Fábio Beltrão vibra com fase: “Ano especial, de muito trabalho”

Ator retorna à Globo em Verão 90 e também faz a sua estreia no cinema


  • 11 de outubro de 2018
Foto: Célio Porto Jr.


Por Luciana Marques

Conhecido pela participação em três temporadas da global Malhação, e também no fenômeno bíblico Os Dez Mandamentos, da Record, como o Aoliabe, Fábio Beltrão – antes conhecido como Binho Beltrão – comemora um momento ímpar na carreira. “Esse ano está sendo muito especial, de muito trabalho”, conta.

O ator fez a sua estreia no cinema como um dos protagonistas de Quando a Morte Socorre a Vida, de Jeferson De. No longa que tem como tema o racismo, ele dá vida ao antagonista, o preconceituoso Gustavo. “Muitas pessoas, infelizmente, vão se identificar com ele”, constata.

Outra novidade é que o ator retorna à Globo na próxima trama das 7, Verão 90, como um vilão, o surfista Louro. A novela de Izabel de Oliveira e Paula Amaral tem estreia prevista para janeiro de 2019.

Foto: Célio Porto Jr.

O que tem mais instigado você ao participar do filme Quando a morte socorre a vida?

Sem dúvidas o tema. O filme aborda o preconceito racial, algo extremamente necessário. A narrativa engloba essa questão de uma maneira muito inteligente e inédita, e fazer o antagonista do longa é uma grande responsabilidade. O meu personagem, o Gustavo, é preconceituoso e deixa muito evidente o seu incômodo por ver um negro se destacando na faculdade e conquistando o coração da garota que ele sempre quis.

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E como está sendo trabalhar com com o diretor Jeferson De, você já conhecia o trabalho dele, e o que destacaria?

Trabalhar com o Jeferson De foi uma experiência maravilhosa, já havia escutado muitas coisas boas a respeito dele e sem dúvidas tudo se confirmou. Ele é muito talentoso e parceiro. O set tinha uma energia muito boa e leve, era nítido que todos os profissionais se sentiam muito à vontade e felizes em estar ali. Fui muito bem acolhido por ele e toda equipe, e por se tratar do meu primeiro trabalho no cinema ele foi muito generoso e me deu muita abertura para criar em cena e propor algumas coisas que iam aparecendo ao longo do processo. Sem dúvidas, foi uma experiência muito especial.

Fale um pouco do seu personagem, ele é racista, um vilão?

Gustavo representa grande parte da sociedade hoje em dia que se diz não ser preconceituosa mas que infelizmente é. Ele se sente incomodado por ver um negro se destacando na faculdade, chamando a atenção das pessoas e ganhando um lugar que na cabeça dele por ser um branco e rico, deveria ser dele.

Como se preparou, se inspirou em algum personagem em especial?

Infelizmente o preconceito é tão presente no nosso dia dia, que não é preciso ir tão longe para buscar referências, muitas vezes basta ligar a televisão.

Foto: Célio Porto Jr.

Pelo o que li, o filme trata de racismo, e também de valores, ética. Qual a importância para você de mostrar esses temas tão atuais na telona, até porque o racismo ainda está muito impregnado em nossa sociedade, né?

Muitas pessoas infelizmente vão se identificar com o Gustavo. E gostaria muito que isso gerasse uma reflexão, que essas pessoas reavaliassem as atitudes e buscassem evoluir como seres humanos. O preconceito hoje em dia ainda é muito present, e por isso acho muito importante e de extrema responsabilidade, oportunidades como essa de dar voz ao um assunto tão delicado e que precisa ser mostrado e repensado.

Você atuou em três temporadas de Malhação. Como é a troca até hoje com esse público?

Malhação foi  muito especial pra mim, por se tratar de um produto voltado para os jovens, o contato acaba sendo mais rápido e eficiente por se tratar de um público muito ativo em redes sociais. Meu primeiro papel na TV foi na temporada 2010/2011 e já tive de cara uma grande responsabilidade, interpretar um garoto gay que iria se assumir para os amigos e sofrer muito preconceito no colégio. Foi especial contar essa história e ver como o Cadu pode ajudar, fortalecer e inspirar pessoas que estavam passando pela mesma situação na vida real.

E qual a importância em sua carreira de atuar em Os Dez Mandamentos, como o Aoliabe?

Sem dúvidas foi uma grande experiência atuar em uma novela bíblica que foi um fenômeno não só no Brasil, como também no exterior. A sequência da abertura do mar vermelho foi gravada com uma equipe de Hollywood e foi incrível, um aprendizado estar no set ao lado de grandes nomes do cinema mundial. Tive algumas ótimas experiências fora do Brasil por conta da novela e acredito que em breve farei algum trabalho na Argentina.

Foto: Célio Porto Jr.

Por que agora você assina Fábio Beltrão, e não mais Binho?

O Binho surgiu na época do meu primeiro trabalho em Malhação até como sugestão de um produtor da Globo por se tratar de um nome jovem que conversava bem com o público da novela. Mas agora com 30 anos, acho que Fabio Beltrão combina mais comigo hoje, aproveitando o bom momento na carreira. Chegou a hora de mudar e mostrar para as pessoas que o Binho amadureceu, cresceu como artista e se transformou no Fabio Beltrão.

Qual o seu sonho na carreira? 

Continuar trabalhando sempre, aprendendo, melhorando cada vez mais e quem sabe não faço em breve meu primeiro protagonista? Com certeza seria a realização de um dos meus grandes sonhos.



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