Ricardo Pereira: “Humor me fascina também, me sinto em casa”

Com base no Rio e "circulando pelo mundo", ele atua na comédia Minha Vida em Marte


  • 11 de dezembro de 2018
Foto: Vanessa Marques


Por Luciana Marques

Longe das novelas no Brasil desde o início do ano, quando viveu o vilão Virgílio, em Deus Salve o Rei - ele atuou ainda em Alma e Coração, em Portugal -, Ricardo Pereira vive uma fase especial na sétima arte. Agora em 27 de dezembro, ele poderá ser visto nos cinemas de todo o país na comédia Minha Vida em Marte, ao lado de Mônica Martelli e Paulo Gustavo, como o bom vivant Bruno. “O humor me fascina também, me sinto em casa fazendo”, conta ele, também no elenco do longa português Golpe de Sol, que foi exibido recentemente em Festival da Estônia.

O português mais carioca do Brasil e também muito querido entre a classe artística, é considerado uma espécie de “Embaixador” entre os dois países nas artes. “Faço isso com um grande prazer”, ressalta. Atualmente, o ator passa um período com a esposa, Francisca, e os filhos Vicente, de 7 anos, Francisca, de 4, e Julieta, de 1, na terra natal. Ele explica que a sua base é o Rio, mas que nunca vai deixar de desbravar o mundo. “Impensável deixar de circular, isso faz parte da minha vida”, diz.

Imperdível o nosso bate-papo com o ator que tem uma trajetória consolidada não só em Portugal, como no Brasil, onde vive há quase 15 anos, e com cerca de 11 novelas e cinco filmes.

Bruno (Ricardo Pereira), Aníbal (Paulo Gustavo) e Fernanda (Mônica Martelli) no longa Minha Vida em Marte. Foto: Reprodução YouTube

O que mais instigou você ao participar da comédia Minha Vida em Marte?

Primeiro foi realmente poder trabalhar com Mônica (Martelli), com Paulo Gustavo, com a Susana (Garcia) também, a nossa diretora, porque que é muito bom você trabalhar com uma galera que faz humor há tanto tempo, ter uma estrada tão bacana. São referências principalmente do humor. Já são amigos, mas acima de tudo profissionais com quem eu queria trabalhar. E é um roteiro muito divertido, isso tudo me fez aceitar o convite.

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Como você definiria o Bruno?

O Bruno é um cara bon vivant, sedutor, simpático, experiente de vida, mas tem seus objetivos bem delineados. Ele é um galanteador, um safado, aproveitador. Ele se envolve com a personagem da Mônica, porque é uma oportunidade, um momento, ele é daqueles caras que tem a sua família, mas está sempre aberto para o jogo.

Que tal a parceria com Mônica Martelli e Paulo Gustavo?

Incrível! A gente rodou em Nova York, foram dias incríveis, a gente se deu super bem trabalhando. A gente já se conhecia além do trabalho, isso facilitou bastante, mas criamos ali muito bem as sequências das cenas como a gente queria, e acho que ficou muito bacana, química total, parceria total.

Fazer humor é algo que você curte, gostaria de fazer mais comédia?

Sim, eu tenho feito vários trabalho de humor, mas mais pontuais, em cinema, seriados da Globo, participações. Também já fiz em teatro e acho muito interessante esse meu lado do humor, me fascina muito estar presente também nesse estilo de interpretação. Me deixa feliz, solto, e sempre que posso, seja agora com o Paulo e a Mônica, já tive muito com Miguel Falabella, em teatro também com outros diretores e autores, eu sempre estou fazendo. E o humor é um contraponto gostoso, porque na televisão costumo fazer coisas mais pesadas, dramáticas, sofredoras.

Foto: Vanessa Marques

Você está numa fase boa de cinema. Além de Minha Vida em Marte, você rodou Aos Nossos Filhos e De Perto Ela não é Normal. Cinema é um veículo que o instiga muito?

Eu fico muito feliz que esse meu segundo semestre tem sido nesta senda de bons filmes. Este com o Paulo e a Mônica vai estrear agora, e tem um outro também que foi lançado há pouco tempo mundialmente no Festival da Estônia, em Tallinn, se chama Golpe do Sol, do Vicente Alves do Ó, um diretor português. Tem mais dois projetos no ano que vem. E eu adoro cinema, é uma linguagem da minha profissão muito especial para mim, porque adoro conhecer diretores, atores, autores, e tenho tido oportunidade ao longo da carreira de fazer bons filmes. E isso é bacana para mim como ator, me completa, além do meu trabalho na televisão e no teatro, ter oportunidade de fazer vários filmes, alguns mais comerciais, outros mais autorais. Eu sou completamente apaixonado por cinema, tanto como ator, mas também como espectador assíduo.

Fazendo um paralelo com as produções cinematográficas do Brasil e de Portugal, elas se diferem muito ou os dois países estão fazendo muito bem cinema?

