responder sobre a vida sexual, e a vida sentimental da pessoa também entra no meio. E eu era a que mais respondia as perguntas sobre sexo com mulher, porque era eu que mais falava sobre isso. E uma menina perguntou uma vez... 'Eu estou apaixonada pela namorada da minha mãe, e agora, o que faço?' E ela contou a história dela e tive que responder no blog. Era uma responsabilidade! Vai que eu seja louca e ela também e faz a loucura (risos). Eu podia acabar com a vida da menina. Mas era bacana!

 

Rodrigo, Luhanna e Niko, da Uband, cantam Ubond Gostosin.

"Nossa, quando conheci o Luciano, não sei como é que ele me aguentava... Cantei muito no ouvido desse homem. Vocês não tem noção! Mas é muito bom ter um marido que me apoia e ainda gosta de me ouvir cantar. Olha que maravilhoso!"

Apresentadora

Apresentar era gostoso. Se pintasse uma proposta, claro, se fosse legal, com certeza gostaria de apresentar novamente um programa. Mas agora eu estou mais focada na música mesmo. E esse era o meu sonho na vida mesmo, de verdade, sempre foi. Inclusive, quando eu fui fazer os testes para o Papo Calcinha, eu fiz já pensando nisso. Uma menina que vai falar de sexo no Multishow, vou acabar tendo a oportunidade de fazer uma revista masculina. E era o que eu queria, porque era a única maneira que eu enxergava naquele momento da minha vida de ganhar uma grana para investir na minha carreira de cantora. Já era meu sonho naquela época, desde nova. Então, foi por isso que eu acabei entrando nessa, e foi um barco que eu peguei e foi bom de navegar, gostoso, divertido.

Foto: Claudia Dantas

Apoio de Luciano Szafir

Ah, é muito bom ter uma marido que apoia a gente, que dá força para a gente seguir o nosso sonho. E ele é parceirão nisso, fica todo orgulhoso, filma todos os meus shows que vai, e fica torcendo. Ele dá uma de empresário também, buscas coisas para mim, porque ele conhece muita gente e isso é muito legal. Ele sempre gostou de me ver cantar. Nossa, quando eu conheci o Luciano, não sei como é que ele me aguentava, como eu cantei no ouvido desse homem. Vocês não tem noção, até Whitney Houston, eu já cantei. Hoje em dia não me aventuro porque a minha voz mudou com a gravidez. Ficou um pouco mais grave, aliás, era tudo o que eu queria. Gosto de cantar grave, gosto da voz de contralto, eu sou mezzo-soprano. Mas é muito bom ter um marido que apoia a gente e ainda gosta de me ouvir cantar. Olha que maravilhoso!

Luhanna x Luhanna

A minha vida é a minha família, música, poesia. E o preconceito para mim é uma aberração, uma coisa que me incomoda muito. Todo o preconceito com todo e qualquer ser humano é como se fosse comigo. O preconceito e a injustiça são duas coisas que, nossa, me revoltam muito, me fazem muito mal. Sou uma pessoa do mundo, eu gosto de gente. E eu sou simples, acho que o segredo da felicidade está na simplicidade das coisas, em você dar valor às coisas do cotidiano, do dia a dia. Acho que é isso, a simplicidade, a poesia, a verdade e a beleza. Porque a música também é beleza. Então, eu também sou um pouco de beleza através da música que faço.

 



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