Caetano Veloso exalta turnê Caravanas de Chico Buarque

“É a vitória da bossa nova verdadeira, sua vingança, sua definitiva consagração”


  • 28 de janeiro de 2018
Foto: Reprodução Instagram


Ambos são “monstros” da música popular brasileira: Caetano Veloso e Chico Buarque. Na apresentação da turnê Caravanas, de Chico, no Rio, o amigo de longa data estava na plateia. Depois de aplaudir ao espetáculo, Caetano fez um texto lindo exaltando o show, e o que definiu como “vitória da bossa nova verdadeira”.

 

Turnê Caravanas

Tamanho sucesso de sua nova turnê, Chico fez, além das previstas três semanas de apresentações no Vivo Rio, mais oito datas. Agora se apresenta no local até 4 de fevereiro.

 

“Fui ontem à noite ver o show de @ChicoBuarque. Fiquei extasiado, não somente porque estávamos diante de um artista imenso que nos deixa esperando anos para vê-lo atuar; nem apenas porque os lindos versos de "Caravanas" trazem "suburbanos como muçulmanos do Jacarezinho a caminho do Jardim de Alá"; nem só porque o cenário de Hélio Eichbauer, com esfera armilar esboçando assimetrias a partir do sistema concêntrico, estende suas cordas de assinatura a uma complexidade de rede de ondas, movimento e poesia; nem mesmo porque "Massarandupió" traz a rica música que habita o coração de Chico Brown. Ou porque o repertório contenha sucessos cantados pela multidão e que estes sejam todos posteriores aos clássicos que fincaram Chico no lugar que ocupa em nossas vidas: não há "Quem te viu, quem te vê", "Carolina", "Januária", "Samba do grande amor" ou "Noite dos mascarados" - nem pensar em "Pedro Pedreiro" ou "Olê olá": para um cara da geração de Chico, o repertório é todo de coisas novas, a maioria datando de quando ele entortou seus caminhos harmônico-melódicos, toreou suas rimas (justo quando um idiota da imprensa disse que não ouviria seu novo disco por já saber o que iria encontrar: era um erro perfeito). É uma exuberância. Os arranjos de Luiz Claudio levam ao máximo a elegância musical que ele sempre apresenta. Mas a força vem de como tudo isso foi estruturado dentro da concepção bossa nova. Um homem de voz pequena e anasalada domina o universo, rodeado por sons econômicos e profundos, equilibrados e misteriosos. Da forma dos arranjos (que contam com o canto perfeito de Bia Paes Leme) à política de volumes da amplificação (finalmente um show que não rompe nossos tímpanos toma toda a grande sala de difícil acústica!), tudo funciona para expor a realização da bossa nova, do seu essencial. É a vitória da bossa nova verdadeira, sua vingança, sua definitiva consagração, desmentindo a sensação de que o Brasil não se respeita: ao contrário, ali parece que o Brasil chega finalmente a merecer a bossa nova. (texto completo na página do Facebook ???????? @falacaetano)

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