O cinema português e o cinema brasileiro estão numa fase muito bacana. Obviamente, a nossa escala é menor, mas há filmes que hoje em dia tem uma penetração muito importante no mercado internacional, ganhando inclusive bons prêmios. Estamos também sentindo que o público português está indo ao cinema, vendo filmes nacionais, isso é muito bom. Mas não só nacionais, eles gostam muito do cinema brasileiro também há muito tempo. E o público brasileiro também está numa fase muito boa com o cinema brasileiro. A gente tem feito muitas coproduções, inclusive ja fiz parte de muitas entre Brasil e Portugal. Tem muita coisa acontecendo e espero que o futuro para os dois países em nível cultural, de alta produção cinematográfica, continue assim nesse ritmo. Se puder crescer mais, ter mais gente nas salas, e manter os filmes mais tempo nos cinemas, melhor ainda. Mas vejo com bons olhos e peço que tudo seja cada vez melhor para o futuro.

Com a esposa, Francisca, e os filhos Francisca, Julieta e Vicente. Foto: Reprodução Instagram

Muitos atores brasileiros estão se mudando para Portugal para fazer novela. Esse ano estão aí Marcelo Antony, Carolina Kasting e vários outros... Como você vê isso, essa abertura do mercado aí para os brasileiros, já que antes era o contrário, muitos portugueses vinham ao Brasil...

Muita gente está se mudando para cá sim, uns para morar, outros para passarem um tempo, terem alguma experiência profissional. E obviamente isso me deixa feliz, essa abertura de mercado, essa essa troca cultural. Acho que tenho um quê de responsabilidade nisso, fazendo esse meu papel de Embaixador entre esses dois países, de apresentar pessoas, de pensar em produções com brasileiros aqui, me perguntam quem eu acharia que poderia fazer bem um determinado papel, a mesma coisa quando no Brasil querem saber de algum ator português. Fico feliz por esse momento, de ver aqui colegas e amigos trabalhando, ajudo no que posso. Nem que seja para dar o pontapé inicial, apresentar alguém. Mas depois é o trabalho das pessoas, e também depende da vida que cada um quer viver. Tem gente que também vem aqui procurar a tranquilidade de Portugal, a experiência de viver num outro país. Acho que foram feitas muitas ações, até por mim, mostrando um Portugal diferente, um país que acolhe, fala a mesma língua, é bonito de se visitar, tem história. E a gente pode captar muita gente que estava indo para outros países da Europa, Estados Unidos, e trazê-los para cá, para conhecerem seus antepassados, sua história. Quem é esse povo que está na Europa, mas é irmão, fala mesma língua...

Quando estão em Portugal, você e sua esposa acabaram sendo anfitriões dos artistas brasileiros, como é ser tão querido pela classe?

Obviamente que quando eu estou aqui a galera acaba me ligando e eu tenho o maior prazer de receber, apresentar os lugares bacanas, amigos. Então é uma honra para mim e a minha mulher fazermos esse papel de anfitriões em Portugal quando a gente está por aqui. Obviamente a gente fica muito feliz com esse carinho, com esse retorno da galera que fala: 'Pô, eu vou para Portugal e se o Ricardo estiver lá, quero estar com ele'. E até tem artistas, atores amigos de amigos, que a gente acaba se apresentando. Faço isso muito feliz, mesmo quando eu estou no Brasil e a galera me liga para pedir umas dicas de Portugal.

 

 

Você diria hoje que se divide entre Brasil e Portugal e não consegue mais ficar longe de nenhum dos dois países?

A minha base é no Rio de Janeiro, onde eu desenvolvo meu trabalho, é onde eu moro, é onde eu passo a maior parte do meu tempo. Sempre que eu tenho algum tipo de férias, pausa entre os trabalhos, procuro visitar a família, pai, mãe, sogros, cunhados, primos, tios, até mesmo para os meus filhos estarem com eles um pouquinho. Mas a base é aí, e obviamente eu acabo vindo fazer uns trabalhos aqui em Portugal, muita publicidade, apresentação de eventos, participações em televisão, mas mais cinema. Mas eu não só me divido entre esses dois países, a minha base é o Rio, e do Rio eu vou pra todo lado. Tenho ido fazer cinema em vários paíeses, Espanha, Holanda, México, França. Tenho andado um pouco por todo lado, como eu vejo que um artista tem que ser hoje em dia. Você ter uma base e circular onde a oportunidade aparece, a possibilidade de trabalhar com várias mentes criativas, pessoas de línguas diferentes, te engrandece não só pessoalmente, mas profissionalmente. Então eu vou andando um pouquinho com a base aí, mas realmente o mundo é o mundo, e o mundo é um só, e eu gosto muito de circular por ele.

Tem algum novo projeto para falar?

Agora em dezembro estreia esse filme com a Mônica e o Gustavo, tem o lançamento do Golpe do Sol nos cinemas no ano que vem também. Tem mais dois projetos em cinema que eu estou lendo o roteiro para fazer em 2019. No primeiro semestre eu vou apresentar o Sem Cortes, da Globo Internacional, que vem com a segunda temporada. Vou ter também outras novidades na apresentação aí na TV Globo, e no segundo semestre volto à televisão para fazer um trabalho de dramaturgia. E é isso!



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